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Francis Fukuyama Quotes

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Francis Fukuyama Quotes

“Muitos dos primeiros teóricos do contratualismo acreditavam na legitimidade de um contrato de escravatura: se um indivíduo vulnerável fosse confrontado com a escolha entre uma vida de escravatura ou a morte às mãos de alguém mais forte, escolheria voluntariamente a escravatura. O argumento (…) ecoa a crítica marxista do conceito de «mão-de-obra gratuita» nas sociedades capitalistas: os contratos celebrados entre indivíduos com níveis de poder muito desiguais não eram justos pelo simples facto de que eram voluntários apenas na aparência.”

“Historicamente, as sociedades liberais têm sido motores de crescimento económico, criadoras de novas tecnologias e produtoras de uma cultura e arte vibrantes. Isto aconteceu precisamente porque eram liberais. (…) É precisamente a capacidade que as sociedades liberais têm de incubar a inovação, tecnologia, cultura e crescimento sustentável que determinarão a geopolítica do futuro. (…) Muita da história do crescimento espantoso da China ao longo das últimas quatro décadas tem sido produto do seu próprio namoro com o liberalismo.”

“Mesmo que a autonomia pessoal seja a fonte da realização individual, isso não significa que a liberdade ilimitada e a constante eliminação de constrangimentos tornem uma pessoa ainda mais realizada. Por vezes, a realização advém da aceitação dos limites. A recuperação de um sentido de moderação, tanto individual como comunitária, torna-se a chave para a renovação – se não mesmo a sobrevivência – do próprio liberalismo.”

“Respeitar a privacidade das outras pessoas pode parecer uma exigência pacífica, mas é uma das que mais frequentemente conflitua com outros princípios, tais como a ideia de que o comportamento individual deve ser transparente e objeto de responsabilização. (…) A implantação da Internet, conjuntamente com os meios de transmissão tradicionais, tem erodido severamente a esfera privada de toda a gente. (…) A função deliberativa da liberdade de expressão tem sido enfraquecida não só pelas exigências excessivas de transparência, mas também pelo surgimento de diferentes tipos de universos fantasiosos tornados possíveis pela deslocação das nossas interações sociais para as comunicações em rede.”

“Um blogger militante a opinar que determinado político é corrupto, não deveria ter o mesmo peso do que um jornalista de investigação que passou seis meses a analisar cuidadosamente os registos financeiros desse mesmo político. E, contudo, a Internet torna estas visões alternativas parecerem igualmente credíveis. (…) Isto torna-se um problema sério porque as grandes plataformas de Internet operam segundo um modelo comercial que privilegia a viralidade e o sensacionalismo sobre qualquer espécie de verificação cuidadosa da informação. Uma história obscena e falsa pode ser espalhada nestas plataformas digitais a uma velocidade e escala que nenhum meio de comunicação tradicional conseguiria alguma vez acompanhar.”

“Há uma questão filosófica mais profunda (…) que é a de saber se os seres humanos são apenas animais consumistas, cujo bem-estar se mede pela quantidade do que consomem, ou se são animais produtores cuja felicidade depende da sua capacidade de moldar a natureza e exercer as suas faculdades criativas. O neoliberalismo contemporâneo tem optado claramente pela primeira hipótese, mas existem outras tradições que defendem que os humanos são simultaneamente animais consumidores e produtores, e que a felicidade humana se encontra algures no equilíbrio entre essas duas características.”

“O liberalismo está intimamente associado a certas formas de conhecimento, particularmente ao método científico, entendido como o melhor meio de compreender e controlar o mundo exterior. Assume que os indivíduos são os melhores juízes dos seus próprios interesses e são capazes de assimilar e testar a informação empírica sobre o mundo que os rodeia ao fazer esses juízos. Embora os juízos inevitavelmente variem, existe a crença liberal de que num mercado livre de ideias, as ideias mais válidas acabarão por expulsar as más ideias no processo de deliberação e comprovação.”