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Quote by Léa Silhol

“La peine, la perte, l'empreinte. La marque de la douleur ; même une fois le rouge des coups effacé, et les larmes taries faute d'avoir assez d’eau à verser pour traduire l'entaille, jetterait-on même dans cet acte tout ce qu'un corps peut en contenir. Chaque frôlement, chaque caresse, chaque coup de rein ou de langue ; chacun des éclairs où s'éreintent les rigides lois insulaires... chacun perdu d'avance, unique, éphémère, plus transitoire et fragile qu'un Hanami... plus précieux que l'or, alors, plus précieux encore.”

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Work

Hanami Sonata

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Author

Léa Silhol

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“A força da nossa vontade tem que ver com a vontade da nossa força. Porque a verdade é o que é pela sua justeza, mais o músculo anterior de quem a enuncia. Por isso é tão incompreensível a tolerância na juventude como a intolerância na velhice. Assim, a intolerância é um sinal de juventude de se ser um homem firme como na velhice é um sinal de se ser taralhouco. Assim a democracia não é o triunfo da juventude, a não ser como um terreno é o triunfo do que lá se cultiva. Porque a democracia não é uma “ideologia”, mas o caldo em que todas elas se podem desenvolver. Assim o que melhor a defende é que as ideologias perderam a semente do serem. Mas o que desse modo melhor a define a democracia na sua estabilidade e defesa contra o que a ameace, não é o convívio das várias ideologias, mas a indiferença em face de todas elas. Como na entropia, o regime que nos espera no limite do esperar, está para lá da democracia porque é a ausência de qualquer um. O homem não vai suicidar-se porque a vida sem razão não é razão para que o suicídio valha a pena. Honestamente, o homem vai continuar a morrer de “morte natural”. Mas talvez por inanição. Ou simplesmente de tédio, enquanto não achar um motivo que não o seja. E o tédio não se trata na psiquiatria, mas num sono em que se apodreça de bolor.”

“Pelos arredores da Casa da Cultura existia um cinema pornô em que eu ia para dormir, porque o calor que fazia, na minha idade, sabe o calor, quando a minha tia me trazia do interior para um passeio, outro passeio, para o curso de datilografia, quando eu vim viver um tempo com ela, na Boa Vista, não tive medo de enfrentar os inferninhos refrigerados, a fila dos sertanejos em pé, atrás das poltronas manchadas, eu dormia, no começo, durante o filme, é verdade, mas deixava que repousassem em mim os paus dos mulatos, vendedores de roletes de cana, os camelôs de relógios, os baixinhos do córrego, hoje, juro, eu me sinto vingado, os cinemas, todos morreram, eu continuo vivo, e rio.”

“Segundo o modelo amoroso prevalecente nesses anos de minha juventude (e nada me faz pensar que as coisas tenham mudado significativamente), os jovens, depois de um período curto de vagabundagem sexual que corresponde à pré-adolescência, deviam se envolver, supostamente, em relações amorosas exclusivas, acompanhadas de uma monogamia estrita, em que entravam em cena atividades não só sexuais mas também sociais (saídas, fins de semana, férias). Essas relações não tinham, porém, nada de definitivo, mas deviam ser consideradas aprendizados da relação amorosa, de certa forma estágios (cuja prática se generalizava, aliás, no plano profissional como algo prévio ao primeiro emprego). Relações amorosas de duração variável (a duração de um ano que, por minha vez, eu mantinha podia ser considerada aceitável), em número variável (uma média de dez a vinte parecia razoável), deviam supostamente se suceder antes de resultar, como uma apoteose, na relação última, que teria, agora sim, caráter conjugal e definitivo, e levaria, pela geração de filhos, à constituição de uma família.” Trecho de: Houellebecq, Michel. “Submissão.”