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Quote by Teresa Moure

Work

Ostrácia

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Author

Teresa Moure

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“— O senhor sabe, meu caro mestre, que eu não sou um animal destruidor. Não tenho vocação para o militarismo. Tenho mesmo ideias humanitárias bem avançadas, e creio que a fraternidade dos povos será a obra do socialismo triunfante. Enfim, tenho amor à humanidade. No entanto, do momento em que me enfiam um fuzil na mão, sinto vontade de atirar em todo mundo. Está no sangue... (...) — O senhor não ignora, caro mestre – acrescentou –, o poder da sugestão. Basta entregar a um homem uma baioneta na ponta de um fuzil para que ele a enterre na barriga do primeiro que apareça e se torne, como diz, um herói.”

“Sim, sim, sim... Crucificai-me nas navegações E as minhas espáduas gozarão a minha cruz! Atai-me às viagens como a postes E a sensação dos postes entrará pela minha espinha E eu passarei a senti-los num vasto espasmo passivo! Fazei o que quiserdes de mim, logo que seja nos mares, Sobre conveses, ao som de vagas, Que me rasgueis, mateis, fira-os! O que quero é levar pra Morte Uma alma a transbordar de Mar, Ébria a cair das coisas marítimas (...) Ser o meu corpo passivo a mulher-todas-as-mulheres Que foram violadas, mortas, feridas, rasgadas pelos piratas! Ser no meu ser subjugado a fêmea que tem de ser deles E sentir tudo isso -- todas estas coisas duma só vez - pela espinha!”

“Não entendo por que as pessoas nos odeiam. Ajudamos todo mundo!”, afirmou ele uma vez, querendo ouvir minha opinião. “Nem eu”, respondi. Eu sabia que era inútil tentar esclarecê-lo sobre as razões históricas e objetivas que nos levaram àquele ponto, portanto optei por ignorar o comentário dele; além disso, não seria nada fácil mudar a opinião de um homem da idade dele. Muitos homens e mulheres jovens entram para as Forças Armadas dos Estados Unidos por causa da propaganda enganosa do governo, que leva as pessoas a acreditar que as Forças Armadas são apenas uma grande Batalha de Honra: se entrar para o Exército, você é um mártir vivo; estará defendendo não só sua família, seu país e a democracia americana, mas também a liberdade e os povos oprimidos do mundo inteiro. Ótimo, não há nada errado com isso; pode até ser o sonho de todos os jovens. Mas a realidade das forças americanas é um tiquinho de nada diferente disso. Para ir direto à conclusão: o resto do mundo pensa nos americanos como um punhado de bárbaros vingativos. Pode ser duro, e eu não acredito que o americano médio seja um bárbaro vingativo. Mas o governo dos Estados Unidos aposta até a última ficha na violência como solução mágica de todos os problemas, e assim o país vai perdendo amigos a cada dia, e parece não dar a menor importância a isso.”