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Simulação Quotes

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Simulação Quotes

“Os dois alemães continuavam. As novas impressões dos ataques indígenas substituíam as antigas. Ao longo do dia, produziu-se uma evolução que não se completou em direção a um saber não-mediado. Tem se que levar em conta que o ponto de partida era uma mediação muito trabalhosa. O procedimento humboldtiano era um sistema de mediações: a representação fisionômica se interpunha entre o artista e a natureza. A percepção direta ficava descartada por definição. E, não obstante, era inevitável que a mediação deixasse de existir, não tanto por sua eliminação, mas por um excesso que a tornava mundo e permitia apreender o próprio mundo, nu e primitivo, em seus signos. No fim das contas, é algo que acontece na vida todos os dias. Alguém começa a conversar com o próximo e quer saber o que ele está pensando. Parece impossível conseguir averiguar isso se não for através de uma extensa série de inferências. O que é que existe de mais encerrado e mediado que a atividade psíquica? E mesmo assim, esta se expressa na linguagem, que está no ar, e que somente pede para ser ouvida. A pessoa se atira contra as palavras e, sem saber, já chegou ao outro lado e está no corpo-a-corpo com o pensamento do outro. Mutatis mutandis, acontece o mesmo com um pintor em relação ao mundo visível. É o que acontecia ao pintor-viajante. O que o mundo dizia, era o mundo. E agora, como complemento objetivo, o mundo tinha parido repentinamente os índios. Os mediadores não-compensatórios. A realidade se fazia imediata, como um romance. Só faltava a concepção de uma consciência que fosse não apenas consciência de si mesma, mas também de todas as coisas do universo. E não faltava, porque era o paroxismo.”

“— Já salvei muitas vidas — Joan ergueu a mão— Você pode me dar um cigarro? Ele lhe ofereceu um, acendendo-o, sentindo-se, como sempre, culpado pelo esquecimento. — O que você faz? — inquiriu Joan. Relutante, não porque fosse confidencial, mas sim porque o trabalho conferia um status inferior na escala da consideração pública, descreveu sua função na CIA. Joan Trieste ouviu com atenção.”

“Já era altura de enfrentar novamente a sua pequena grande família, empilhada nos seus dois cubículos, compartilhando uma minúscula casa de banho. Era tempo de regressar novamente à vida do abrigo. Durante algum tempo. «E depois», disse de si para si, enquanto caminhava sozinho ao longo do corredor da clínica até à rampa que levava ao seu piso, ao seu piso de residência, «soarão as trombetas ― e ― desta vez erguer-se-ão não os mortos e sim os enganados. E sua carne não será incorruptível, é triste reconhecê-lo, mas altamente mortais, elimináveis. E ademais, os mortos ficarão loucos.»”

“Porém, ainda ficava muito do autêntico Brose, pois o cérebro não era artificial; não existia tal coisa; manufaturar um cérebro artificial ― fazer tal coisa quando ainda existia a firme Arti-Gan Corporation, de Phoenix, bem antes da guerra ― seria entrar no que Adams gostava de chamar em pensamento «um autêntico caso de simulação»… que era o termo que utilizava para aquilo que considerava como sendo a mais elevada e mais nova entidade aparecida no panorama da Natureza, com as suas já tão multiformes decorrências: o universo dos autênticos embustes. E esse universo, pensava ele ainda, em que se pensava poder entrar pela porta de ENTRADA, atravessar e depois sair pela porta de SAÍDA, em, digamos grosseiramente, dois minutos… esse universo, tal como os cenários nos estúdios moscovitas de Eisenbludt, era interminável, sala atrás de sala; a porta de SAÍDA de uma era apenas a porta de entrada da seguinte.”

“— Tenho uma resposta. A liderança nesta sociedade naturalmente recairia sobre os paranoicos, sendo eles superiores em termos de iniciativa e inteligência, além das habilidades comuns inatas. Evidentemente, eles enfrentariam dificuldades para evitar que os maníacos dessem um golpe… a tensão perduraria indefinidamente entre os dois grupos. Mas veja bem, com os paranoicos estabelecendo a ideologia, a base emocional dominante seria o ódio. Na verdade, ódio em dois níveis: a liderança detestaria cada um que estivesse fora de seu grupo e estabeleceria como ponto pacífico que todos os odiavam em resposta. Portanto, a chamada política externa consistiria em estabelecer mecanismos através dos quais pudessem combater este suposto ódio em relação a eles. Este processo envolveria toda a sociedade em uma luta ilusória, em uma batalha contra adversários inexistentes em busca de uma vitória sobre o nada. — Por que este esquema é tão ruim? — Porque, não importa como tenha começado, os resultados seriam os mesmos — Mary foi taxativa — isolamento total para essa gente. Este seria, em última análise, o efeito da atividade global desses grupos: cortá-los progressivamente das demais entidades viventes. — É assim tão negativo? A auto-suficiência… — Não — fez Mary — Isto não seria auto-suficiência, seria alguma coisa completamente diferente, algo que nem eu nem você conseguimos imaginar. Lembra-se das antigas experiências feitas com pessoas em isolamento absoluto? Em meados do século vinte, quando eles previram a viagem ao espaço, a possibilidade de um homem ficar sozinho durante vários dias, semanas sem fim, com cada vez menos estimulação… lembra-se dos resultados obtidos quando eles colocavam um homem em uma câmara sem que quaisquer estímulos o alcançassem? — Claro — fez Mageboom — É o que atualmente denominamos the buggies. O resultado da falta de estimulação é a alucinação aguda. Ela assentiu: — Alucinação auditiva, visual, táctil e olfativa, em substituição a estimulação ausente. Em intensidade, a alucinação é capaz de exceder a força da realidade; com sua intensidade e impacto, o efeito obtido… Por exemplo, estados de terror. Alucinações induzidas por drogas podem deflagrar sentimentos de terror que nenhuma experiência no mundo real pode produzir. — Por quê? — Porque a qualidade dessas alucinações é muito superior. Elas foram geradas no interior do sistema receptor dos sentidos e realimentam-se de emanações provenientes não de um ponto distante mas do interior do próprio sistema nervos de uma pessoa. Ela não consegue afastar-se. Não é possível qualquer retirada.”

“Hentman observava-o. Em seguida, deu de ombros e começou a desdobrar o contrato — Olhe aqui. Veja quanto você vai ganhar —Brandiu o contrato com o charuto na mesma mão — Esta cambada de espiões pode te pagar o mesmo? Fazer a América rir é um ato de patriotismo; ajuda a levantar o moral e a derrotar os comunas. Na verdade, é mais patriótico do que você está fazendo; esses simulacros são umas engenhocas frias; eles me dão nojo.”

“Entretanto, por meio do vídeo discutia coisas do serviço com o seu sócio da Agência, Veme Lindblom. Veme, que não era um homem de ideias, que não era um manipulador de palavras, mas antes um artista no sentido visual do termo, estava numa posição melhor do que Joseph Adams para saber exatamente o que é que o seu superior Emest Eisenbludt, em Moscou, estava a pensar em termos de imagem, em suma, o que preparava no estúdio. — A seguir será São Francisco ― disse Lindblom. ― Estou neste momento na fase de construção. Em que escala? ― inquiriu Adams. ― Sem escala. ― Em tamanho natural? ― disse Adams, incrédulo. ― E Brose concordou? Não será mais um dos loucos devaneios de Eisenbludt? Só uma parte da cidade. Nob Hill e a vista sobre a baía. Deve levar cerca de um mês a construir; não há pressas. Que diabo, só ontem à noite é que passaram aquelas sequências de Detroit [destruída]. ― Lindblom parecia descontraído. O que, de resto, a sua situação de habilidoso maquetista lhe permitia amplamente. Os homens das ideias eram muito poucos, mas os construtores maquetistas… eram de fato uma seita muito fechada, que nem sequer Brose com todos os seus agentes conseguia penetrar. Eram como os antigos construtores dos vitrais na França do século XIII: que desaparecerem, e com eles o segredo de sua arte.”