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Quote by Jorge Guerra Pires

“Note que nós humanos também temos um mecanismo similar ao caso do porco selvagem: radicais livres. Tudo que faz, desde respirar a comer, gera radicais livres, que é tóxico ao corpo humano. A única forma de não criar radicais livres é não viver. Nem vou entrar no fato de que somos, organismos vivos, a única forma de existência que diminui entropia do sistema. Todo sistema aumenta a entropia internamente. Seria como se fôssemos rios que correm para cima. Isso somente é possível quando estamos indo contra a natureza. Somos por definição uma aberração natural, nós organismos vivos. O normal é que nossos átomos voltem ao estado natural, e volta quando morremos.”

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Jorge Guerra Pires

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“Não, padre- disse ele.- Eu tenho outra ideia do amor. E hei de recusar até à morte amar esta criação em que crianças são torturadas. No rosto de Paneloux passou uma sombra de perturbação. -Ah, doutor - exclamou ele com tristeza -, acabo de compreender aquilo a que se chama a graça! Mas Rieux deixara-se cair de novo no seu banco. Do fundo da fadiga que lhe voltara, respondeu com mais brandura: -É o que eu não tenho, bem sei. Mas não quero discutir isso consigo. Trabalhamos juntos para qualquer coisa que nos une para lá das blasfémias e das orações. Só isso é importante. Paneloux sentou-se junto de Rieux. Parecia comovido. -Sim - disse ele -, é verdade, também o senhor trabalha para a salvação do Homem. Rieux tentou sorrir. -A salvação do Homem é, para mim, uma palavra demasiado grande. Não vou tão longe. É a saúde que me interessa, a sua saúde em primeiro lugar.”

“O Medo degrada as pessoas, meu caro jovem. Se você mantiver a pressão, semanas, meses a fio, o Medo acaba por funcionar como uma doença. Ao princípio é apanas um incómodo persistente, como uma dor de dentes, como uma dor de cabeça, uma dor que se instala no espírito, e vai corroendo tudo. Pouco a pouco a pessoa começa a alterar o seu comportamento, começa a imaginar situações de perigo. Torna-se paranóica, perde o gosto pela vida e entra em depressão. Eventualmente mata-se.”

“Dói-me a cabeça de tanto pensar que já não me apetece procurar as palavras certas, esculpir esta narrativa mental com o esmero de um artista dedicado. Só quero escapar ao tiro, à navalhada, à forca, ou seja lá do que for. Não é que o suicídio em si me interesse. Esta mecha de cabelos e pele é demasiado frágil, pelo que decerto não será difícil de encontrar um sentido épico para a forma da sua extinção. É a sentença que me apoquenta. Não, nem sequer é a sentença, mas o desejo sanquinário que está por detrás dela, escondida na penumbra, por ter sido esconjurado, banido da ordem natural das coisas.”