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Quote by Carlos Drummond de Andrade

“A moça ficou noiva do primo — foi há tanto tempo. Casamento, depois de festa de igreja, era a maior festa, na cidade casmurra, de ferro e tédio. O noivo seguia para a casa da noiva, à frente de um cortejo. Cavalheiros e damas aos pares, de braço dado, em fila, subindo e descendo, descendo e subindo ruas ladeirentas. Meninos na retaguarda, é claro, naquele tempo criança não tinha vez. Solenidade de procissão, sem padre e cantoria. Janelas ficavam mais abertas para espiar. Só uma casa se mantinha rigorosamente alheia, como vazia. É que morava lá a antiga namorada do noivo – o gênio dos dois não combinava, tinham chegado a compromisso, logo desfeito. Murmurava-se que à passagem do cortejo em frente àquela casa, o noivo seria agravado. Não houve nada: silêncio, portas e janelas cerradas, apenas. E o cortejo seguia brilhante, levando o noivo filho de “coronel” fazendeiro, gente de muita circunstância, rumo à casa do doutor juiz, gente de igual altura. A casa era “o sobrado”, assim a chamavam por sua imponência de massa e requinte: escadaria de pedra em dois lanços, amplo frontispício abrindo em sacadas, sob a cimalha a estatueta de louça-da-china – espetáculo.”

Quote by Carlos Drummond de Andrade

Work

Caminhos de João Brandão

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Author

Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade was a renowned Brazilian poet, born on October 31, 1902, and passed away on August 17, 1987. His poetry, known for its simplicity and clarity, has been widely appreciated in Brazil and around the world. more

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“Enquanto voltava para o quarto, ocorreu a Nnu Ego que ela uma prisioneira: aprisionada pelo amor por seus filhos, aprisionada pelo papel de esposa mais velha. Dela, não se esperava nem que pedisse mais dinheiro para a família, essa atitude seria considerada inferior ao padrão esperado de uma mulher em sua posição. Não era justa, ela achava, o modo como os espertos dos homens usavam o sentido de responsabilidade de uma mulher para escravisá-la na prática.”

“A angústia nasce do medo de perder o objeto amado ou de sua espera devastadora, a vergonha é uma decadência social, ainda que o “social” seja reduzido à sua mais simples expressão: um olhar que julga! Esse olhar pode ser o da própria mãe desde os tempos primordiais de um aparente idílio, mas que não lhe pertence: esse olhar que julga já é a instância à qual a mãe se submeteu e que a criança percebe como estrangeira ao território de ambas.”

“—El futuro, el legado, lo que somos, seremos y cómo nos recordarán. Me gustan las historias por su capacidad de hacer que las personas permanezcan. Sacrificas algo de tu vida, lo transformas en arte, y, aunque mueras, pervives para alguien en ese relato. Siempre se puede sobrevivir si se es una historia para alguien. Eres inmortal. Los escritores son un ejemplo de ello. Eso es importante para cada uno de nosotros y lo será, por eso es genial poder recibir a los antiguos alumnos y…”