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Byung-Chul Han Quotes

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Famous Byung-Chul Han Quotes

“Η κοινωνία της διαφάνειας είναι μια κοινωνία της δυσπιστίας και της καχυποψίας, η οποία ακριβώς λόγω της έλλειψης εμπιστοσύνης, βασίζεται στον έλεγχο. [...] Τη θέση της ραγισμένης ηθικής αρχής παίρνει η διαφάνεια ως νέα κοινωνική επιταγή.”

“Em sua interpretação do budismo, Hegel opera, de maneira problemática, com conceitos onto-teo-lógicos como substância, essência, Deus, poder, soberania e criação, que são todos inadequados para o budismo. O nada budista é tudo, menos uma “substância”. Ele não é nem “em si essente” nem [algo que] “repousa e permanece em si mesmo”. Antes, ele é, por assim dizer, em si vazio. Ele não foge à determinação para se recolher em seu interior infinito. O nada budista não se deixa determinar como aquela “força substancial” que “rege o mundo e permite que tudo se origine e venha a ser segundo uma ordenação [Zusammenhang] racional”. O nada significa, antes, que nada domina. Ele não se exterioriza como um senhor. Dele não parte nenhuma “soberania”, nenhum “poder”. Buda não representa nada. Ele não encarna a substância infinita em uma singularização individual. Hegel emaranha de maneira inadmissível o nada budista em uma relação representacional e causal. O seu pensamento, que se dirige à “substância” e ao “sujeito”, não concebe apreender o nada budista.”

“O budismo não permite nenhum chamado de Deus. Ele não conhece nem a interioridade divina, na qual o chamado poderia se afundar, nem a interioridade humana, que careceria de um chamado. Ele é livre de toda pulsão pelo chamado. É estranho a ele aquele “impulso imediato”, aquela “nostalgia”, aquele “instinto do espírito” que demandaria a concreção ou a concentração de Deus “na figura de um ser humano efetivo” (a saber, Cristo). Na figura humana de Deus, o ser humano veria a si mesmo. Ele se sentiria em Deus. O budismo, em contrapartida, não é estruturado narcisisticamente.”

“A meditação zen é radicalmente diferente da meditação de Descartes, que, em sua orientação pela máxima da certeza, se salva da dúvida, como se sabe, por meio da ideia de “Eu” e de “Deus”. O mestre zen Dōgen comunicaria a Descartes que ele poderia continuar com a sua meditação, avançar ainda mais com a sua dúvida e aprofundá-la ainda mais, até chegar àquela grande dúvida, até ele mesmo se tornar essa grande dúvida que despedaça inteiramente tanto o “Eu” como a ideia de “Deus”. Tendo chegado a essa grande dúvida, Descartes teria, possivelmente, clamado de alegria: neque cogito neque sum [Nem penso nem existo]: “O lugar do não pensamento não pode ser medido por nenhum conhecimento, pois na esfera do verdadeiro ser-assim [Soseins] não há nem ‘Eu’ nem ‘outro”

“Também o pensamento de Heidegger abdica, como se sabe, de toda representação metafísica do fundamento no qual a pergunta pelo porquê chegaria à paz, de um fundamento de explicação [Erklärungsgrundes] ao qual se deveria remeter o ser de todo ente. Heidegger cita Silesius: “A rosa é sem porquê, ela floresce porque floresce”. Heidegger contrapõe esse sem-porquê ao “princípio de razão suficiente”: Nihil est sine ratione [nada é sem razão]. Certamente, não é fácil se demorar no sem razão ou habitar nele. Ter-se-á, afinal, que clamar por Deus? Heidegger cita novamente Silésio: “Um coração que por razão de Deus é silencioso como Ele quer, é de bom grado tocado por Ele: Ele é o seu instrumento”. Sem Deus, o coração permaneceria, então, sem “música”. Enquanto Deus não tocar, o mundo não soa. Precisa o mundo, então, de um Deus? O mundo do zen-budismo não é apenas sem “porquê”, mas também sem qualquer “música” divina. Também o haiku, caso se o escute mais atentamente, não é “musical”. Ele não tem nenhum desejo, é livre de todo clamor ou nostalgia. Assim, ele soa insípido. Essa insipidez intensiva constitui a sua profundidade.”

“A camada profunda do desejo de se fundir com Deus aponta para uma estrutura narcisista. Na unio mystica [união mística], o ser humano se deleita com Deus. Ele se vê em Deus, se alimenta, por assim dizer, dele. O zen-budismo é livre de toda autorreferencialidade narcisista. Não haveria nada com que eu poderia me “fundir”, nenhuma contraparte divina que espelharia o meu Si. Nenhum “Deus” restitui ou reembolsa o Si. Nenhuma economia do Si anima o coração vazio. O vazio do zen-budismo nega precisamente toda forma de retorno narcisista a si. Ele des-espelha o si.”

“Certamente, o espírito zen-budista é oposto ao espírito hegeliano, cujo traço fundamental é a interioridade. A prática zen-budista é a tentativa de des-interiorizar o espírito, sem, todavia, afundá-lo ou invertê-lo em um mero “fora”, ou esvaziá-lo em um “invólucro vegetável”. O espírito deve ser es-vaziado em uma vigília e recolhimento sem interioridade. O satori caracteriza o estado do espírito que, por assim dizer, floresce, floresce para além de si, que, por assim dizer, passa inteiramente na luz e no esplendor de cores. O espírito iluminado é a árvore florescente. O satori é o outro da “mesmidade”, o outro da “interioridade”, o que, todavia, não significa nenhuma “exterioridadade” ou “alienação”. Ultrapassa-se, muito antes, a distinção entre “dentro” e “fora”. O espírito se des-interioriza em uma in-diferença, sim, no Afável.”

“O vazio como o lugar do haiku es-vazia tanto o Eu como o Isso. Assim, o haiku não é nem “pessoal” nem “impessoal”. Cheiro de rochas: Essa grama vermelha D’água e calor Bashō Os haikus não apontam, além disso, para nenhum significado oculto que devesse ser encontrado. Não há metáfora da qual se deveria retirar uma interpretação. O haiku é completamente evidente. Ele é claro em si mesmo. Não é preciso primeiramente “esclarecê-lo”. Bater do vento Faz com que os pássaros Fiquem mais brancos Buson O haiku revela inteiramente o seu “sentido”. Ele, por assim dizer, não tem nada para esconder. Ele não é voltado para dentro. Não habita nele nenhum “sentido profundo”. A ausência de “sentido profundo” constitui, justamente, a sua profundidade. Ela é correlata da ausência de interioridade da alma. A abertura clara, a amplidão desimpedida do haiku surge do coração des-interiorizado, es-vaziado, da coleção de ninguém, sem interioridade.”

“Lingering is another time-consuming practice. Perception that latches on to information does not have a lasting and slow gaze. Information makes us short-sighted and short of breath. It is not possible to linger on information. Lingering on things in contemplation, intentionless seeing, which wold be a formula for happiness, gives way to the hunt for information. Today, we pursue information without gaining knowledge. We take notice [nehmen Kenntnis] of everything without gaining any insight [Erkenntnis]. We travel [fahren] across the world without having an experience [Erfahrung].”

“The late-modern achievement-subject does not pursue works of duty. Its maxims are not obedience, law, and the fulfillment of obligation, but rather freedom, pleasure, and inclination. Above all, it expects the profits of enjoyment from work. It works for pleasure and does not act at the behest of the Other. Instead, it hearkens mainly to itself. After all, it must be a self-starting entrepreneur”

“Depression severs all attachments. Mourning differs from depression above all through its strong libidinal attachment to an object. In contrast, depression is objectless and therefore undirected. It is important to distinguish depression from melancholy. Melancholy is preceded by the experience of loss. Therefore it still stands in a relation - namely, negative relation - to the absent thing or party. In contrast, depression is cut off from all relation and attachment. It utterly lacks gravity.”

“Depression—which often culminates in burnout—follows from overexcited, overdriven, excessive self-reference that has assumed destructive traits. The exhausted, depressive achievement-subject grinds itself down, so to speak. It is tired, exhausted by itself, and at war with itself. Entirely incapable of stepping outward, of standing outside itself, of relying on the Other, on the world, it locks its jaws on itself; paradoxically, this leads the self to hollow and empty out. It wears itself out in a rat race it runs against itself.”

“A compaixão que surge da afabilidade arcaica não se deixa compreender a partir da “compaixão” comum. Ela se aplica, em primeiro lugar, não apenas a outros seres humanos, mas ao ente em geral. Em segundo lugar, ela não se deve à identificação ou a se “pôr no lugar do outro” [Einfühlung]. A compaixão da afabilidade não conhece aquele Eu que se compadece ou se alegra com o outro por meio de um processo de identificação. Se todo “sentimento” [Gefühl] estivesse ligado ao “sujeito”, então, a compaixão [Mitgefühl] não seria um “sentimento”. A compaixão não é um sentimento “subjetivo”, não é uma “inclinação”. Ela não é meu sentimento. Ninguém sente. A compaixão acontece com alguém. Ela é afável: “Ele [o zen-budista] se alegra e sofre como se não fosse de modo algum “ele” que se alegra e sofre. Ele se sente como na respiração: não é “ele” que respira, como se a respiração dependesse dele e do seu consentimento, mas sim ele é respirado e tem, aí, no máximo, a observação consciente”. O Com afável se deve ao vazio que é esvaziado dessa distinção entre Eu e outro. Ele não permite aquele Si que se sentiria na compaixão: “Compaixão [...] não pode promover o menor sentimento de satisfação consigo mesmo”. Aquele Com afável está enraizado em uma in-diferença [In-Differenz] ou equi-valência [Gleich-Gültigkeit]. Ele é livre tanto do ódio quanto do amor, tanto do afeto como da repulsa.”

“El multitasking no es una habilidad para la cual esté capacitado únicamente el ser humano tardomoderno de la sociedad del trabajo y la información. Se trata más bien de una regresión. En efecto, el multitasking está ampliamente extendido entre los animales salvajes. Es una técnica de atención imprescindible para la supervivencia en la selva.”

“An altogether different temporality is inherent in information. It is a phenomenon of atomized time, namely of point-time. [...] Atomized time is a discontinuous time. There is nothing to bind events together and thus found a connection, a duration. The senses are therefore confronted with the unexpected and sudden, which, in turn, produces a diffuse feeling of anxiety. Atomization, individualization and discontinuity are also responsible for various forms of violence.”

“As soon as one looks deeper into being one recognizes that all things are interconnected, that even the least of them communicates with a whole world. But the age of haste does not have the time to heighten perception. Only in the depth of being does a space open in which all things lie close to one another and communicate with one another. It is just this friendliness of being which gives the world its scent.”

“En el régimen neoliberal, la explotación ya no se produce como alienación y auto-des-realización, sino como libertad y autorrealización. Aquí ya no existe el otro como explotador que me obliga a trabajar y me explota, sino que más bien soy yo mismo quien me exploto voluntariamente, creyendo que me estoy realizando. Me mato a base de autorrealizarme. Me mato a base de optimizarme. En este contexto resulta imposible toda resistencia, toda sublevación, toda revolución.”

“Cada época possui suas enfermidades fundamentais. Desse modo, temos uma época bacterológica, que chegou ao seu fim com a descoberta dos antibióticos. Apesar do medo imenso que temos hoje de uma pandemia gripal, não vivemos numa época viral. Graças à técnica imunológica, já deixamos para trás essa época. Visto a partir da perspectiva patológica, o começo do século XXI não é definido como bacteriológico nem viral, mas neuronal. Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (TDAH), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a síndrome de burnout (SB) determinam a paisagem patológica do começo do século XXI. Não são infecções, mas enfartos, provocados não pela negatividade de algo imunologicamente diverso, mas pelo excesso de positividade. Assim, eles escapam a qualquer técnica imunológica, que tem a função de afastar a negatividade daquilo que é estranho.”

“Según Alain Ehrenberg, el éxito de la depresión se basa en la pérdida de la relación con el conflicto. La actual cultura del rendimiento y la optimización no tolera que se invierta trabajo en un conflicto, pues tal trabajo requiere mucho tiempo. El actual sujeto que se ve obligado a aportar rendimientos solo conoce dos estados: funcionar o fracasar. En ello se asemeja a las máquinas. Tampoco las máquinas conocen ningún conflicto: o bien funcionan impecablemente, o bien están estropeadas.”

“El terror de lo igual alcanza hoy a todos los ámbitos vitales. Viajamos por todas partes sin tener ninguna experiencia. Uno se entera de todo sin adquirir ningún conocimiento. Se ansían vivencias y estímulos con los que, sin embargo, uno se queda siempre igual a sí mismo. Uno acumula amigos y seguidores sin experimentar jamás el encuentro con alguien distinto. Los medios sociales representan un grado nulo de lo social. La interconexión digital total y la comunicación total no facilitan el encuentro con otros. Más bien sirven para encontrar personas iguales y que piensan igual, haciéndonos pasar de largo ante los desconocidos y quienes son distintos, y se encargan de que nuestro horizonte de experiencias se vuelva cada vez más estrecho. No enredan en un inacabable bucle del yo y, en último término, nos llevan a una "autopropaganda que nos adoctrina con nuestras propias nociones".”

“El mundo se asfixia en medio de las cosas. (...) Parece que lo tengamos todo, pero nos falta lo esencial: el mundo. El mundo ha perdido la voz y el habla; es más, ha perdido el sonido. El ruido de la comunicación ha sofocado el silencio. La proliferación y la masificación de las cosas ha desplazado el vacío. Cielo y tierra están repletos de cosas. Este mundo de mercancías no es apropiado para ser habitado. Ha perdido toda referencia a lo divino, a lo santo, al misterio, a lo infinito, a lo superior, a lo sublime.”

“El consumo voraz de imágenes hace imposible cerrar los ojos. El punctum presupone una ascesis del ver. Le es inherente algo musical. Esta música solo suena al cerrar los ojos, cuando uno hace «un esfuerzo de silencio». El silencio libera a la imagen del «habitual blablá» de la comunicación. Cerrar los ojos significa «hacer hablar la imagen en el silencio». Así es como Barthes cita a Kafka: «Fotografiamos cosas para ahuyentarlas del espíritu. Mis historias son una forma de cerrar los ojos.»”