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Brasil Quotes

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Brasil Quotes

“Por trás da animosidade pública ao parlamento, inconsciente ou não, a tentação totalitária está sempre à espreita. Getúlio soube explorar a atávica indignação popular contra os congressistas e direcioná-la em seu proveito pessoal. Ele próprio sendo um político de carreira— ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-ministro da Justiça, ex-governante do Rio Grande do Sul—, apresentava-se como alguém que extirpara definitivamente a política da vida nacional, como se faz a um câncer, em nome da moralização dos costumes e em prol da eficiência administrativa.”

“Transporte, 1964 Meu pai, viajamos juntos nesta província fronteira entre o mar e o coração. Jangadas, pessoas, gritos, habitam a praça inerte entre a minha e tua mão. Viajamos distraídos, ombro a ombro confundidos numa estrada de poeira: infindável direção. Mas não me viste, meu pai: sopro de ave, galera, serrania de algodão, não viste se desfazendo, em homem degenerando persistência e distração. Não viste a rama florida, a barba, material de conduta, o orgulho em profusão, e juntos nos separamos, no sangue e na identidade desta curva indistinta: Travessia e geração. ::: [...] (vida curta, longo mar) [...] ::: Fábula, 1965 Minha pátria é minha infância. Por isso vivo no exílio. Talvez o barco contasse deste percurso no tempo. De como seria o escafandro isento de tal mergulho. Minha pátria é sob a pele: Cargueiro no mar de névoa. Antigamente os conflitos não aspiravam a ser. De como fiquei trancado na torre em que era dono. E a certeza como faca engolindo a própria lâmina. De como se libertaram os mitos presos na forca, e o exato espanto vindo da terra, dos gestos do imperador.”

“Se evitou a execução sumária dos prisioneiros, Getúlio não impediu a instituição da tortura como método investigativo nos porões de seu governo. Nenhuma denúncia de violência contra os milhares de homens e mulheres postos sob a custódia do Estado naquela época foi devidamente apurada.”

“… o conceito de defasagem cambial tem a atualidade e a relevância de um fusca 68. Mas, em 1996, foram muitos os que se irritaram comigo quando enunciei um raciocínio tão simples quanto venenoso a propósito da obsolescência dessa noção: o fato de o preço da banana cair em função de uma safra excepcional não quer dizer necessariamente que há uma ‘defasagem bananal’. Quantas vezes eu ouvi de tantos sábios a acaciana sabedoria envolvida na observação mal-humorada de que ‘câmbio não é banana’, sempre com vistas a explicar que a lei da oferta e da procura tinha sido revogada anos atrás pelos estruturalistas e heterodoxos. ["As leis Secretas da Economia: Revisitando Roberto Campos e as Leis do Kafka", 2012]”

“Às 17h38 tocara novamente o telefone do presidente Lyndon Johnson, que continuava em seu rancho do Texas. Era o subsecretário de Estado, George Ball. Na extensão estava o secretário de Estado assistente para Assuntos Interamericanos, Thomas Mann. Ball contou-lhe o que dissera a Gordon. Johnson aprovou: “Acho que devemos tomar todas as medidas que pudermos e estar preparados para fazer tudo que for preciso, exatamente como faríamos no Panamá— desde que seja viável. (...) Eu seria a favor de que a gente se arrisque um pouco”.”

“O “Direito” moderno, cuja única grandeza é ser reflexo e incorporação da soberania popular na sociedade moderna, é o primeiro a se perder com a substituição do juiz sóbrio e objetivo pela figura narcísica do “justiceiro” que aceita incorporar e teatralizar a “vontade geral” pré-fabricada. A própria definição do Direito formal moderno, estabelecida pelo respeito ao procedimento legal e como garantidor do contraditório como meio de se assegurar previsibilidade e segurança jurídica, tende a ser substituído pelo que Max Weber chamava de “justiça do Kadi”, padrão de justiça material, construída sob o comando de aspectos extrajurídicos ditados pela conjuntura, sujeita a todo tipo de pressão emocional e de interesse de ocasião. Mudam-se as vestes e as fantasias, “moderniza-se” o golpe, substitui-se o argumento das armas pelo argumento “pseudo-jurídico”, amplia-se a aparência de “neutralidade”, sai de cena a baioneta e entra no palco da ópera bufa a toga arrogante e arcaica do operador jurídico, mas preserva-se o principal: Quem continua mandando de verdade em toda a encenação do teatro de marionetes são os mesmos 1% que controlam a riqueza, o poder e instrumentalizam a informação a seu bel-prazer. Os outros 99% ou são manipulados diretamente, como a classe média “coxinha”, ou assistem de longe, bestializados, a um espetáculo o qual, como sempre, vão ter que pagar sem participar do banquete.”