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Quote by Aldous Huxley

Work

Brave New World

Written by Aldous Huxley, this seminal work delves into themes of societal control, consumerism, and the loss of individuality through a vivid portrayal of a world where people are conditioned from birth to conform to their predetermined roles. more

Author

Aldous Huxley
Aldous Huxley

Aldous Huxley was an English writer and philosopher, renowned for his dystopian novel 'Brave New World'. Born on July 26, 1894, in Godalming, Surrey, England, he was the younger brother of the poet and critic Leonard Huxley. Huxley's works frequently delved into the interplay of science, politics, and philosophy, and he was a prominent figure in the literary movement known as the 'Lost Generation'. He passed away on November 22, 1963. more

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“Se na paixão encontramos aquilo que supostamente queríamos, isso não acontece sem a nossa parte criativa bastante animada. Sim, estou dizendo que nós inventamos a pessoa amada. As lentes da paixão beiram o delírio e nos permitem olhar para o outro com uma gentileza que quase rompe com a realidade. Porque na paixão idealizamos o outro, não a partir dele mesmo, mas a partir daquilo que gostaríamos que ele fosse. Mas, se tudo funciona bem, o outro cai do pedestal que lhe oferecemos e demonstra sua preferência por vestir sua própria pele, em vez da fantasia que costuramos para ele. E é quando algo do outro pode aparecer que temos notícia da falta, que nos traz nossa companhia maior na vida: a solidão.”

“É comum que quando um dos parceiros comece um processo de análise ou de psicoterapia o outro se coloque avesso ao trabalho, como se tivesse ciúme do terapeuta, da analista ou mesmo de Freud. É frequente também certa ideia de que, quando um dos parceiros começa a análise, em seguida termina o namoro, o noivado, o casamento. Daí que a segunda enunciação explica a primeira. De certo modo, se o parceiro sente ciúme do analista, é porque sabe que ele mesmo não sairá ileso do processo – que, a princípio, nem é seu, mas passa a ser, em algum nível. Esse ciúme da análise do outro não é sem fundamento: quem faz análise se separa, sim. Mas se separa do quê? Essa é a questão. Às vezes, inclusive, é preciso se separar para continuar junto. Não se trata necessariamente de um rompimento ou de um divórcio, mas da separação de uma determinada maneira de se relacionar.”

“O que eu gostaria de destacar aqui é que, na ânsia de manter o amor supostamente vivo, há quem mantenha o objeto amoroso distante, única maneira de preservá-lo, já que as coisas se gastam. Sabe aquela louça chique que fica guardada para a ocasião especial que não chega? Há quem trate amor como coisa e, assim, não viva a experiência amorosa no laço com o outro propriamente dito, mas sozinho, em fantasia. É o que chamamos de amor platônico. Uma fantasia amorosa que se preserva por uma distância. Talvez esse modo de viver o amor tenha alguma relação com o isolamento. Talvez esse modo de amar, por outro lado, preserve o que mais nos encanta no amor: a falta.”

“Se as mulheres se esforçam para agradar homens segundo restritos padrões preestabelecidos por eles, o que pensar sobre a vida erótica dos homens heterossexuais? Minha hipótese é a de que o prazer para eles é, em grande parte, afetado ou mediado pelo poder que creem exercer ao terem junto a si uma mulher que, por sua aparência, não põe em questão os critérios culturais, artificialmente concebidos, do que é um objeto digno de ser desejado. Uma mulher sobre a qual ele pode projetar o que quiser é o prêmio a que ele pode almejar por se comportar como um bom exemplar dos machos. É “um selvagem tristemente domesticado”, diria Lou Andreas-Salomé. Também para eles, como ela escreveu em O erotismo, o apelo erótico tem a ver com novidade e com mudança, mas sinto que isso se dá só na medida em que o “antigo” gastou seu poder de garantir sua conformação ao que sua própria cultura predeterminou: quando perdeu seu valor na competição entre homens e quando deixou de reforçar, como um espelho benévolo, as qualidades que o sujeito acredita ou quer possuir.”

“Em meio à crise generalizada da experiência, a psicanálise traz uma épica da subjetividade, uma versão violenta e obscura do passado pessoal. Ela é, pois, atraente porque todos aspiramos a uma vida intensa; em meio a nossa vida secularizada e trivial, seduz-nos admitir que, num lugar secreto, experimentamos ou experimentávamos grandes dramas; que quisemos sacrificar nossos pais no altar do desejo; que seduzimos nossos irmãos e lutamos com eles até a morte numa guerra íntima; que invejamos a juventude e a beleza de nossos filhos e que nós também (ainda que ninguém saiba) somos filhos abandonados de reis à margem do caminho da vida.”

“Acredita-se que nós seres humanos compartilhamos dos mes­ mos e diversos sentimentos e reações ao mundo, que é o que pos­ sibilita existir entendimento, uns com os outros, e que constitui a fundação da nossa humanidade compartilhada. Na tentativa de combater certos estereótipos dos psicanalistas, como um cientis­ ta desinteressado, insensível, ao invés de um ser humano que tem vida e que respira, alguns terapeutas sugeriram que o analista de­ veria ser regularmente empático com o paciente, ressaltando o que eles têm em comum, para estabelecer uma aliança terapêutica sólida. Embora esses profissionais tenham boas intenções (por exemplo, acabar com a crença da objetividade do analista), as expressões de empatia podem enfatizar a humanidade em que vivem analista e paciente, de modo a encobrir ou superar aspectos humanos que não são compartilhados.”

“A verdade se utiliza da fala para se expressar, mas seu efeito não é da ordem do semblante, é da ordem do real. Então, como algo que é da ordem de um artefato, que é da ordem do semblante, toca no real? Podemos dizer que essa é toda a questão da psicanálise; a partir daquele setting analítico — a psicanálise inglesa usa esse termo do teatro, um set —, mostra-se uma cena em que há uma pessoa que ocupa um lugar, tudo marcado, e interpreta um papel que é o de objeto a — papel que varia a cada análise, a cada analisante. Nós temos um certo grau de improvisação, na verdade é preciso improvisar o tempo todo, mas há uma marcação ali. Mais artificial que uma análise impossível, se paramos para refletir. Você não pode responder, se você já entrou no diálogo já errou, já não é psicanálise. Há uma marcação e você tem que obedecer a certos preceitos determinados pela estrutura: a política do mais-de-gozar, a estratégia dos semblantes, a não resposta à demanda de amor. A posição principal do analista — o não responder, responder com o silêncio — é uma das modalidades de fazer semblante de objeto a, em sua face opaca, silenciosa, fora do simbólico. A queixa habitual do analisante — “Mas eu falo, falo e você não diz nada” — se dá porque ele está acostumado, na cena cotidiana, a falar e ter uma réplica, e a análise não é isso. A análise é antinaturalista e, no entanto, opera. Ao contrário do que podemos dizer, quanto mais artefato, quanto mais claramente não naturalista, mais ela opera em nível do real.”