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Quote by Ricardo Piglia

“Yo siempre digo en broma —y lo he dicho con muchos de ustedes— que esta sociedad no inventaría la literatura si no la hubiera encontrado hecha. No se le hubiera ocurrido a la sociedad capitalista inventar una práctica tan privada, tan improductiva desde el punto de vista social, tan difícil de valorar desde el punto de vista económico. [...] la sociedad no puede entender ese trabajo improductivo, no puede entender algo hecho sin interés económico. El arte sería contrario a esa lógica de la racionalidad capitalista. Y, por lo tanto, la muerte de la literatura sería algo a lo cual esta sociedad aspira. También aspira a que la literatura salga del centro de la discusión, y creo que ha conseguido en parte lograrlo.”

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Work

Crítica y ficción

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Author

Ricardo Piglia
Ricardo Piglia

Ricardo Piglia, an Argentine writer born on November 24, 1941, and passed away on January 6, 2017. He is renowned for his unique narrative style and profound reflections on Argentine history. more

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“(…)dos anos 1920. A inovação estética daquele primeiro livro de Borges que, como ele explica na sua autobiografia, "celebrava os crepúsculos, os lugares solitários e as esquinas desconhecidas" da cidade de Buenos Aires e estava escrito "em um estilo despojado que era pródigo em metáforas lacônicas", destituía definitivamente os excessos rítmicos è melódicos da retórica simbolista de Lugones.”

“Eu aconselharia esta hipótese: a imprecisão é tolerável ou verossímil na literatura, porque sempre tendemos a ela na realidade. A simplificação conceitual de estados complexos é muitas vezes uma operação instantânea. O próprio fato de perceber, de levar em conta, é de ordem seletiva: toda atenção, toda fixacão de nossa consciência. comporta uma missão deliberada do não interessante. “A postulação da realidade”, Discussão, 1932”

“Aqueles dentre nós que têm sido verdadeiros leitores durante toda a vida raramente compreendem de maneira plena a enorme extensão do nosso ser da qual somos devedores aos escritores. Compreendemos isso mais quando conversamos com um amigo que é um leitor não literato. Pode ser uma pessoa cheia de bondade e bom senso, mas é alguém que vive em um mundo minúsculo. Nós nos sentiríamos sufocados nesse mundo. A pessoa que está contente em ser apenas ela mesma e, portanto, menos que um "eu", está em uma prisão. Os meus olhos não são o bastante para mim. Eu vejo através dos olhos dos outros. A realidade, mesmo vista através dos olhos de muitos, não é o bastante. Eu verei o que outros inventaram. Mesmo os olhos de toda a humanidade não são suficientes. Lamento que os animais não possam escrever livros. Eu aprenderia com muita alegria qual é a imagem que as coisas têm para um rato ou para uma abelha. Mais alegre ainda ficaria se percebesse o mundo olfativo carregado com todas as informações e emoções que este mundo tem para um cão.”