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Quote by Marcelo Rubens Paiva

“A memória é uma mágica não desvendada. Um truque da vida. Uma memória não se acumula sobre outra, mas ao lado. A memória recente não é resgatada antes da milésima. Elas se embaralham.”

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Ainda Estou Aqui

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Marcelo Rubens Paiva

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“...você percebe que cada lembrança a que temos sorte de aceder, oculta outra que não gostaríamos de recordar. Não lembramos de momentos importantes da nossa primeira infância pelo motivo de ainda não falarmos nem escrevermos. Uma criança é refém exclusiva dos sentidos que aprende a dominar, das imagens que inundam a visão com tantas cores, dos sons tão distintos e incômodos, agudos, graves, altíssimos, dos ruídos incompreensíveis que a boca dos adultos exala, palavras sem nenhum significado, coisas engraçadas que fazem cócegas nos ouvidos, impossíveis de se traduzir.”

“Na manhã do dia em cuja noite acabou morrendo, vovô Slavko esculpiu uma varinha de condão para mim usando um galho de árvore e disse: tanto no chapéu quanto na varinha existe um poder mágico, se tu usares o chapéu e carregares a varinha, vais te tornar o mais poderoso mágico de capacidades entre os países que não fazem parte do bloco. Poderás revolucionar muitas coisas, na medida em que isso estiver em conformidade com as ideias de Tito e concordar com os estatutos da Aliança dos Comunistas da Iugoslávia. Eu duvidava da magia, mas não duvidava do meu avô. A graça mais valiosa é a inventividade, a maior riqueza é a fantasia. Guarda isso, Aleksandar, disse vovô com seriedade, enquanto botava o chapéu em mim, guarda isso e imagina um mundo mais bonito. Ele me entregou a varinha. Eu não duvidava de mais nada.”

“Leccionados pela história — na medida em que ela pode leccionar uma colectividade que é uma das mais desmemoriadas que é possível conceber-se — chegou o tempo de nos vermos tais como somos, o tempo de uma nacional redescoberta das nossas verdadeiras riquezas, potencialidades, carências, condição indispensável para que algum dia possamos conviver connosco mesmo com um mínimo de naturalidade. Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.”