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Quote by Ernesto Sabato

Work

El Tunel

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Author

Ernesto Sabato
Ernesto Sabato

Argentinian writer, born on June 24, 1911, and died on April 30, 2011. Ernesto Sabato is known for his profound philosophical thoughts and unique literary style, being an important figure in Latin American literature of the 20th century. more

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“Aqueles dentre nós que têm sido verdadeiros leitores durante toda a vida raramente compreendem de maneira plena a enorme extensão do nosso ser da qual somos devedores aos escritores. Compreendemos isso mais quando conversamos com um amigo que é um leitor não literato. Pode ser uma pessoa cheia de bondade e bom senso, mas é alguém que vive em um mundo minúsculo. Nós nos sentiríamos sufocados nesse mundo. A pessoa que está contente em ser apenas ela mesma e, portanto, menos que um "eu", está em uma prisão. Os meus olhos não são o bastante para mim. Eu vejo através dos olhos dos outros. A realidade, mesmo vista através dos olhos de muitos, não é o bastante. Eu verei o que outros inventaram. Mesmo os olhos de toda a humanidade não são suficientes. Lamento que os animais não possam escrever livros. Eu aprenderia com muita alegria qual é a imagem que as coisas têm para um rato ou para uma abelha. Mais alegre ainda ficaria se percebesse o mundo olfativo carregado com todas as informações e emoções que este mundo tem para um cão.”

“Julguei que ia morrer. Queria morrer. E julguei que se fosse morrer ia morrer contigo. Rapazes como tu, jovens como eu…vi morrer tantos ao pé de mim durante o ano passado! Não tive medo nenhum. Não foi coragem o que ainda agora me fez ficar aqui. Pensei com os meus botões: "Temos esta cama, esta erva, devíamos ter-nos deitado juntados, abraçados, antes de morrer". Apeteceu-me tocar-te nesse osso do pescoço, a clavícula, que parece uma asa pequena e dura debaixo da pele. Apeteceu-me afagá-la com os dedos. Sempre gostei de corpos da cor dos rios e das pedras, da cor do olho castanho de uma susana, conheces essa flor? Já viste alguma? Estou tão cansada Kip, só me apetece dormir. Apetece-me dormir debaixo desta árvore, de cara encostada à tua clavícula, apetece-me fechar os olhos, sem pensar em mais ninguém, encontrar um nicho de árvore, trepar lá para dentro e dormir. Que espírito meticuloso! Saber que fio hás de cortar. Como é que soubeste? Foste dizendo não sei, não sei, mas sabias. Não foi? Não tremas, tens de ser uma cama sossegada para mim, deixa-me aninhar-me, abraçar-te como se fosses um avozinho, adiro a palavra "aninhar", tão lenta, não se pode apressá-la.”

“- Por eso las grandes obras de arte se han construido siempre alrededor del pecado. - Lo cual, en el fondo, significa construirlas alrededor de Dios. - Naturalmente, porque sin Dios el pecado no existe. Y se han construido alrededor del pecado, porque el pecado está prohibido y tiene castigo, y eso es lo estético: el conflicto entre la prohibición y la culpa. Mejor dicho, el arte es la chispa que resulta de frotar la prohibición con el castigo.”