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Quote by Gabriel García Márquez

Work

One Hundred Years of Solitude

Gabriel García Márquez's classic work weaves together magical realism and historical events, chronicling the rise and fall of the Buendía family and the development of the town of Macondo. more

Author

Gabriel García Márquez

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“– Há uma rua... no fundo da povoação. As casas parecem desabitadas. – Mas não estão. Sei a que te referes. – É como se a tivesse visto antes. Ele encolheu os ombros. – É natural. Sempre gostaste de passear sozinha. – É como se a tivesse visto em sonhos. – Há imagens no fundo de nós, são talvez sombras de outras, mais antigas, que vêm de trás. – Imagens fantasmáticas. – E se encontramos lugares que se assemelham a elas, é claro que isso nos perturba. – Como um reflexo no fundo de um poço. – Como o nosso reflexo no fundo de um poço, sim.”

“Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim pude esquecer-me na visão do seu movimento. Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.”

“Quando se morre, o que se debate ainda dentro em nós com fúria - é a quimera. O que me custa a deixar não é o corpo, é a alma inquieta. Com a morte agarrada a mim, porque é que cravo as unhas na vida, raivosamente? Porque quero sonhar, tirar da coisas, das árvores, da luz, das flores, materiais para ilusões. Ao que cada um se prende é às aspirações, às suas penas e não à matéria e ao corpo!...”