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Quote by Gabriel García Márquez

Work

ElOtono del Patriarca

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Author

Gabriel García Márquez

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“The young delude themselves that the music will never stop playing. So it makes sense for them to explore rather than savor; to meet new people rather than to devote time to their nearest and dearest; to learn new skills and soak up information, rather than to ponder the meaning of it all; to focus on the future rather than to remain in the present.”

“O homem vive atormentado durante toda a sua existência e nunca obtém aquilo de que precisa, quanto mais aquilo que deseja. Com teorias como as vossas, os homens apenas satisfazem a eterna necessidade de jogo, lisonjeiam a própria vaidade e enganam-se a si próprios e aos outros. Esta é que é a verdade, ou, pelo menos, assim me parece. (...) Todas as tuas teorias, as tuas numerosíssimas ocupações espirituais, assim como os teus amores e as tuas amizades provêm apenas de uma coisa: a tua ambição. E essa ambição é falsa e doentia porque vem da tua vaidade, única e exclusivamente da tua vaidade. (...) No momento em que uma coisa deixa de alimentar a tua vaidade, ela perde todo o sentido para ti e já não a desejas, nem sequer estás pronto a mexer um dedo para a obter. Por causa dela trais-te a ti mesmo, porque és escravo da tua própria vaidade. (..) Para ti nada é verdadeiramente importante e , no fundo, não sentes amor nem ódio, porque, para sentires um ou outro, terias, pelo menos, de sair por um momento de ti próprio, esquecer-te de ti e dar um passo além de ti e da tua vaidade. Mas isso é coisa que não podes, nem há nada que te leve a fazê-lo, mesmo que fosses capaz. A desgraça de outrem não pode dar-te pena, e muito menos desgosto; nem sequer o teu próprio infurtúnio, desde que te lisonjeie a vaidade. Nada desejas e em nada encontras satisfação. Nem invejoso és, não por bondade, mas por um egoísmo ilimitado, porque não chegas a reparar na felicidade ou na infelicidade dos outros. Não há nada que te possa comover nem mudar. Tu não receias nada, não porque sejas corajoso, mas porque em ti todos os impulsos sadios estão atrofiados, porque além da tua vaidade nada existe para ti, nem os laços de sangue, nem consciências, nem Deus, nem o mundo, nem a família, nem os amigos. Nem sequer aprecias as tuas próprias qualidades naturais. Em vez de consciência, é apenas a tua vaidade ferida que te pode estimular, porque só ela, sempre e em tudo, fala pela tua boca e determina os teus passos. (...) E ainda antes de as teres conquistado, já estás farto, porque a tua vaidade se enoja e procura qualquer outra coisa nova. Mas é precisamente isso, no facto de nada te deter, de nada te satisfazer ou saciar, que está também a tua perdição. Submetes tudo à tua viadade, mas tu próprio és o primeiro dos seus escravos e o seu maior mártir. É muito possível que venhas a obter ainda maior glória e sucesso, de certeza sucessos muito maiores do que seduzir simples raparigas entontecidas, mas nunca encontrarás satisfação em nada, porque a tua vaidade te arrastará sempre para mais longe, porque ela engole tudo, até os maiores sucessos, e logo os esquece, tal como nunca esquece as frustrações e as ofensas, por mais pequenas que sejam. E quando tudo estiver consumido, quebrado, maculado, humilhado, desintefrado e destruído à tua volta, então ficarás só nesse deserto que tu próprio criaste, cara a cara com a tua vaidade, e não terás nada para lhe oferecer. Então vais devorar-te a ti próprio, mas de nada te servirá, porque a tua vaidade, habituada a um alimento mais rico, vai desprezar-te e rejeitar-te.”

“Esses momentos de distanciamento, efêmeros, vinham de fora, eu não buscava nada disso. Muito pelo contrário, evitava situações que pudessem me tirar da minha obsessão: leituras, saídas e outras atividades que antes gostava de fazer. Desejava o ócio completo. Recusei com ímpeto uma carga extra de trabalho que meu diretor solicitou, e quase o insultei ao telefone. Sentia que estava no direito de me opor a tudo o que atrapalhasse uma entrega sem limites às sensações e narrativas imaginárias da minha paixão. No trem, no metrô, nas salas de espera, em qualquer lugar em que é permitido ficar à toa, logo que eu me sentava, começava a fantasiar com A. No momento exato em que entrava nesse estado, minha cabeça era invadida por um espasmo de felicidade. Tinha a impressão de me abandonar a um prazer físico, como se o cérebro, sob o afluxo repetido das mesmas imagens, das mesmas lembranças, pudesse ter um orgasmo, como se fosse um órgão sexual similar aos outros.”