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À Noite não Restariam Rosas: A Ameaça Epidêmica em Narrativas Vampirescas

Book by Thiago Sardenberg · 4 quotes · Vampiros Na Literatura, Vampire Fiction, Pandemics

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À Noite não Restariam Rosas: A Ameaça Epidêmica em Narrativas Vampirescas Quotes

“Em Drácula, o vampiro, personificação da perversidade e do mal, era repelido pelo símbolo religioso em si, que se tornava uma arma que emanava poder; em ‘Salem, o símbolo somente tinha poder na medida em que a pessoa que o empunhasse houvesse nele depositado uma fé inabalável; já em Eu Sou a Lenda, por outro lado, não importava a fé de quem empunhava o símbolo, e sim, o entendimento do vampiro de seu lugar perante a ele. Entende-se, portanto — embora a narrativa não aprofunde o tema —, que cruzes ou hóstias não teriam qualquer tipo de efeito sobre vampiros que haviam sido ateus, por exemplo. A internalização do ódio parecia residir no âmago do processo.”

“Se pensarmos na Europa Oriental e na Ocidental como corpos-organismos distintos, o Deméter poderia ser então o vetor que carrega o patógeno-vampiro e o introduz no corpo deste novo hospedeiro suscetível, sem qualquer imunidade. Nem mesmo o vetor, entretanto, resiste à virulência do patógeno; ele próprio sucumbe à doença que inocularia, funcionando também como uma espécie de microcosmo do que poderia vir a acontecer caso o vampiro obtivesse sucesso em sua replicação: um cenário de desastre apocalíptico.”

“É possível verificar que conforme a doença-vampirismo se espalha pela narrativa, ela progressivamente a contamina com um discurso viral, que acaba permeando toda a ação: as pessoas se sentem “doentes”, “um lixo”, mas “deve ser só gripe”; se Mike está doente, “alguns acham que ele pegou alguma doença do Danny Glick”; quando a mãe de Danny Glick começa a ter sonhos estranhos com o filho morto, seu marido nota como “ela estava pálida [...] os lábios haviam perdido a cor natural, e ela ganhara olheiras escuras”; se a Casa Marsten fede, o odor “lembrava lágrimas, vômito e trevas”; se a indústria dos trailers cresce, ela cresce “como uma epidemia”; se o medo de uma doença indizível se espalha, “fantasias paranoicas podem ser contagiosas”; se o vampiro logra atacar-me, “não encosta em mim, fui contaminado”.”

“Narrativas como Apocalipse V e The Passage evidenciam o papel da humanidade na perturbação e desintegração de ecossistemas, fatores que acabam por favorecer a criação de cenários pandêmicos, no que somos expostos a novos patógenos que se encontravam placidamente contidos, e que podem ser responsáveis pela emergência (ou reemergência) de doenças infecciosas potencialmente perigosas.”