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Quote by Miguel Sousa Tavares

“A vida no campo é assim: nos anos de abundância, quando chove muito e nas alturas certas, enchem-se os celeiros e as despensas de comida, todos ficam felizes e há festas nas aldeias a todo o tempo para celebrar as colheitas. Nos anos de seca, os prados fica secos, a fruta apodrece nas árvores, a caça foge, e as pessoas andam tristes e às vezes passam fome.”

Quote by Miguel Sousa Tavares

Work

O Segredo do Rio

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Author

Miguel Sousa Tavares
Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares is a Portuguese journalist born on June 25, 1952. His career spans various fields, including political, social, and cultural reporting. more

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“A minha vida durante esses vinte e tal anos foi rio correndo, saltando, descendo montanhas, se espraiando nos vales, o rio rindo de si, da sua vida errante, do seu andar vagueante, o rio rindo farto, caudaloso, riomando, às vezes se apoucando nas suas miudezas, um fiozinho riando, riachando, o quase nonada, a se anular no seu corpo franzino, assim, corregando, a minha vida foi isso mesmo, o muito e pouco, a tempestade e a bonança, a vida não é o constante zizuezaguear? Mas, meu amigo, agora te conto esse rio correndo que sou eu, essas águas que não se cansam de parar, esse sempre em movimento em que vivo. Eu vou te contar meu vaguear com as minhas palavras , pensadas por mim mesmo, cavadas no chão movediço da memória.”

“Um rio, Kevin, está ao mesmo tempo na nascente e na foz. A vida também é assim, mas nós imaginamos que é um barco a descer o rio, um humilde pescador que por vezes tenta remar contra a corrente, mas é impossível vencê-la. Porém, nós somos o rio, que imagem tão gasta Kevin, mas deve ser isso que somos. Ao mesmo tempo na nascente e na foz, moribundos e nascituros ao mesmo tempo, no útero e enterrados ao mesmo tempo, e no entanto sempre diferentes de nós mesmos, porque a água é sempre outra, a nascente está sempre a mudar, a foz está sempre a mudar, o nosso passado também, o nosso destino também, somos esta imagem tão gasta pelos poetas, pelos cantores, é isso mesmo, Kevin, uma alegoria velha, somos o tal rio, o tal lugar-comum.”

“—¡Estas mujeres que hacen pasarse por hijas de Dios son en realidad unas adoradoras de Satán! —La chusma, que no superaría la veintena de personas, permanecía atenta a las palabras de la mujer—. Sacrifican niños; sus propios hijos, y beben de su sangre mientras bailan danzas demoníacas alrededor del cadáver. Yo he convivido con ellas y puedo aseguraros que lo que digo es tan cierto como que el sol saldrá por la mañana —agregó elevando los brazos para dar más dramatismo a su discurso. Tras decir eso, se giró en la dirección opuesta, clavando la vista en las mujeres que había en la terraza. Su mirada era fría y calculadora, una sonrisa cruel asomó por su rostro antes de añadir—: Hay una palabra que describe lo que son.”