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César Aira Quotes

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Famous César Aira Quotes

“Las dos categorías mentales básicas son el espacio y el tiempo. El espacio es la categoría feliz: uno vive, camina, respira, ama, come en el espacio; el tiempo, en cambio, es la categoría triste porque es donde envejecemos, morimos. Y creo que hay una literatura -la vieja novela, por ejemplo- que creaba esos grandes escenarios donde uno se podía evadir. Ahora ha sido reemplazada por una literatura del tiempo, más triste. Todo es autoficción, que es contar vidas...”

“The same thing happens in literature: in the composition of some works, the author becomes a whole society, by means of a kind of symbolic condensation, writing with the real or virtual collaboration of all the culture's specialists, while others works are made by an individual, working alone like the nomadic woman, in which case society is signified by the arrangement of the writer's books in relation to the books of others, their periodic appearance, and so on.”

“[...]Imagine one of those people who don't think, a man whose only activity is reading novels, which for him is a purely pleasurable activity, and requires not the slightest intellectual effort; it's simply a matter of letting the pleasure of reading carry him along. Suddenly, some gesture or sentence, not to speak of a "thought", reveals that he is a philosopher in spite of himself. Where did he get that knowledge? From pleasure? From novels? Knowledge comes through the novels, of course, but not really from them. They are not the ground; you couldn't expect them to be. They're suspended in the void like everything else.”

“Cecil abandoned one of his regular jobs and with some money he had saved up he spent the winter months studying and composing. In the spring a contract came up for a few days, in a Brooklyn bar, where the experience of that first night repeated itself yet again. While he was returning home by train, the movement, the passage of the immobile stations brought about in him a state conducive to thinking. So he realized that the logic of the whole thing was perfectly clear, and wondered why he hadn’t seen it earlier: in all of the stories which Hollywood had brainwashed him with, there is always a musician who isn’t appreciated at the beginning but is at the end. There was the error: in the passage from failure to success, as if they were point A and point B, connected by a line. In reality failure is infinite, because it is infinitely divisible, which isn’t possible with success.”

“Os dois alemães continuavam. As novas impressões dos ataques indígenas substituíam as antigas. Ao longo do dia, produziu-se uma evolução que não se completou em direção a um saber não-mediado. Tem se que levar em conta que o ponto de partida era uma mediação muito trabalhosa. O procedimento humboldtiano era um sistema de mediações: a representação fisionômica se interpunha entre o artista e a natureza. A percepção direta ficava descartada por definição. E, não obstante, era inevitável que a mediação deixasse de existir, não tanto por sua eliminação, mas por um excesso que a tornava mundo e permitia apreender o próprio mundo, nu e primitivo, em seus signos. No fim das contas, é algo que acontece na vida todos os dias. Alguém começa a conversar com o próximo e quer saber o que ele está pensando. Parece impossível conseguir averiguar isso se não for através de uma extensa série de inferências. O que é que existe de mais encerrado e mediado que a atividade psíquica? E mesmo assim, esta se expressa na linguagem, que está no ar, e que somente pede para ser ouvida. A pessoa se atira contra as palavras e, sem saber, já chegou ao outro lado e está no corpo-a-corpo com o pensamento do outro. Mutatis mutandis, acontece o mesmo com um pintor em relação ao mundo visível. É o que acontecia ao pintor-viajante. O que o mundo dizia, era o mundo. E agora, como complemento objetivo, o mundo tinha parido repentinamente os índios. Os mediadores não-compensatórios. A realidade se fazia imediata, como um romance. Só faltava a concepção de uma consciência que fosse não apenas consciência de si mesma, mas também de todas as coisas do universo. E não faltava, porque era o paroxismo.”

“The ends of the screen continued to exceed the fields of meaning and create others that immediately, and almost through the impetus of their unfolding, cut huge and savage zigzags. Astronomy. The ability of parrots and blackbirds to speak. The diesel engine. The Assyrians. Coffee. Clouds. Screens, screens, and more screens. They were proliferating everywhere, and he had to pay close attention to make sure that no sector failed to be sorted. Fortunately, Dr. Aira had no time to notice the stress he was experiencing. Attention was key, and perhaps no man had ever brought as much of it to bear as he did for that hour. If the circumstances had been less serious, if he had been able to adopt a more frivolous perspective, he could have said that the entire procedure was an incomparable creator of attention, the most exhaustive ever conceived to exercise this noble mental faculty. And it did not require an extraordinary person; a common man could do it (and Dr. Aira would have been quite satisfied to become a common man), for the Cure created all the attention it demanded. It wasn’t like those video games, which are always trying to trick it or avoid it or get one step ahead of it; to continue with this simile, it should be said that the operator of the Cure was his own video game, his own screen, and his own decoys, and that far from defying attention, they nurtured it. Despite all this, the effort was superhuman, and it was yet to be seen if Dr. Aira could hold out till the end.”

“O pátio [da prisão] era cercado de entradas e saídas. Não dava a impressão de hermetismo, como se deveria esperar. É inevitável que se tenha uma ideia romântica de uma prisão, embora, como era o meu caso, não soubesse o que era o romantismo. Nem uma prisão, para ser sincera. Esta passava uma sensação de realismo exacerbada e destruidora; as ideias prévias, embora não as tivesse, ruíam.”

“Não se move no silêncio, mas no canto. É quase como uma ópera: o canto se faz gesto, e destino, e argumentação (incoerente, louca), e as pessoas que o cercam também se fazem destino e fatalidade. Avança carregado de signos, levando a carroça no seu ritmo, que na realidade ele é o único a perceber. Abre caminho ao abrir sua vida com a insana falta de jeito de alguém furioso ao abrir o embrulho de um presente. Só que ele não encontra o presente e continua abrindo sempre, cantando sempre. É um melodrama perpétuo. Aí está o que seus achegados podem se perguntar: por que insiste? Na realidade, o que perguntam é o que vem antes: o movimento ou o canto? Canta para caminhar ou caminha para cantar? Pois bem, não existe resposta, como não existe resposta para o enigma da ópera. Porque não existe anterior ou posterior, não há uma sucessão, mas uma espécie de simultaneidade sucessiva.”

“Um ponto com o qual eles concordavam, era a vantagem que a história tinha para saber como se faziam as coisas. Uma cena, natural ou cultural, por mais detalhada que fosse, não dizia como se havia chegado a ela, em que ordem os elementos haviam aparecido, nem o encadeamento causal que havia levado àquela configuração. E justamente, a abundância de relatos em que se vivia, ficava explicada pela necessidade do homem em saber como as coisas haviam sido feitas. Agora, a partir deste ponto, Rugendas ia um passo mais adiante, para tirar uma conclusão bastante paradoxal. A título de hipótese, propunha que o silêncio dos relatos não implicava nenhuma perda, pois a geração atual, ou uma futura, podia voltar a vivenciar esses mesmos acontecimentos do passado, sem necessidade de que fossem relatados, por mera ação combinatória ou pelo império dos acontecimentos, ainda que tanto num caso como no outro a ação fosse filha de uma vontade deliberada. E até era possível que a repetição fosse mais completa se não houvesse relato. Em lugar do relato, e realizando com vantagem sua função, o que devia transmitir-se era o conjunto de "ferramentas" com o qual se podia reinventar, com a inocência espontânea da ação, o que havia sucedido no passado. O mais valioso que os homens fizeram, o que valia a pena que voltasse a acontecer. E a chave desta ferramenta era o estilo. Segundo esta teoria, então, a arte era mais útil que o discurso.”

“Mas me chamavam na porta da rua! Batiam nela como se a quisessem derrubar! Não só chamavam: queriam entrar… Para que iriam querer entrar se não para me assassinar? E eu estava sozinha… Deveriam saber… sabiam perfeitamente, por isso tinham vindo… Eram ladrões, vinham saquear a casa, na mais benévola das hipóteses… Estava em minhas mãos impedir isso, mas minhas mãos eram tão fracas… Tremia feito gelatina, detrás da porta… Por que tinham me deixado sozinha? O que era tão importante para que eles tivessem que me abandonar? O pior é que… eram eles… Eram papai e mamãe os que estavam chamando na porta! Os dois monstros tinham assumido a forma de papai e mamãe… Não sei como os enxergava, suponho que pelo buraco da fechadura, que eu alcançava ficando na ponta dos pés… Eu me arrepiava dos pés à cabeça, me congelava… ao vê-los tão idênticos… tinham roubado seu rosto, a roupa, o cabelo... de papai muito pouco, porque era careca, mas os cachos ruivos de mamãe… Eram símiles perfeitos, sem erros… O trabalho que tiveram! Esses seres que não tinham forma, ou que não a revelavam para mim… esses simulacros… suas péssimas intenções… O espanto me gelava o sangue, não podia pensar…”