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Portuguese Author Quotes

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Portuguese Author Quotes

“Assisti a tudo, gotas de suor formando-se na testa. Queria dizer para pararem, mas não tinha voz. Estava emudecida, os meus dedos procurando em vão uma fenda que já não existia. Senti lágrimas nos olhos quando vi a explosão no ecrã. Fechei os olhos por momentos, e, mesmo assim, vi crianças que morriam queimadas nas ruas estreitas onde brincavam, ruas paralelas à da imagem inicial; as mães, arranhando a própria cara, que gritavam pelos filhos que não mais iriam ver; velhos esfarrapados, a boca aberta num grito perante os pedaços de corpos humanos e animais, emaranhados no fim. Vi um edifício explodir, fragmentos pesados em todas as direcções, acertando em formigas de movimentos velozes. Só que não eram formigas! Onde estava a compaixão? A empatia? E o cumprimento das convenções assinadas, das regras?”

“«(...) as minhas pernas não se mexem e eu fico petrificado a vê-la ir-se embora, sem um adeus, sem uma despedida. Os nossos olhares cruzam-se por breves momentos, antes de ela desviar o seu e se afastar na direção contrária, rumo ao portão de saída da escola. Há olhares que são como despedidas, como beijos trocados em silêncio e à distância. E esta seria, provavelmente, a última vez que a veria. Talvez para o resto da minha vida.»”

“«Estou plenamente convicto do que lhe digo, porque tenho quinze anos e aos quinze anos tudo o que sabemos parece verdadeiro, derradeiro, indiscutível, incontestável. Julgamo-nos melhores e mais sábios do que qualquer adulto e não admitimos qualquer intromissão nos nossos ideais.»”

“Aquela era uma noite de arrependimentos. Reclinada no banco do carro, a cabeça pendente para o lado do vidro entreaberto, a cheirar a vómito e a sentir-se mais para lá do que para cá, Anabela só queria chegar a casa e deslizar para o vale dos lençóis envolta num pijama de flanela. Pegou no telemóvel e ligou a quem lhe pudesse valer. A operadora atendeu logo, relembrou que a linha era apenas para emergências e transferiu a chamada, quase sem dar tempo a Anabela, ocupada que estava em suprimir um arroto amargo, de lhe agradecer. – Boa noite, fala o piquete – disse uma voz masculina num tom neutro. – Ai, a minha cabeça... boa noite. Depois de uns segundos de silêncio, a voz do outro lado, mantendo o tom: – Fala o agente Nogueira, o piquete da noite. Posso ajudar? – Err, não está por aí uma senhora, hmm, uma senhora agente, por acaso? – Não. – Ah pois, é que, sabe... fui jantar fora e já não o fazia há muito tempo, e... – Uma náusea fê-la parar. Passou a mão pela testa, que estava quente, e sentiu o peganhento do óleo do stripper, um cheiro enjoativo adocicado, que a fez limpar as mãos à bainha do vestido.”