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Quote by Fernando Pessoa

“Dá a surpresa de ser. É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro. Seus seios altos parecem (Se ela tivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada. E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado. Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como ?”

Quote by Fernando Pessoa

Work

Minha Mulher, a Solidão

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Author

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Portuguese poet known for his unique narrative style and rich inner world. Fernando Pessoa is considered one of the most influential writers of the 20th century, and his works are still widely studied and discussed today. more

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“Os dois fantasmas, pois a impressão que os portugueses tiveram foi de estarem perante verdadeiros espetros, atiraram-se à poça de vómito e, afundando a cara naquela mistela repugnante, puseram-se a lamber sofregamente a massa ácida e mal digerida que o oficial japonês acabava de expelir para o passeio. (…) A rapariga teve ela própria de pôr a mão na boca para reprimir um vómito, subitamente consciente de que se não o fizesse em poucos instantes outros famintos estariam a lamber o que restava do chau chau que acabara de comer no Fat Siu Lau.”

“Os homens comeram todos os quadrúpedes e ficaram sem sustento. Fizeram-se gatos, comeram todos os ratos, cobras e lagartos. A bicharada acabou e ficaram de novo sem sustento. Daí fizeram-se macacos saltando de árvore em árvore, comendo frutos silvestres, e até descobriram novos cardápios que adicionaram aos tradicionalmente conhecidos. As pessoas caíam como cajus maduros. A alegria vem da barriga, se há guerras no mundo é pela posse de pão, na casa onde há fome todos ralham e ninguém tem razão”

“299 - Deixar com fome. Há de se deixar nos lábios o néctar. É o desejo a medida da estima: até a material sede é ardil de bom gosto aplacar, mas nunca acabar. O bom, se pouco, duas vezes bom. É grande o interesse da segunda vez: saciedades de agrado são perigosas, que ocasionam desprezo a mais eterna virtude. Única regra do agradar: aguçar o apetite com a fome que ficou. Se for para irritar, que seja antes por impaciência do desejo que por tédio da fruição: a espera faz o prazer dobrado.”