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Bento XVI Quotes

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Famous Bento XVI Quotes

“A Igreja tem o dever primário de se aproximar dessas pessoas com amor e delicadeza, com solicitude e atenção materna, para anunciar a proximidade misericordiosa de Deus em Jesus Cristo. De facto é Ele, como ensinam os Padres, o verdadeiro Bom Samaritano, que Se fez nosso próximo, que derrama o óleo e o vinho sobre as nossas chagas e que nos conduz à estalagem, a Igreja, na qual nos faz curar, confiando-nos aos seus ministros e pagando pessoal e antecipadamente a nossa cura. Sim, o evangelho do amor e da vida é também sempre evangelho da misericórdia, que se dirige ao homem concreto e pecador que somos nós, para o levantar depois de qualquer queda, para o restabelecer de qualquer ferida.”

“Especialmente os adolescentes e os jovens, que sentem impelente a chamada do amor dentro de si, têm necessidade de ser libertados do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibições, coloca demasiados obstáculos à alegria do amor, e sobretudo que impede que se aprecie plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher encontram no seu amor recíproco. Pelo contrário, a fé e a ética cristãs não querem sufocar o amor, mas torná-lo sadio, forte e verdadeiramente livre: é precisamente este o sentido dos Dez Mandamentos, que não são uma série de "nãos", mas um grande "sim" ao amor e à vida.”

“A morte deve ser privada de seu caráter como lugar de incursão do metafísico; sua banalização deve banir a questão sinistra por ela colocada. Schleiermacher falou, certa vez, do nascimento e da morte como "perspectivas" por meio das quais o homem vislumbra o infinito. Mas justamente esse infinito põe em questão seu caráter ordinário, o que faz com que o homem procure bani-lo: a repressão da morte é mais efetiva quando a morte foi naturalizada. A morte deve tornar-se tão coisificada, tão ordinária, tão pública, que nela não reste mais nenhum resquício de questão metafísica. Isso tudo tem consequências decisivas para a relação do homem consigo mesmo e com a realidade em sua totalidade. A ladainha de Todos os Santos expressa a disposição do fiel cristão diante da morte, na seguinte prece: A subitanea morte, libera nos, Domine - "Livrai-nos, Senhor, da morte precoce e inesperada". O arrebatamento súbito, sem que se esteja preparado, munido para enfrentá-lo, aparece como o perigo do homem, do qual ele quer ser salvo. Seu desejo é o de trilhar em plena consciência o último trecho do caminho; ele quer morrer por si mesmo. Se hoje resolvessemos formular uma ladainha dos não fiéis, sem dúvida a prece seria o inverso: "Senhor, dá-nos uma morte repentina e inesperada". A morte deve chegar repentinamente, sem dar tempo para pensar nem sofrer. Aqui fica claro, primeiramente, que a anulação plena do temor metafísico não foi bem sucedida; a pretensão era a de ter pleno controle sobre a própria morte, de preferência, produzindo-a por si mesmo, fazendo-a desaparecer como questão que supera a técnica e que diz respeito ao ser humano como tal. A importância que se confere à questão da eutanásia baseia-se no fato de que é preciso anular a morte como fenômeno que foge ao meu controle, substituindo-a pela morte técnica, a qual eu mesmo não necessito morrer. É preciso fechar a porta à metafísica, antes que ela consiga entrar.”

“Mateus fala do "Reino dos Céus", ao passo que Marcos e Lucas falam do "Reino de Deus". O significado é o mesmo nos dois casos. Por trás da versão de Mateus encontra-se a regra linguística judaica de, por reverência à grandeza da palavra, não empregar o nomede Deus, nem tampouco o conceito de "Deus", mas referir-se a ele apenas por meio de circunlóquios. Céus representa, por tanto, uma simples paráfrase para Deus. Isso é importante, porque mostra que Mateus, assim como Marcos e Lucas, não se refere a algo situado primariamente no além; não se trata do além, mas de Deus enquanto agente pessoal. Essa observação é reforçada se acrescentarmos que, no uso judaico, a palavra que normalmente traduzimos como Reino não significa uma esfera de governo, mas uma realidade ativa, tal como as palavras "domínio" ou "comando". Assim, o termo "Reino de Deus" indica o domínio de Deus, seu poder vivo sobre o mundo. A afirmação "o Reino de Deus está próximo" pode ser traduzida como "Deus está próximo". Ao utilizar esse termo, Jesus não se refere a uma realidade celeste, mas a algo que Deus está fazendo e fará na Terra.”

“Se o cristianismo deve ser interpretado como estratégia da esperança, devemos perguntar: qual esperança? O reino de Deus não é um conceito político e, por isso, tampouco é um critério a partir do qual se possa construir uma práxis política ou uma crítica de certas ações políticas. A realização do reino de Deus não é um processo político, e concebê-lo desse modo significa falsificar tanto a política como a teologia. O resultado disso é o surgimento de falsos messianismos que, por sua própria essência, e a partir da lógica interna das pretensões messiânicas, desembocam nos diversos tipos de totalitarismo.”

“As várias formas hodiernas de dissolução do matrimónio, como as uniões livres e o "matrimónio de prova", até ao pseudomatrimónio entre pessoas do mesmo sexo, são, pelo contrário, expressões de uma liberdade anárquica que se faz passar indevidamente por verdadeira libertação do homem. Uma tal pseudoliberdade funda-se numa banalização do corpo que inevitavelmente inclui a banalização do homem. O seu pressuposto é que o homem pode fazer de si o que quer: o seu corpo torna-se assim numa coisa secundária, manipulável sob o ponto de vista humano, a ser utilizado como se deseja. O libertinismo, que se faz passar por descoberta do corpo e do seu valor, é na realidade um dualismo que torna o corpo desprezível, colocando-o por assim dizer fora do ser autêntico e da dignidade da pessoa.”