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Thiago Sardenberg Quotes

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Famous Thiago Sardenberg Quotes

“Impregnadas nas diferentes ameaças epidêmicas impostas pelos vampiros, estão inquietações que perpassam esse olhar crítico para as escolhas que nós, humanos, estamos continuamente fazendo. Se o vampiro ficcional, esse monstro que tanto nos revela e adverte sobre nós mesmos, insiste de maneira tão enfática no viés pandêmico-apocalíptico na contemporaneidade, talvez seja pelo inconveniente fato de que se torna cada vez mais evidente que “o surto mais grave no planeta Terra é o da espécie Homo sapiens” e que, caso continuemos a fazer as mesmas escolhas equivocadas, teremos que lidar com a o fato de que “eis a verdade em relação aos surtos: eles acabam”.”

“É possível verificar que conforme a doença-vampirismo se espalha pela narrativa, ela progressivamente a contamina com um discurso viral, que acaba permeando toda a ação: as pessoas se sentem “doentes”, “um lixo”, mas “deve ser só gripe”; se Mike está doente, “alguns acham que ele pegou alguma doença do Danny Glick”; quando a mãe de Danny Glick começa a ter sonhos estranhos com o filho morto, seu marido nota como “ela estava pálida [...] os lábios haviam perdido a cor natural, e ela ganhara olheiras escuras”; se a Casa Marsten fede, o odor “lembrava lágrimas, vômito e trevas”; se a indústria dos trailers cresce, ela cresce “como uma epidemia”; se o medo de uma doença indizível se espalha, “fantasias paranoicas podem ser contagiosas”; se o vampiro logra atacar-me, “não encosta em mim, fui contaminado”.”

“Narrativas como Apocalipse V e The Passage evidenciam o papel da humanidade na perturbação e desintegração de ecossistemas, fatores que acabam por favorecer a criação de cenários pandêmicos, no que somos expostos a novos patógenos que se encontravam placidamente contidos, e que podem ser responsáveis pela emergência (ou reemergência) de doenças infecciosas potencialmente perigosas.”

“Tal como a pandemia da covid-19, em sua lúgubre asserção das fragilidades e incertezas que nos cercam, essas narrativas vampirescas com viés epidêmico-apocalíptico convidam reflexões acerca do papel da humanidade na construção desses cruéis cenários de desastre; inevitavelmente, rumamos a um futuro pelo qual teremos de nos responsabilizar.”

“Quammem afirma que vírus transmitidos pelo sangue precisam, em geral, de um vetor - frequentemente um inseto hematófago; aqui, uma capillaria — que deve “chegar em busca de uma refeição”: fica estabelecida uma intencionalidade. Tal como o inseto, o próprio verme é atraído pelo sangue humano, ampliando assim as condições possíveis de transmissão da síndrome vampiresca. Os resultados desse quadro de alta transmissibilidade e infectividade são imediatos, logo começando a ser sentidos sob a superfície da cidade.”

“Nas artes, afinal, o vampirismo é como que endêmico — os surtos que retratam aparecem e então se tornam latentes por tempo indeterminado; quando os esquecemos ou julgamos tê-los superado, eis que reaparecem, seus monstros-vampiros funcionando como personificações de uma nova “variante” bem preparada para desarmar as defesas que construímos.”