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Ana Cecilia Olmos Books

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“(…)dos anos 1920. A inovação estética daquele primeiro livro de Borges que, como ele explica na sua autobiografia, "celebrava os crepúsculos, os lugares solitários e as esquinas desconhecidas" da cidade de Buenos Aires e estava escrito "em um estilo despojado que era pródigo em metáforas lacônicas", destituía definitivamente os excessos rítmicos è melódicos da retórica simbolista de Lugones.”

“Eu aconselharia esta hipótese: a imprecisão é tolerável ou verossímil na literatura, porque sempre tendemos a ela na realidade. A simplificação conceitual de estados complexos é muitas vezes uma operação instantânea. O próprio fato de perceber, de levar em conta, é de ordem seletiva: toda atenção, toda fixacão de nossa consciência. comporta uma missão deliberada do não interessante. “A postulação da realidade”, Discussão, 1932”

“(…) o tempo ensinou-lhe algumas astúcias: "Evitar os sinônimos, que têm a desvantagem de sugerir diferenças imaginárias; evitar hispanismos, argentinismos, arcaísmos e neologismos; preferir as palavras habituais às palavras assombrosas; intercalar em um relato traços circunstanciais, exigidos agora pelo leitor; simular pequenas incertezas, já que, se a realidade é precisa, a memória não o é; narrar os fatos (isto aprendi em Kipling e nas sagas da Islândia) como se não os entendesse totalmente; lembrar que as normas anteriores não são obrigações e que o tempo se encarregará de abolilas".”

“(..) conto "O livro de areia"(…) existência de um livro infinito, isto é, um volume que se desdobra em um número ilimitado de páginas e que, como as partículas da areia, carece de princípio e de fim.(…) pelas possibilidades de leitura que ela oferece, a obra literária de Borges figura-se infinita; nela nenhuma página é a primeira, nenhuma, a última.”

“Creio que a poesia é algo tão íntimo, algo tão essencial, que não pode ser definido sem se diluir. Seria como tentar definir a cor amarela, o amor, a queda das folhas no outono... Eu não sei como podemos definir as coisas essenciais. Penso que a única definição possível seria a de Platão, precisamente porque não é uma definição, senão porque é um fato poético. Ouando ele fala da poesia diz: "Essa coisa leve, alada e sagrada". Isso, eu acredito, pode definir, de certa forma, a poesia, já que não a define de um modo rígido, senão que oferece à imaginação essa imagem de um anjo ou de um pássaro. Conversaciones con Borges, Roberto Alifano, 1984”