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O Homem Que Ri Quotes

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O Homem Que Ri Quotes

“O que vim fazer aqui? Vim ser terrível. Os senhores dizem que sou um monstro. Não, sou o povo. Sou uma exceção? Não, sou todo mundo. A exceção são os senhores. Os senhores são a quimera, e eu, a realidade. Sou o Homem. Sou o medonho Homem que Ri. Que ri do quê? Dos senhores. Dele mesmo. De tudo. O que é esse meu riso? É o crime dos senhores e é meu próprio suplício. Esse crime, eu lhes jogo na cara; esse suplício, eu lhes cuspo no rosto. Eu rio, e isso quer dizer: eu choro. [...] – Esse riso que está em meu rosto foi posto aí por um rei. Esse riso exprime a desolação universal. Esse riso significa ódio, silêncio forçado, raiva, desespero. Esse riso é um produto da tortura. Esse riso é um riso de violência. Se Satã tivesse esse riso, esse riso condenaria Deus. Mas o Eterno não se assemelha aos efêmeros; sendo o absoluto, ele é justo; e Deus abomina o que fazem os reis. Ah! Os senhores me consideram uma exceção! Eu sou um símbolo. Ó imbecis todo-poderosos, abram seus olhos. Eu encarno tudo. Represento a humanidade tal qual foi feita por seus mestres. O homem é um mutilado. O que fizeram a mim fizeram ao gênero humano.”

“É preciso tomar cuidado com o devaneio que se impõe. O devaneio tem o mistério e a sutileza de um odor; ele é, para o pensamento, o que o perfume é para a tuberosa. Às vezes, é a dilatação de uma ideia venenosa, ou pode ser penetrante como a fumaça. Podemos envenenar-nos com o devaneio da mesma forma que com as flores. Suicídio inebriante, delicioso e sinistro. O suicídio da alma é o mal pensar. Nisso está o envenenamento. O devaneio atrai, ajula, engana, prende, depois faz de você seu cúmplice, faz de você parceiro das falcatruas que perpetra à consciência. Ele o seduz. Depois o corrompe. Podemos dizer do devaneio o que dizemos do jogo. Começamos sendo facilmente enganados e terminamos sendo trapaceiros.”

“É preciso tomar cuidado com o devaneio que se impõe. O devaneio tem o mistério e a sutileza de um odor; ele é, para o pensamento, o que o perfume é para a tuberosa. Às vezes, é a dilatação de uma ideia venenosa, ou pode ser penetrante como a fumaça. Podemos envenenar-nos com o devaneio da mesma forma que com as flores. Suicídio inebriante, delicioso e sinistro. O suicídio da alma é o mal pensar. Nisso está o envenenamento. O devaneio atrai, bajula, engana, prende, depois faz de você seu cúmplice, faz de você parceiro das falcatruas que perpetra à consciência. Ele o seduz. Depois o corrompe. Podemos dizer do devaneio o que dizemos do jogo. Começamos sendo facilmente enganados e terminamos sendo trapaceiros.”

“Esse arcabouço de ferozes raciocínios seria absolutamente absurdo? Faltaria a ele uma certa ponderação? É preciso que se diga: não. Dá medo pensar que essa coisa que temos em nós, o discernimento, não é a justiça. O discernimento é o relativo. A justiça é o absoluto. Pensem na diferença entre um juiz e um justo Os maus comandam a consciência com autoridade. Há uma ginástica da falsidade. Um sofista é um falsário, e quando a oportunidade se apresenta esse falsário brutaliza o bom senso. Certa lógica muito maleável, muito implacável e muito ágil está a serviço do mal e prima em afogar a verdade na obscuridade. Sinistros socos de Satã em Deus”

“Somo todos cegos. O avaro é um cego; ele vê o ouro e não vê a riqueza. O pródigo é um cego; ele vê o começo e não vê o fim. A vaidade é uma cega; ela não vê suas rugas. O erudito é um cego; ele não vê sua ignorância. O homem honesto é um cego; ele não vê o trapaceiro. O trapaceiro é um cego; ele não vê Deus. Deus é um cego; no dia em que criou o mundo não viu que o diabo se metia lá dentro. Eu sou um cego; falo e não vejo que vocês são surdos.”

“Era uma angústia petrificada em hilaridade, carregando o peso de um universo de calamidades, e estava emparedado para sempre dentro da jovialidade, dentro da ironia, dentro da diversão alheia; ele partilhava com todos os oprimidos dos quais era a encarnação, essa fatalidade abominável de ser uma desolação não levada a sério; zombavam da sua desgraça; ele era sabe-se lá que grande bufão saído de uma espantosa concentração de infortúnios, evadido da sua prisão, endeusado, elevado do fundo da ralé ao pé do trono, misturado às constelações, e, depois de ter divertido os danados, divertia os eleitos! Tudo que nele havia de generosidade, de entusiasmo, de eloquência, de coração, de alma, de furor, de ira, de amor, de inexprimível dor se resumia a isto: um acesso de riso! E ele atestava, como havia dito aos lordes, que isso não era a exceção, mas o fato corriqueiro, comum, universal, o amplo fato soberano, de tal forma integrado à rotina de viver que ninguém mais reparava nele. O morto de fome ri, o mendigo ri, o preso ri, a prostituta ri, o órfão, para ganhar a vida, ri, o escravo ri, o soldado ri, o povo ri; a sociedade humana é feita de tal forma que todas as perdições, todas as indigências, todas as catástrofes, todas as febres, todas as úlceras, todas as agonias se reduzem, acima do precipício, a uma espantosa máscara de alegria. Ele era isso, a mais rematada das máscaras. Ela era ele.”