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Quote by Elieni Caputo

“A loucura é um projeto. Você vai afundando aos poucos, ninguém enlouquece de uma vez, é uma invalidação crônica e planejada daquilo que é visto, ouvido e sentido. Como, ao longo da vida, não há quem acredite em você, você deixa de acreditar em todos, em tudo, tudo perde o sentido. O delírio quer ser o avesso disso, quer é dar sentido pra tudo, dar explicação pro mundo. Crer piamente no delírio porque deixou de acreditar em tudo e todos há muito tempo, é a crença pelo avesso, que se dá pela via da descrença a longo prazo. Por isso, a convicção delirante é perseguida, porque se baseia, nos primórdios, na dúvida e no questionamento da realidade, tem um quê de dúvida filosófica.”

Quote by Elieni Caputo

Work

Laço de Fita

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Author

Elieni Caputo

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“Vi o trator no alto da colina, largado. Um mamute à espera do seu meteoro. E a lua parecia esse meteoro, mesmo parada, e eu sentia o frio da terra em mim, meus pés-raízes procurando fincar. Cheguei a pensar “Vamos, meus filhos”, como se fôssemos levantar juntos. Cheguei a ouvi-los dizer “Fiquemos.” Cheguei a fechar os olhos e sentir meu corpo desaparecer; a ver o céu como um nada; a acariciar o delírio, esse bicho que eu levava para passear e depois acalmava, como a um gato que se insiste em domesticar. Cheguei a dizer “Vamos de volta para casa.”

“Inferi que os demais passageiros perguntavam a si mesmos se aquilo de fato havia sido dito ou se imaginavam, se eram seus próprios demônios que também tinham fome dentro de suas cabeças ruidosas. E era como se pregássemos uma peça, nós dois, e fôssemos mais espertos do que o resto das pessoas naquele vagão, mais vívidos que seus rostos compenetrados de tédio, difusos, mal trabalhados. Depois me senti burro e inerte, porque estávamos todos juntos, afinal, no mesmo trem, indo para o mesmo lugar. Ofereci o isqueiro para acender o cigarro que ela tirava do maço; me ocorreu que queria minha atenção. Falei que poderíamos cultivar uma horta, aonde iríamos, mas ela tratou como um devaneio, mais um. E riu com a ideia de me ver sujo, metido num macacão. Provoquei assegurando que dali em diante iríamos subir em árvores, sentar nas colinas ao pôr do sol, que andaríamos nus de galochas e que se calhasse, meu amor, ficaríamos loucos, discutindo pela janela e quebrando pratos, móveis, com estardalhaço para que todos escutassem e exclamassem baixinho, com medo de que a gente ouvisse: “Os loucos chegaram na cidade”, como se fôssemos vikings invadindo uma aldeia murada; ou “Os loucos da cidade chegaram”, como se toda cidade precisasse de loucos e os encomendasse, e nós estivéssemos a caminho empacotados no vagão; ou então “Os loucos chegaram”, como se fosse um detalhe que alguém diz só por dizer; ou apenas “Loucos”, não mais que um resmungo, como se a cidade fosse louca também.”

“Boundaries are not necessarily static walls separating people but can be dynamic agreements taking shape with relationships. They allow us to communicate our needs and values, reducing misunderstandings and conflicts. Being a framework for dialogue, they provide a clear sense of where we stand and what we can expect from others. ("I am marking my Boundaries - Je plantes mes Piquets " )”