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Quote by Gonçalo M. Tavares

“a democracia é a instalação da cobardia mútua, e tal sistema não parte nunca de uma vontade forte, de uma intenção original; pelo contrário: é consequência de uma matéria que derreteu.”

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Work

Um Homem: Klaus Klump

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Author

Gonçalo M. Tavares

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“Para alguém de um país ocidental com tendência democrática, o senhor Ikea desenvolvera um conceito comercial no mínimo insólito: a visita forçada ao seu estabelecimento. Assim, se quisesse aceder à zona de self-service situada no rés do chão, o cliente era obrigado a subir ao primeiro andar, percorrer um gigantesco e interminável corredor que serpenteava entre quartos, salas e cozinhas em exposição, cada espaço mais bonito do que o anterior, passar por um restaurante aliciante, comer umas almôndegas ou wraps de salmão e só depois descer à secção de vendas para finalmente efetuar as suas compras. Em suma, uma pessoa que quisesse comprar três parafusos e duas cavilhas saía quatro horas depois com uma cozinha equipada e uma boa indigestão. Os suecos, pessoas muito previdentes, tinham inclusive desenhado uma linha amarela no chão para indicar o caminho a seguir, não fosse dar-se o caso de um visitante ter a má ideia de se desviar do rumo certo.”

“―La democracia es una broma. ―Sí. Muy incisivo ―dijo Jackson, satisfecho―. Una buena tesis también. En teoría es posible que el cincuenta y uno por ciento de la población desplume todo lo que puede al otro cuarenta y nueve por ciento. Ese tipo de Venezuela, ¿cómo se llama? Howard Chávez, algo así. Así hace él las cosas. En serio, él sólo envía cheques a los marginados. Les das a los gorrones dinero ajeno y después te votan.”

“A sociedade estava em declínio — e eu não queria ter nada com aquilo. O pior era ver que, ainda assim, se podia encontrar quem depositasse esperança naquela merda, quem acreditasse que tempos melhores viriam — a esperança sempre foi o psicotrópico dos ingênuos. Essa gente que parecia não se dar conta de que quem mais gostava das coisas como estavam (e torcia para que tudo continuasse exatamente como estava) era aquele pessoal escroto nas partes de cima da pirâmide. (Sim, a porra da pirâmide social, essa mesma!) Afinal de contas, a maioria ali sabia muito bem tirar muito proveito dessa vasta fauna de ignorantes esfomeados que as escolas produziam. Gente que, mais tarde, em troca de tão pouco, vinham lustrar seus sapatos caros, dirigir seus carros, abrir-lhes as portas, limpar suas privadas chiques e fétidas, trocar as fraldas igualmente repugnantes de seus filhinhos perfumados e mimados que, desde cedo, aprendiam a cagar em cima dos que os serviam. ‘A democracia num país de ignorantes é o paraíso terrestre dos patifes oportunistas.’.”

“Para los observadores superficiales, el dilema político esencial de la América Latina en los últimos años parece reducirse a la alternativa de dictadura militar o de democracia. Desde un punto de vista tan simplista se puede aceptar la afirmación muy generalizada de que la América Latina, en su conjunto, ha repudiado las dictaduras militares y ha escogido la vía democrática como su camino. Esta, como todas las simplificaciones, tiende a deformar peligrosamente la realidad. Los hechos recientes demuestran que los regímenes militares, como alternativa, no constituyen hoy una opción valedera o amenazante pero, en cambio, cuando nos trasladamos al otro término opuesto, el de la democracia, tendríamos que preguntarnos la angustiosa cuestión de ¿cuál democracia?”