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À Noite não Restariam Rosas: A Ameaça Epidêmica em Narrativas Vampirescas

Book by Thiago Sardenberg · 3 quotes · Vampiros Na Literatura, Vampire Fiction, Pandemics

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À Noite não Restariam Rosas: A Ameaça Epidêmica em Narrativas Vampirescas Quotes

“Resta o entendimento de que o contato com o vampiro potencialmente acarreta um contaminar-se por perniciosa moléstia simultaneamente do corpo e da alma: o contágio não é apenas uma infecção, é também maldição, um contrair impurezas. Essa construção perpassa até mesmo o nível linguístico; entre as acepções etimológicas comumente atribuídas ao vocábulo “nosferatu”, que Stoker apenas popularizou ao se referir ao seu vampiro icônico, estariam “o impuro”, ou também, “aquele que carrega doenças”.”

“Em Drácula, o vampiro, personificação da perversidade e do mal, era repelido pelo símbolo religioso em si, que se tornava uma arma que emanava poder; em ‘Salem, o símbolo somente tinha poder na medida em que a pessoa que o empunhasse houvesse nele depositado uma fé inabalável; já em Eu Sou a Lenda, por outro lado, não importava a fé de quem empunhava o símbolo, e sim, o entendimento do vampiro de seu lugar perante a ele. Entende-se, portanto — embora a narrativa não aprofunde o tema —, que cruzes ou hóstias não teriam qualquer tipo de efeito sobre vampiros que haviam sido ateus, por exemplo. A internalização do ódio parecia residir no âmago do processo.”

“Se o corpo físico do vampiro pode ter sido extirpado, ele mantém-se presente e vivo em sua inoculação da realização vívida de que suas fantasias fazem parte de nós, residindo como um vírus latente, incurável, que apenas aguarda uma baixa de imunidade para que possa reemergir.”