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Quote by Jorge Amado

“Há quantos anos não tocava em água? Desde aquele dia em que passou a ser chamado Berro D'água. Não que seja fato memorável ou excitante história. Mas vale a pena contar o caso pois foi a partir desse distante dia que a alcunha de berro d'água incorporou-se definitivamente ao nome de Quincas. Entrara ele na venda de Lopez, simpático espanhol, na parte externa do Mercado. Freguês habitual, conquistara o direito de servir-se sem auxílio do empregado. Sobre o balcão viu uma garrafa, transbordando de límpida cachaça, transparente, perfeita. Encheu um copo, cuspiu para limpar a boca, virou-o de uma vez. E um berro inumano cortou a placidez da manhã no Mercado, abalando o próprio Elevador Lacerda em seus profundos alicerces. O grito de um animal ferido de morte, de um homem traído e desgraçado: — Águuuuua! Imundo, asqueroso espanhol de má fama! Corria gente de todos os lados, alguém estava sendo com certeza assassinado, os fregueses da venda riam às gargalhadas. O berro d'água de Quincas logo se espalhou como anedota, do Mercado ao Pelourinho, do largo das Sete Portas ao Dique, da Calçada a Itapoã. Quincas Berro D'água ficou ele sendo desde então, e Quitéria do Olho Arregalado, nos momentos de maior ternura, dizia-lhe Berrito por entre os dentes mordedores.”

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Jorge Amado
Jorge Amado

Jorge Amado was a Brazilian film writer known for his unique literary style and profound insight into Brazilian social reality. His works often take the rural and urban life of Brazil as the background, showcasing rich emotions and profound social significance. more

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“Primeiramente, senti o contato do meu corpo nas asas de um anjo, depois veio a sensação do voo-teste de um paraquedista em domingo no clube, seguida do velejar britânico no litoral do Taiti, acompanhado da delícia de uma orquestra caprichando a mais bela melodia, que se transformou numa suave intoxicação por champanhe francês e por fim algo que se abria, com toda a certeza as montanhas de Ali Babá, oferecendo um banquete de diamantes em seu interior exclusivo, úmido e misterioso.”

“Não posso ser julgado responsável pelas crises de ciúme que, periodicamente, acometem os homens calvos. São criaturas incontroláveis, talvez devido à violência e a verticalidade dos raios solares. O sol é o grande desconhecido, cura uns, mata outros e não raro enlouquece pobres mortais. Os calvos não deviam frequentar as praias, a não ser protegidos por casquetes e sombreros. Vi trêfegos carecas darem vexame no Gonzaga e no Guarujá, investindo contra as mais puras donzelas em autênticas agressões sexuais. Afastem suas filhas desses tipos. O Gallup já fez importantes e instrutivas pesquisas sobre o comportamento sexual, político e social dos calvos. Sabe-se, por exemplo, que evitam usar chapéu por puro masoquismo. São megalomaníacos, mórbidos românticos e tristemente impetuosos sob o bombardeio do infravermelho. Podem estar calmos agora, sugando refrescos de tamarindo por canudinho, mas já no momento seguinte perdem o controle e as mulheres que se acautelem. Aparentemente ajustados, sonham com um mundo ditatorial e nirvânico, povoado de odaliscas, eunucos e servis mercadores.”

“(..) conto "O livro de areia"(…) existência de um livro infinito, isto é, um volume que se desdobra em um número ilimitado de páginas e que, como as partículas da areia, carece de princípio e de fim.(…) pelas possibilidades de leitura que ela oferece, a obra literária de Borges figura-se infinita; nela nenhuma página é a primeira, nenhuma, a última.”

“Reading makes you see with clearer eyes and understand the world better. When you do that , you become stronger - the feeling you associate with success. But at the same time with pain. Within the pages, there's much suffering, beyond that we've gone through in our finite experience of life. You'll read about suffering you didn't know existed. Having experienced their pain through words, it becomes a lot harder to focus on pursuing individual happiness and success. Reading makes you deviate further from the textbook definition of success because books don't make us go ahead of or above anyone else; they guide us to stand alongside others. We become more compassionate. To read is to see things from someone else's perspective, and that naturally leads you to stop and look out for other people, rather than chase after success in the rat race. If more people read, I think the world would become a better place.”