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Crónica Quotes

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Crónica Quotes

“La realidad, que ocurre sin pedir permiso, no tiene por qué parecer auténtica. Uno de los mayores retos del cronista consiste en narrar lo real como un relato cerrado (lo que ocurre está «completo») sin que eso parezca artificial. ¿Cómo otorgar coherencia a los copiosos absurdos de la vida? Con frecuencia, las crónicas pierden fuerza al exhibir las desmesuras de la realidad. Como las cantantes de ópera que mueren de tuberculosis a pesar de su sobrepeso (y lo hacen cantando), ciertas verdades piden ser desdramatizadas para ser creídas.”

“Sé que las nuevas generaciones, aquellas que heredarán el descalabro del presente, solo necesitan inspiración, algo en qué creer, algo que se parezca a lo que aspiran, a lo que el mundo real les exige en lugar de la fábula festiva de los héroes amistosos que de mutuo acuerdo fundaron, a la manera de los mundos de Leibniz, el mejor de los países posibles.”

“Anda, niña- le dijo temblando de rabia-: dinos quién fue. Ella se demoró apenas el tiempo necesario para decir el nombre. Lo buscó en las tinieblas, lo encontró a primera vista entre los tantos y tantos nombres confundibles de este mundo y del otro, y lo dejó clavado en la pared con su dardo certero, como a una mariposa sin albedrío cuya sentencia estaba escrita para siempre. -Santiago Nasar- le dijo.”

“En un ritual que suena mil veces repetido, pregunta mi nombre, edad, número de embarazos...sin alterar su modulación de voz, empieza a dictarle a la enfermera las dimensiones de los miomas, el útero, los ovarios. Finalmente, me entrega tres servilletas predobladas con la instrucción de secarme, vestirme y salir. Les digo un "Gracias" muy sincero y salgo, mietras a mis espaldas continúa Mecano y su "Aire"... "sin entrar en pormenores, Dios hace cosas mejores".”

“-- Crónica do Expresso: Nunca e Já -- Já tive muitos tios e tias. Já fiz de confidente, intermediário, amigo secreto, saco de pancada. Já mantive amizades atrozes, hoje estou protegido pela desconfiança. Já dormi ao relento porque estava apaixonado, ou porque tinha 20 anos. Já andei em baixo presumindo sem motivo a condenação ou a salvação. Já tentei ser jovem em jovem, e falhei, maduro em jovem, mas não funcionou, e jovem na maturidade, mas deixei-me disso. Já fui escuteiro, imaginem-me a atar nós e a montar tendas. Já fui advogado estagiário. Já jantei todas as noites com jornalistas. Já fui boicotado e vetado. Já andei três vezes à pancada. Já fui a algumas cidades estrangeiras a que não tenciono regressar, como Macau, fantasmagoria colonial onde nem se consegue dar com a campa de Camilo Pessanha. Já estive na Tomatina, uma experiência realmente divertida que não repetirei. Já me envolvi em polémicas, mas esgotou-se-me a paciência. Já encenei uma peça e já quase integrei uma banda. Já tomei decisões definitivas, mas nem todas se concretizaram. Já acreditei na “verdade”, depois tornei-me um relativista prático, embora não teórico. Já me senti um oitocentista e um romântico alemão, até descobrir Larkin. Já fui ao cinema cinco vezes por semana. Já me sentei tardes inteiras em esplanadas. Já escrevi poemas torrencialmente, ainda que não fossem poemas bons ou sequer poemas. Já escrevi textos à máquina e já enviei cartas e postais, uma época que terminou. Já me dediquei em vão à honra sem glória e à glória sem honra. Já acreditei. Já confiei. Já me importei, mas as coisas mudam. Mas também há o que nunca fiz ou farei, porque passou o tempo, a oportunidade, a vontade. Nunca vivi no estrangeiro, faltou-me arrojo para isso. Nunca tive sorte quando a sorte favoreceu os audazes. Nunca falei bem em público, ainda que hoje, comparativamente, seja um Cícero. Nunca perdi uma segunda oportunidade de causar uma primeira impressão negativa. Nunca fui avaliado pelas minhas intenções, como abusivamente pretendia. Nunca confirmei aquilo que alguns amigos esperavam de mim. Nunca me dei bem com os correligionários políticos, sou como o aviador irlandês que não gosta de quem defende nem detesta quem ataca. Nunca consegui ser um bom católico, se bem que admitir isto já seja um começo. Nunca vi as pirâmides, nem Petra, nem a muralha de China, nem a cidade dos incas. Nunca voltei a Itália com o meu pai. Nunca cheguei a entrevistar Heaney, Marías ou Kundera. Nunca conheci a Nastassja Kinski. Nunca aprendi alemão para ler Hōlderlin. Nunca estudei dinamarquês por causa de Kierkegaard, como Unamuno. Leio bem três ou quatro línguas, mas nunca falei bem nenhuma. Nunca me especializei em nada, nem quero. Nunca escrevi para cinema. Nunca escrevi um romance. Há um ou outro verso meu que algumas pessoas sabem de cor, mas são versos de que não gosto. Nunca dei a outra face voluntariamente, mas involuntariamente dei muitas vezes. Nunca me arrependi de me ter arrependido. Nunca aproveitei o dia, e quero que Horácio vá dar banho ao cão. Nunca hesitei em hesitar. Nunca ou raramente me lembro de imediato de uma resposta excelente, porque sofro de “espírito da escada”: quando me ocorre a frase definitiva, já é tarde. Nunca confundi o belo e o bom, quer dizer, confundi sempre, mas nunca mais. Lembro-me de há 30 anos estudar Latim, e que “nunc” quer dizer “agora”.”