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Quote by Abhijit Naskar

“There is no such thing as “vaginal orgasm” vs. “clitoral orgasm”. The entire ring of tissues that surrounds the vaginal opening is connected to the clitoris by nerves and blood vessels. Ultimately all these tissues together are responsible for the female orgasm. This entire erogenous zone is often referred to as the “ring of fire”.”

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Abhijit Naskar

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“...we touched each other's center, perfectly, just the fingertip upon the clitoris moving more and more slowly, our eyes steady on each other and the delicate pressure fine and more fine until all motion stopped in one still point remembered always, a vision. And then I did not know her pleasure from mine, my body from hers. We fell into and became each other. Then we slipped over the edge, entered and made love.”

“Por masturbação, a cultura sexual masculina compreende não somente o autoerotismo, como qualquer forma de estimulação dos órgãos sexuais que não seja o coito. […] Para essa cultura”, continua Lonzi, “a sexualidade clitoridiana só pode atuar por meio da masturbação, mesmo que praticada por um(a) parceiro/a”. Importa afirmar, ao contrário, a carícia clitoridiana como relação sexual por completo. “Em nossa opinião, a diferença entre masturbação e não masturbação está na percepção da presença do outro e na troca erótica, não na execução de um modelo de coito” – modelo inteiramente determinado pelos “valores ideológicos da penetração heterossexual procriadora”. A questão do gozo clitoridiano é indissociável da questão política da subjetivação. A afirmação da mulher clitoridiana é o ponto de partida de um tipo novo de devir-sujeito. Lonzi estabelece uma relação determinante entre clitóris e pensamento quando declara que ser clitoridiana significa para uma mulher “pensar na primeira pessoa”. De fato, é impossível pensar por si mesma sem se conhecer, e se conhecer sem saber onde está e qual é o seu prazer. Na escola, escreve Lonzi, “os jovens aprendem o funcionamento da procriação, não o prazer sexual”. Se existe, por exceção, uma distância redutível, é aquela, muito pouco interrogada, entre saber pensar e saber gozar. Entre saber como formamos nossa cabeça e de que maneira a perdemos. Daí o conceito de autoconsciência (autocoscienza). Para uma mulher, a autoconsciência de seu sexo e de seu prazer distingue-se da consciência de ser dessa ou daquela maneira, vaginal ou clitoridiana. Não se trata de aceitar um dado de nascimento, uma forma de fatalidade. A autoconsciência desperta aquilo de que ela é a consciência, isto é, a verdadeira fonte do desejo. É assim que ela permite, antes de tudo, acabar com a culpa pela suposta frigidez vaginal. A “mulher vaginal” é de fato apenas uma projeção do esquema sexual masculino, uma fabricação da “cultura patriarcal [que] conseguiu manter o clitóris escondido e inutilizado”. “Como é possível que a mulher vaginal hesite em se conscientizar de problema sexual tão vasto?”, prossegue Lonzi. Porque a cultura patriarcal é precisamente uma cultura da clitoridectomia.”

“We are learning to support girls as they 'lean in' educationally and professionally, yet in this most personal of realms, we allow them to topple. It's almost as if parents believe that if they don't tell their daughters that sex should feel good, they won't find out. And perhaps that's correct, they don't. Not easily anyway. But the outcome is hardly what adults could've hoped.”

“Distanciamento entre clitóris e vagina – objeto de tantas análises e psicanálises. Distanciamento entre clitóris e pênis. Distanciamento entre clitóris e falo, o primeiro se recusando, ao contrário do pênis, a obedecer à lei do segundo. Distanciamento entre o biológico e o simbólico, a carne e o sentido. Distanciamento, enfim, entre os “sujeitos” do feminismo e os próprios feminismos. Distanciamento entre os corpos. Distanciamento entre o destino anatômico do sexo e a plasticidade social do gênero. Distanciamento entre dado de nascimento e intervenção cirúrgica. Distanciamento entre a reivindicação da existência da “mulher” e a rejeição dessa categoria. Distanciamento entre um “nós, as mulheres” e uma multiplicidade de experiências que impede unificar ou universalizar esse “nós” e essas “mulheres”. O distanciamento não é apenas a diferença – diferença entre o mesmo e o outro, ou diferença em relação a si mesmo. A diferença – inclusive a diferença sexual – é só uma manifestação do distanciamento. O distanciamento fratura a identidade paradoxal da diferença, revela a multiplicidade nela contida. É portanto surpreendente que tenha sido escolhido um órgão, uma parte do corpo ou do sexo – o clitóris – para acomodar essa multiplicidade de distanciamentos. Por que privilegiar o clitóris e não outras zonas, não necessariamente genitais? Porque ele é um símbolo mudo. Em primeiro lugar, contam-se nos dedos os filósofos que se arriscaram a falar dele, enquanto fazem inúmeras referências a outras partes do corpo da mulher, seios, vagina ou ninfas, por exemplo. A falocracia da linguagem filosófica já não é um mistério. Batizando-a de “falocentrismo” ou “falogocentrismo”,10 Jacques Derrida, o pioneiro, submeteu-a à desconstrução questionando suas características principais: privilégio concedido à retidão, à ereção (modelo arquitetônico de tudo que fica em pé), à visibilidade, ao simbolismo do falo, e ao mesmo tempo redução da mulher à matéria-matriz, à mãe, à vagina-útero. Em filosofia, nunca se fala do prazer da mulher.”

“Com suas experiências, Marie Bonaparte também queria convencer Freud, “le grand exciseur” [o grande excisor], da impossibilidade de renunciar à fase clitoridiana. Freud considerava de fato que a evolução sexual normal da mulher passava pelo abandono do estádio clitoridiano do prazer em prol do estádio vaginal, de acordo com a função reprodutora da sexualidade. Marie tentou responder, em sua defesa, que sem o clitóris não há gozo, a vagina sozinha permanece muda. Então por que não tentar dar artificialmente à vagina insensível um pouco do ardor clitoridiano, sem esperar uma improvável maturação? Freud mal deu ouvidos. A intervenção cirúrgica, portanto, veio inutilmente redobrar o apagamento do prazer.”

“A mulher clitoridiana torna-se a figura da consciência feminina: “para desfrutar plenamente do orgasmo clitoridiano, a mulher deve encontrar uma autonomia psíquica”. A reivindicação da diferença sexual significa menos o confinamento em um esquema binário que a desconstrução do conceito de igualdade. As feministas radicais não procuram ser tratadas como iguais aos homens, mas ser consideradas – e antes de tudo se considerar – elas mesmas como o que são “autenticamente”, diferentes. Reconhecer-se como clitoridiana era na época um verdadeiro coming out. Com a “mulher clitoridiana”, a diferença saía do armário. Para Lonzi, a crítica da construção heteronormativa da sexualidade feminina (ainda não é do ponto de vista temático uma questão de teoria do gênero) também supõe evidentemente uma rejeição da psicanálise freudiana e de sua equação entre clitóris e imaturidade, que transformam as mulheres em “aspirantes vaginais”. A recusa da psicanálise freudiana é semelhante à rejeição da dialética hegeliana. O feminismo, para as mulheres, toma o lugar da psicanálise para os homens. Na psicanálise, o homem encontra as razões que o tornam inatacável […]. No feminismo, a mulher encontra a consciência feminina coletiva que elabora os temas de sua liberação. A categoria de repressão na psicanálise equivale à do senhor-escravo no marxismo [e no hegelianismo]: ambos visam a uma utopia patriarcal que vê a mulher como o último ser humano reprimido e subjugado para sustentar o esforço grandioso do mundo masculino que rompe as correntes da repressão e da escravidão. Questão fundamental da autoconsciência feminista, o clitóris marca doravante a distância irredutível entre submissão e responsabilidade. Mas como evitar, entre mulheres, a reconstituição da potência fálica? A redução da distância? Em seu diário, Lonzi evoca dolorosamente as dificuldades que encontra com Ester, sua companheira, que se sente dominada por ela. Com Ester, só posso me calar. Ela está furiosa consigo mesma e não suporta isso. Agora, ousa dizer o que nunca havia dito, o que era impensável: que, em nossa relação, eu sou o homem e ela é a mulher. É assim que a dicotomia vaginal versus clitoridiana retorna, e nem o feminismo poderá pôr um fim nisso.”

“Ao longo das leituras decisivas de Platão, René Descartes, Georg W. F. Hegel, Friedrich Nietzsche ou Martin Heidegger, Irigaray não determina o destino da mulher na filosofia apenas como um destino mimético, que a condena a imitar os homens quando ela maneja os conceitos. A mulher que pensa não é uma matéria animada, simples cópia do logos masculino que para ela é sempre uma forma. A mulher se afasta desse mimetismo e dessa materialidade por um efeito de espelho irônico e subversivo. Speculum é, assim, uma réplica do estádio do espelho de Lacan, espelho em que nenhuma mulher nunca é refletida. O título Speculum de l’autre femme [Speculum da outra mulher] evoca obviamente o instrumento ginecológico [espéculo] que permite “olhar as trevas”, mas também revela, por um estranho efeito de reverberação, que essa obscuridade está alojada no olho de quem olha. Ao se tocarem, os lábios não deixam ver nada do mistério daquilo que cobrem, se por visível entendermos uma forma saliente que se pode reter tanto com os olhos quanto com as mãos. Quanto à “matéria”, considerada a parte ontológica do feminino, ela não é informe mas informalizável. “Substantivo comum para o qual não se pode determinar a identidade. (A/uma mulher) não obedece ao princípio de identidade.” Mais adiante: “Esse (se) tocar dá à mulher uma forma que indefinida e infinitamente se transforma sem se fechar em sua apropriação”. O informalizável promete ao prazer uma infinidade de metamorfoses.”