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Quote by Débora Henriques

Work

O musgo Tobias

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Author

Débora Henriques

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“O tal do amor-próprio que, não por acaso, é uma expressão que aparece muito no lado das mulheres, no mercado da feminilidade, então os procedimentos estéticos, maquiagens, adereços, esses adornos falhos que aparecem por aí e essa preocupação relacionada à propriedade que justamente era isso. A mulher como propriedade do homem, a mulher precisando ter valor de mercado, precisando se fazer para o outro para ser amada. Creio que talvez seja sintomático do nosso tempo fazer isso a si mesmo, então já não é mais para o outro, mas tem que ser pra si mesmo pelo menos. Para que daí, depois, seja pelo outro. Enfim, são estes discursos: você precisa primeiro se amar para depois ser amado pelo outro; você precisa se amar e precisa não precisar do outro. Isso vai crescendo e ganhando proporções que vão abandonando as dimensões do cuidado e vão, às vezes, ganhando uma ferocidade superegoica mesmo, né? Nessa obsessão dessa melhor versão, do rosto sem poros, do corpo dentro de um padrão muito milimetricamente impossível e o quanto se vai, tantas vezes, abandonando o cuidado em busca dessa imagem ideal.”

“Eu quisera concluir que as mais belas página de Jung, ou também as páginas mais belas de cada pessoa que consegue exprimir a própria criatividade, decorrem sempre de uma experiência de sedução, que coincida com a tomada de consciência do próprio mundo interior. Um doloroso caminho que nos impele à loucura, mas ninguém teria dúvida em escolher, entre a inocência e a possibilidade de ser encantado por outro.”

“(...) sem dúvida que uma relação pessoal se não inicia na linguagem, particularmente nesta linguagem decalcada de meus monólogos de orador, e que as relações pessoais criam antes a sua linguagem própria. Creio bem que assim é, e a fala poderia então não mais ser por vezes que a barragem, o muramento para esse contacto com os outros que me têm vindo a devir insustentável e, se não desejado, oh, por forma nenhuma desejado creia-me, tido na conta de sal da vida, motor primeiro para, não a alegria, que me parece coisa frívola e acidental, mas para um certo contentamento, uma certa convicção.”