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Quote by José Saramago

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José Saramago

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“Dá a surpresa de ser. É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro. Seus seios altos parecem (Se ela tivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada. E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado. Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como ?”

“Os dois fantasmas, pois a impressão que os portugueses tiveram foi de estarem perante verdadeiros espetros, atiraram-se à poça de vómito e, afundando a cara naquela mistela repugnante, puseram-se a lamber sofregamente a massa ácida e mal digerida que o oficial japonês acabava de expelir para o passeio. (…) A rapariga teve ela própria de pôr a mão na boca para reprimir um vómito, subitamente consciente de que se não o fizesse em poucos instantes outros famintos estariam a lamber o que restava do chau chau que acabara de comer no Fat Siu Lau.”

“Os homens comeram todos os quadrúpedes e ficaram sem sustento. Fizeram-se gatos, comeram todos os ratos, cobras e lagartos. A bicharada acabou e ficaram de novo sem sustento. Daí fizeram-se macacos saltando de árvore em árvore, comendo frutos silvestres, e até descobriram novos cardápios que adicionaram aos tradicionalmente conhecidos. As pessoas caíam como cajus maduros. A alegria vem da barriga, se há guerras no mundo é pela posse de pão, na casa onde há fome todos ralham e ninguém tem razão”

“299 - Deixar com fome. Há de se deixar nos lábios o néctar. É o desejo a medida da estima: até a material sede é ardil de bom gosto aplacar, mas nunca acabar. O bom, se pouco, duas vezes bom. É grande o interesse da segunda vez: saciedades de agrado são perigosas, que ocasionam desprezo a mais eterna virtude. Única regra do agradar: aguçar o apetite com a fome que ficou. Se for para irritar, que seja antes por impaciência do desejo que por tédio da fruição: a espera faz o prazer dobrado.”