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Quote by Carla Madeira

“Não sabia se livrar daquele sentir, e do sentir para o consentir é só um tombinho de nada, basta um descuido para quem está andando tropeçar.”

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Work

Tudo é Rio

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Author

Carla Madeira

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“O céu está vazio", disse bem humorado o médico. "A casa está órfão, não há risadas." Depois, cansado, interrompendo-se com os próprios pequenos soluços e pigarros, ele discorreu sobre fazer amor, sobre como seria uma grande paixão se uma grande paixão fosse um mergulho cada vez mais impessoal, uma queda que levasse tudo, e essa impessoalidade seria assustadora e atraente, assustadora porque alguém se perderia, "eu", de quem gostamos tanto, e atraente: poder ser qualquer um, desejar tudo. Mas podemos desejar tudo? Essa é a questão. Seus olhos inteligentes brilharam tristes. "Você entende?”

“Vou ao Clissold Park e percorro seus desire paths, os caminhos que se fazem por um efeito de erosão. São vias criadas pelos passos humanos ou de animais, o percurso mais batido para ir de um lugar a outro. Em italiano diríamos scorciatoia, atalho, no entanto a primeira vez que me deparei com a expressão desire path, me detive na palavra 'desejo' e me confundi, me enganei sozinha: me convenci de que os desire paths eram percursos imaginários construídos por pessoas que passeiam pela cidade em todas as horas, os lugares que preferem se perder ou se enfiar, pontos iluminados num mapa particular.”

“Em outra circunstância, na qual me convenci de que viveria de arte e desespero, da proximidade com um homem: 'Vocês contaram um para o outro seus passados cheios de tragédias, se sentiram melhor com isso? Tão especiais, tão parecidos', com uma voz terrível, e eu naquelas ocasiões me sentia sempre mortificada, tímida, tinha vergonha, mas naqueles comentários cruéis, com frequência verdadeiros, sentia também uma pulsação fortíssima de desejo, como se me conhecesse melhor do que qualquer um e antecipasse meu erro, ciente de cada defeito meu e com um controle e poder infinito de domá-lo, e sentia-me de novo conquistada, numa terra russa na qual não se cansava nem para tirar a pistola para um duelo, mas deixava cair a luva, deixava o salão de baile, e depois eu já não o via mais.”

“[O]ur willingness to engage that mystery keeps desire alive. Faced with the irrefutable otherness of our partner, we can respond with fear or with curiosity. We can try to reduce the other to a knowable entity, or we can embrace her persistent mystery. [...] Eroticism resides in the ambiguous space between anxiety and fascination. We remain interested in our partners; they delight us, and we’re drawn to them.”