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Quote by Byung-Chul Han

“A meditação zen é radicalmente diferente da meditação de Descartes, que, em sua orientação pela máxima da certeza, se salva da dúvida, como se sabe, por meio da ideia de “Eu” e de “Deus”. O mestre zen Dōgen comunicaria a Descartes que ele poderia continuar com a sua meditação, avançar ainda mais com a sua dúvida e aprofundá-la ainda mais, até chegar àquela grande dúvida, até ele mesmo se tornar essa grande dúvida que despedaça inteiramente tanto o “Eu” como a ideia de “Deus”. Tendo chegado a essa grande dúvida, Descartes teria, possivelmente, clamado de alegria: neque cogito neque sum [Nem penso nem existo]: “O lugar do não pensamento não pode ser medido por nenhum conhecimento, pois na esfera do verdadeiro ser-assim [Soseins] não há nem ‘Eu’ nem ‘outro”

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Work

Filosofía del budismo Zen

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Author

Byung-Chul Han

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“Também o pensamento de Heidegger abdica, como se sabe, de toda representação metafísica do fundamento no qual a pergunta pelo porquê chegaria à paz, de um fundamento de explicação [Erklärungsgrundes] ao qual se deveria remeter o ser de todo ente. Heidegger cita Silesius: “A rosa é sem porquê, ela floresce porque floresce”. Heidegger contrapõe esse sem-porquê ao “princípio de razão suficiente”: Nihil est sine ratione [nada é sem razão]. Certamente, não é fácil se demorar no sem razão ou habitar nele. Ter-se-á, afinal, que clamar por Deus? Heidegger cita novamente Silésio: “Um coração que por razão de Deus é silencioso como Ele quer, é de bom grado tocado por Ele: Ele é o seu instrumento”. Sem Deus, o coração permaneceria, então, sem “música”. Enquanto Deus não tocar, o mundo não soa. Precisa o mundo, então, de um Deus? O mundo do zen-budismo não é apenas sem “porquê”, mas também sem qualquer “música” divina. Também o haiku, caso se o escute mais atentamente, não é “musical”. Ele não tem nenhum desejo, é livre de todo clamor ou nostalgia. Assim, ele soa insípido. Essa insipidez intensiva constitui a sua profundidade.”

“A camada profunda do desejo de se fundir com Deus aponta para uma estrutura narcisista. Na unio mystica [união mística], o ser humano se deleita com Deus. Ele se vê em Deus, se alimenta, por assim dizer, dele. O zen-budismo é livre de toda autorreferencialidade narcisista. Não haveria nada com que eu poderia me “fundir”, nenhuma contraparte divina que espelharia o meu Si. Nenhum “Deus” restitui ou reembolsa o Si. Nenhuma economia do Si anima o coração vazio. O vazio do zen-budismo nega precisamente toda forma de retorno narcisista a si. Ele des-espelha o si.”

“Certamente, o espírito zen-budista é oposto ao espírito hegeliano, cujo traço fundamental é a interioridade. A prática zen-budista é a tentativa de des-interiorizar o espírito, sem, todavia, afundá-lo ou invertê-lo em um mero “fora”, ou esvaziá-lo em um “invólucro vegetável”. O espírito deve ser es-vaziado em uma vigília e recolhimento sem interioridade. O satori caracteriza o estado do espírito que, por assim dizer, floresce, floresce para além de si, que, por assim dizer, passa inteiramente na luz e no esplendor de cores. O espírito iluminado é a árvore florescente. O satori é o outro da “mesmidade”, o outro da “interioridade”, o que, todavia, não significa nenhuma “exterioridadade” ou “alienação”. Ultrapassa-se, muito antes, a distinção entre “dentro” e “fora”. O espírito se des-interioriza em uma in-diferença, sim, no Afável.”

“O vazio como o lugar do haiku es-vazia tanto o Eu como o Isso. Assim, o haiku não é nem “pessoal” nem “impessoal”. Cheiro de rochas: Essa grama vermelha D’água e calor Bashō Os haikus não apontam, além disso, para nenhum significado oculto que devesse ser encontrado. Não há metáfora da qual se deveria retirar uma interpretação. O haiku é completamente evidente. Ele é claro em si mesmo. Não é preciso primeiramente “esclarecê-lo”. Bater do vento Faz com que os pássaros Fiquem mais brancos Buson O haiku revela inteiramente o seu “sentido”. Ele, por assim dizer, não tem nada para esconder. Ele não é voltado para dentro. Não habita nele nenhum “sentido profundo”. A ausência de “sentido profundo” constitui, justamente, a sua profundidade. Ela é correlata da ausência de interioridade da alma. A abertura clara, a amplidão desimpedida do haiku surge do coração des-interiorizado, es-vaziado, da coleção de ninguém, sem interioridade.”

“Child of the world, you are the dream between opposites, light in the arms of darkness, chaos folded into order. The cosmos remembers you. you live in the silence of the owl, in the death of stars you live in the breath where time forgets itself.”