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The Penultimate Truth

Book by Philip K. Dick · 6 quotes · Simulação, Cartas São Uma Perda De Tempo, Comic Con

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The Penultimate Truth Quotes

“Diante dos seus olhos apareceu então a imagem minúscula e claramente iluminada de Adolf Hitler dirigindo-se ao servis lacaios que deviam constituir o Reichtag por finais dos anos 30. Der Führer estava então com o seu ar sarcástico, jovial e zombeteiro. Aquela cena famosa ― que todos os homens de Yancy conheciam de cor― era aquela em que Hitler respondia ao requerimento que lhe fora feito pelo presidente Roosevelt para que garantisse as fronteiras de uma boa dúzia de minúsculas nações europeias. Uma a uma Hitler enunciava as nações que constituíam tal lista, a voz ia num crescendo ao ler o nome de cada uma, e de cada vez, as marionetes articuladas exultavam com o crescendo de troça do seu líder. A emotividade de tudo aquilo ― der Führer, possesso de um divertimento titânico perante aquela lista tão absurda (mais tarde iria invadir, sistematicamente, quase todas as nações então referidas), os rugidos daqueles loucos… Joseph Adams escutava, observava, sentia ecoarem dentro de si esses berros, sentia um divertimento sarcástico em consonância com o de Hitler ― e ao mesmo tempo sentia um receio pura e simplesmente infantil de que aquela cena tivesse alguma vez ocorrido realmente. O que de fato acontecera. Aquele segmento, do primeiro episódio do documentário A, era ― por estranho que tal pudesse parecer, dada a sua natureza de tal modo demoníaca ― autêntico.”

“Já era altura de enfrentar novamente a sua pequena grande família, empilhada nos seus dois cubículos, compartilhando uma minúscula casa de banho. Era tempo de regressar novamente à vida do abrigo. Durante algum tempo. «E depois», disse de si para si, enquanto caminhava sozinho ao longo do corredor da clínica até à rampa que levava ao seu piso, ao seu piso de residência, «soarão as trombetas ― e ― desta vez erguer-se-ão não os mortos e sim os enganados. E sua carne não será incorruptível, é triste reconhecê-lo, mas altamente mortais, elimináveis. E ademais, os mortos ficarão loucos.»”

“E se eu lhe enviasse telegrama? Ou uma carta registada; sem qualquer assinatura, com as palavras feitas a partir de recortes de jornais. «Não posso», compreendeu então; «nunca o poderei fazer. Lamento muito, Louis Runcible; os laços são demasiadamente fortes. As ligações são demasiadamente longas, apertadas. Interiorizei-as e agora agem como se fossem parte de mim; vivem aqui bem dentro de mim. Para toda a vida. Agora e para sempre. » Caminhou sem pressa, sentindo como que uma membrana de torpor a acompanhá-lo, pairando por sobre si enquanto avançava pelo corredor afastando-se da cabine. De volta ao seu escritório. Como se nada tivesse acontecido. E nada acontecera. Era a pura e límpida verdade: nada, mesmo nada. Portanto, a coisa avançaria sozinha. Forças que ele não compreendia, substâncias mais remotas, escapando, quais borboletas, à sua percepção; sombras que cruzavam o céu da sua vida sem deixarem rasto, sem deixarem qualquer sensação; sentia-se cego, receoso e impotente. E mesmo assim continuava a avançar. Pois era natural. E pensado para si não havia mais nada a se fazer. E à medida que ele ia caminhando, aquilo também se movia. Se agitou; ele sentia-o avançar. Avançando de um modo inexorável, em linha reta.”

“Porém, ainda ficava muito do autêntico Brose, pois o cérebro não era artificial; não existia tal coisa; manufaturar um cérebro artificial ― fazer tal coisa quando ainda existia a firme Arti-Gan Corporation, de Phoenix, bem antes da guerra ― seria entrar no que Adams gostava de chamar em pensamento «um autêntico caso de simulação»… que era o termo que utilizava para aquilo que considerava como sendo a mais elevada e mais nova entidade aparecida no panorama da Natureza, com as suas já tão multiformes decorrências: o universo dos autênticos embustes. E esse universo, pensava ele ainda, em que se pensava poder entrar pela porta de ENTRADA, atravessar e depois sair pela porta de SAÍDA, em, digamos grosseiramente, dois minutos… esse universo, tal como os cenários nos estúdios moscovitas de Eisenbludt, era interminável, sala atrás de sala; a porta de SAÍDA de uma era apenas a porta de entrada da seguinte.”

“«Tenho medo de Lantano», compreendeu então. «Lantano sabe demais, dispunha de demasiados pormenores sobre a vida de Verne Lindblom e sobre a sua morte. Mas receio, também, Stanton Brose; tenho medo dos dois. Quer do conhecido, que é representado por Brose, quer do desconhecido, que é representado por Lantano. No entanto, no que me diz respeito, Lantano recorda-me mais o profundo e envolvente nevoeiro que me sugou toda a fibra de vida… e só Deus sabe como Brose tem sido horroroso. O seu projeto especial foi o cúmulo da perfídia e do cinismo, ao que se acrescentara a velha maldade já senil, a sinistra simbiose de embuste, maldade e prepotência, tudo envolvido numa aura de autossatisfação medonha. » E compreendeu que com Brose só podia piorar.”

“Entretanto, por meio do vídeo discutia coisas do serviço com o seu sócio da Agência, Veme Lindblom. Veme, que não era um homem de ideias, que não era um manipulador de palavras, mas antes um artista no sentido visual do termo, estava numa posição melhor do que Joseph Adams para saber exatamente o que é que o seu superior Emest Eisenbludt, em Moscou, estava a pensar em termos de imagem, em suma, o que preparava no estúdio. — A seguir será São Francisco ― disse Lindblom. ― Estou neste momento na fase de construção. Em que escala? ― inquiriu Adams. ― Sem escala. ― Em tamanho natural? ― disse Adams, incrédulo. ― E Brose concordou? Não será mais um dos loucos devaneios de Eisenbludt? Só uma parte da cidade. Nob Hill e a vista sobre a baía. Deve levar cerca de um mês a construir; não há pressas. Que diabo, só ontem à noite é que passaram aquelas sequências de Detroit [destruída]. ― Lindblom parecia descontraído. O que, de resto, a sua situação de habilidoso maquetista lhe permitia amplamente. Os homens das ideias eram muito poucos, mas os construtores maquetistas… eram de fato uma seita muito fechada, que nem sequer Brose com todos os seus agentes conseguia penetrar. Eram como os antigos construtores dos vitrais na França do século XIII: que desaparecerem, e com eles o segredo de sua arte.”