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Psicanalise Lacaniana Quotes

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Psicanalise Lacaniana Quotes

“Para se compreender o tema da angústia em Lacan, é necessário ter em mente a premissa de que o ser humano é marcado desde o início pelo desamparo e pela dependência ao Outro. Esse Outro grafado com maiúscula implica um campo simbólico que antecede a existência do sujeito e ultrapassa a ideia de outro enquanto semelhante pelo fato de incluir aí a diferença e a alteridade. O desejo é o desejo do Outro, afirma Lacan, o que é o mesmo que dizer que o sujeito se constitui como humano, isto é, como ser da linguagem, a partir do desejo do Outro primário. A contribuição lacaniana aponta que aquilo que humaniza o bebê é justamente o fato de o Outro ser necessariamente falho nos cuidados, possibilitando a transmissão da incompletude para aquele que dele depende. É essa a dimensão da angústia de castração.”

“Lacan, por sua vez, reinterpretará no seminário sobre a angústia as palavras freudianas da seguinte maneira: na neurose de angústia, esta aparece na medida em que o orgasmo se desliga do campo da demanda ao Outro. Considera que Freud, ao situar no coitus interruptus a fonte da angústia, colocou em destaque que esse afeto é promovido em sua função essencial justamente ali onde a intensificação orgástica é desvinculada do exercício do instrumento fálico. Ou seja, o sujeito pode chegar à ejaculação, mas é uma ejaculação do lado de fora, o que exclui o desejo do Outro. A angústia é provocada pelo fato de o instrumento fálico, apesar de viabilizar o gozo, ser posto fora do jogo do desejo. Nesses primeiros estudos freudianos já se vê indicada a necessidade de distinção entre gozo e desejo, um dos pontos fundamentais dos estudos de Lacan sobre a angústia.”

“Acredita-se que nós seres humanos compartilhamos dos mes­ mos e diversos sentimentos e reações ao mundo, que é o que pos­ sibilita existir entendimento, uns com os outros, e que constitui a fundação da nossa humanidade compartilhada. Na tentativa de combater certos estereótipos dos psicanalistas, como um cientis­ ta desinteressado, insensível, ao invés de um ser humano que tem vida e que respira, alguns terapeutas sugeriram que o analista de­ veria ser regularmente empático com o paciente, ressaltando o que eles têm em comum, para estabelecer uma aliança terapêutica sólida. Embora esses profissionais tenham boas intenções (por exemplo, acabar com a crença da objetividade do analista), as expressões de empatia podem enfatizar a humanidade em que vivem analista e paciente, de modo a encobrir ou superar aspectos humanos que não são compartilhados.”