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Quote by Franz Kafka

Work

The castle

This book delves into the lives of individuals within a remote castle, examining the absurdities and complexities of an oppressive administrative system. It is renowned for its philosophical depth and intricate narrative structure. more

Author

Franz Kafka
Franz Kafka

Franz Kafka (July 3, 1883 - June 3, 1924) was an important German-language novelist of the 20th century, known for his unique literary style and profound philosophical thoughts. His works, often themed around loneliness, alienation, and existentialism, have had a profound impact on literature and philosophy. more

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“Nessa altura pensei muitas vezes que, se me obrigassem a viver dentro de um tronco seco de árvore, sem outra ocupação, além de olhar a flor do céu por cima da minha cabeça, ter-me-ia habituado pouco a pouco. Observaria a passagem das aves ou os encontros entre as nuvens, tal como aqui observava as extraordinárias gravatas do advogado e como, num outro mundo, esperava até sábado para apertar nos meus braços o corpo de Maria. Ora a verdade, afinal de contas, é que eu não estava dentro de um tronco de árvore. Havia pessoas mais infelizes do que eu. Acabamos por nos habituar a tudo, gostava a minha mãe de dizer..”

“Dizia-me: vale a pena viver para morrer? Gozar para quê ? O trabalho é mais vão que a poeira alevantada por um cavalo a galope! Amigo, morrerás! Este morrerás revestia no meu espírito a significação exacta dum prazo. Não era a noção vaga «morrer», mas antes o juízo determinado «não viver». Não viver podia alongar-se no tempo e, todavia, não era amanhã, era já hoje. Nele se me sentenciava à vida a ablação, por inútil, de tudo o que ela representava, no espaço, de gozo, de posse, de sentimento de mim mesmo - via-me a entrar para a antecâmara do meu próprio celário. Mas se este pensamento se encarniçava particularmente na esfera do eu, às vezes batia asas para abranger o universo em suas finalidades. E proclamava: tu; os outros; todos; esta cidade; o reino; a terra. Daqui a cem anos terão passado, em matéria, os que te amam e cercam; mais uns séculos e a memória deles será mais fugaz que a mente dum recém-nascido. Conta mais uns séculos, e onde estará o teu país ? E se teu entendimento pode apreender no relógio do tempo o ponteiro salvar os milénios, este planeta, em que ensaiais edificar o imortal, não será mais que cinza semeada no oceano sidéreo. Vale a pena existir? Da Vénus de Milo, a jucunda e gloriosa, não ficará uma sombra, nem da Bíblia sapiente um eco; da ciência não se salvará uma lei. Tudo o que saiu da boca do infinito acaba na boca do infinito, sem que ele caduque, o monstro! Mors de mor sus.”

“Lucrécio colocou-nos a seguinte questão: Houve uma eternidade antes de nascermos. Antes não existíamos. Isso é motivo de desespero ou ansiedade? Então por que motivo é que a eternidade que se sucederá depois da morte te provoca uma ansiedade tão grande? Não me preocupar com a minha morte com o argumento de que houve uma eternidade antes de ter nascido e isso não ter sido motivo de angústia, é esquecer a dor de quem sente a perda, dos amigos, dos familiares que irão inevitavelmente sofrer. Isso cria angústia. E esta angústia não é somente fruto da iminência do nosso desaparecimento, mas das consequências que terá em quem amamos. Antes de teres nascido, Lucrécio, não tinhas filhos nem amigos para chorarem a tua morte. O argumento só se sustém na eventualidade de estarmos sozinhos. Para amar pessoas precisamos de ter vivido. Antes disso, não conta, Lucrécio.”