Browse 167 quotes about Poesia Portuguesa.
“CL
Mas, se tão grandes e altos feitos,
Num dia, se apagaram da nossa memória
Virá o tempo que a justiça, seus direitos
Conhecerão o cântico da vitória!
E aqueles que se expuseram por seus feitos
Por sua honra, p´la Pátria e por seus feitos
No alto etéreo, a verdade saberão
Que seu sacrifício não foi em vão!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CLI
Caiu nossa pátria em desgraça
Quando de cravo ao peito se exultava
Aquela manhã de Abril ser de raça
Da liberdade que tanto se ansiava
Que pura ilusão, tão grande ameaça
Em nossos braços a fortuna nos lançava,
Ria-se e cantava-se com desengano
Pois as lágrimas seriam nosso dano.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CLII
Dando azo a uma alegria enganadora
Viveram-se momentos de euforia
Não vendo esta pobre gente sofredora
A fria sepultura que se abria…
Que inocência tão constrangedora
Dizendo acabar uma longa tirania.
Enterravam já a nova liberdade
Num inferno de antiga leviandade.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“É necessária a contradição para tentar dizer
o que nãose pode dizer
o que é necessário dizer”
Source: A Imobilidade Fulminante
“É necessária a contradição para tentar dizer
o que não se pode dizer
o que é necessário dizer”
Source: A Imobilidade Fulminante
“De tudo certamente te esqueceste,
Porque tudo no mundo morre e muda,
E agora és triste e só como um cipreste,
E como a campa jazes fria e muda.
Esqueceste sim, meu sonho querido,
Que o nosso belo e lúcido passado
Foi um único abraço comprimido,
Foi um beijo, por meses, prolongado.
E foste sepultar-te, ó serafim,
No claustro das Fiéis emparedadas,
Escondeste o teu rosto de marfim
No véu negro das freiras resignadas.
E eu passo tão calado como a Morte
Nesta velha cidade tão sombria,
Chorando aflitamente a minha sorte
E prelibando o cálix da agonia.
E, tristíssima Helena, com verdade,
Se pudera na terra achar suplícios,
Eu também me faria gordo frade
E cobriria a carne de cilícios.”
Source: Cânticos do Realismo e outros poemas
“li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
¿e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não,
que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela,
a paixão grega”
Source: Poemas Completos
“A pior das solidões é a dentro da cabeça.”
Source: Rosa
“O homem que fugiu
fugiu da lei
que estrada o vestiu
não sei
Acredito que era
o gémeo
de um pássaro alerta
com a cabeça
a prémio
O homem que fugiu
é meu
se alguém o pariu
devo ter sido
eu
sua amante-mãe
mulher
que inventa o que ele vê
e o fere
O homem que fugiu
ganhou ao jogo
a mão incrustada
com que rouba
o fogo
e vos rasga o sono
em tiras
para que não sonheis
mentiras”
Source: Poesia, 1960-1989 (Documenta poética)
“XCII
Voltam a miséria e a ruína
A amargura corre pela Pátria
O rei foge à cruel chacina
Longe desta terra milenária.
Terra de Camões, santa mãe divina
Cuja fé houvera da Samária.
No Brasil vivia-se em beleza
E por cá chorava-se de tristeza.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXIX
Perante a situação tão turbulenta
O ferro, o fogo, os outros elementos
Aguardam o trovão da dura tormenta
Que pela ambição de seus regimentos
Se espera tão cruel como opulenta,
Na espada confiando seus assentos!
Glória eterna espera tal peleja
Sendo no Olimpo, o que se deseja!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXX
Tenta-se a todo o transe evitar
Que a invasão nos traga nova ruína,
Mas já soam as fortes trombetas no ar,
Lá longe em cada monte e ravina!
A fúria napoleónica de matar,
Corre para a Lisboa citadina,
Ante a confusão e o espanto geral
Abandona o País a família real!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXI
Mas não é só a real família
Que foge ao poderoso invasor francês,
Pois foi tão grande e triste a ignomínia
Que a própria nobreza também o fez,
Além dos ricos, a criadagem, quem diria,
A hora da deserção tivera a sua vez!
Que malfadadas horas nos chegavam,
Que seus filhos, a Pátria abandonavam.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXII
Enquanto para o Brasil aqueles se iam,
Por mais incrível que o dilema pareça
Os que cá ficavam, o invasor recebiam,
Sem temor que algo lhes aconteça,
pois de libertadores se tratariam
E não inimigos a quem se obedeça!
Junot entrava desta maneira em paz,
Com arrogância ignóbil mas eficaz.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXIII
Olhando espantado gente tão mesquinha
Que por sua honra, fama e perigos
Trouxera até do inferno, e que tinha,
Mostrava um juízo pobre aos inimigos
Agora que tal zelo não convinha,
Por respeito a seus valores antigos!
Marte não acreditava no que via
Ficando mudo perante tal apatia!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXIV
Se tal imagem nos fica da primeira
Pela fama trazida pelo invasor
Justiça seja feita por inteira
Àqueles que por seu imenso valor
Tal medida houveram por conselheira,
Por seu interesse achado superior!
Assim como Prometeu fora agrilhoado
Estava o povo lusitano amarrado!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXV
Quantos heróis tivera esta Pátria
Que sua vida por ela sacrificaram
Quantas gerações por sua ousadia
Tão ilustre herança nos legaram
Quanto esforço e tanta valentia
Para dar ao mundo o que ganharam!
Olhai as quinas da bandeira de Cristo
Como símbolo de milagre jamais visto!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXVI
Que diriam Viriato e os Afonsinos,
O grande Nuno e o sábio Infante,
E tantos outros que com os seus desígnios
Sempre se lançaram foram por adiante…
Recorde-se os Montes Herminios,
Recorde-se Aljubarrota e o Gigante,
A odisseia do grande Vasco da Gama
As lutas que tiveram pela sua fama!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXVII
Certamente que nunca creditariam
Nem nós se já tivéssemos vivido,
Que seus filhos, seus netos, nada fariam
Para impedir o ultraje ora havido…!
Contudo a fé, a coragem, voltariam,
Aquele povo glorioso e tão temido,
Por sua honra não ter nenhum respeito
A quem tal agravo forçou do mesmo jeito!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXVIII
Chamando a si toda a força e arte
Que outrora Marte e Apolo nos legaram
Recordando a antiga musa por toda a parte
Toda a fama que tantos honravam
Com razão natural, ao grande Vate
As espadas e lanças lhe mostraram
Garantindo sua fé e seus clamores
Por sua glória, sua vida e seus amores!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LXXXIX
Uma vez mais nessas ninfas podem ver,
O porquê deste povo tão valoroso!
Sua miséria e pobreza vão erguer,
A espada desse Tejo glorioso,
Que em suas águas guarda o nobre saber,
Do segredo que o tornou famoso!
Ergue-se o luso de peito já criado,
Lançando seu desafio de punho cerrado!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XC
Ajudados pelos astutos ingleses
Os nossos despertam de sua torpeza
Desbaratam p´la força os Franceses
Não sendo tão grande sua fraqueza…
Pois que neste Reino muitas vezes
Quis Deus que do Céu viesse a firmeza
Vencendo a cobiça pela guerra
Como antes a fama já o fizera!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCI
Se com Junot não terminou a guerra
Soult e Massena pela vida temeram
Todos voltaram para sua terra
Porque de enganos tão só viveram
Como a vergonha neles encerra
Aquela glória que não tiveram!
Como o fero Nuno se mostrou outra vez,
O valor, a razão de ser português!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCIII
Logo após a expulsão do invasor,
Recordando grandes e altos feitos
Que ainda hoje, se guardam com fervor
Um grupo de pescadores dá o peito
Ao indómito e Velho Adamastor
Contra ele arrastando de seu jeito,
Neptuno levaram de vencida
Tal a sua força na hora de partida.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCIV
Se à partida nada iam descobrir
Mas tão somente o Rei avisar
Que o perigo deixara de existir
Que à Pátria podia regressar
Não foi menor seu risco de partir
Contra os ventos e as ondas do mar
Pois que ainda hoje reza a fama
Mostraram ser dignos do grande Gama.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCV
Arrastando contra ventos irados
Que outrora arrastaram seus irmãos…,
A terras de Santa Cruz são levados,
Chegando um dia sem água, sem pão!
Nunca igual feito fora ousado,
Em barco de tão pequena construção,
Tão grande foi a glória ingente
Que o rei os recebeu de contente.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCVI
Perante este acto de loucura
Ao Rei e à Corte se deu a conhecer,
Que o País pela sua honra e bravura
O invasor obrigara a ceder.
Terminara a grande amargura,
O drama da liberdade de viver
A fé renovava os leais corações
Que tão longe mantinham suas ilusões!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCVII
Com a real família no Brasil
Novas medidas, de lá são tomadas
Vê-se Portugal em dependência servil
Por força de gentes mui ousadas
Tal situação torna-se difícil,
Como noutras ocasiões passadas…!
Já o mesquinho inglês dominava
E esta terra não abandonava.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCVIII
Vivendo numa profunda tristeza
Fatigado p´la força do destino
Mostrou o povo por sua nobreza
Tocado por um amante divino
Que o duro inglês pela riqueza
Se tornara mísero e felino
Choravam as ninfas de amargura
P´ro Magriço deixar a sepultura”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“XCIX
O descontentamento era geral
A força da Nação que sempre fomos
Desperta nosso orgulho nacional…
Fé, honra e glória retomamos
Surgindo a revolução liberal
Revolução que, como timidez, abraçamos!
Nasce assim a primeira Constituição
Que de mal vigora por imposição.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“C
Contemplando lá do alto com pesar
Desse Olimpo outrora famoso
Os inimigos desta gente do mar
Que venceram até o tenebroso
Júpiter procura não só sossegar
Mas dar ao Lusitano ambicioso
De Hércules sua força lendária
De Minerva a verdade necessária.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CI
Neste reino que as chagas não curava
Por sua fraqueza tão turbulenta
O estrangeiro, sem motivo ocupava,
O que a nossa razão mais representava!
Aos nossos tal injustiça se mostrava,
Como indigna do povo por fraudulenta!
Rompendo aquele poder de cristal
Nossa vontade volta ao seu normal!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CII
O Rei é intimado a regressar
Deixando o filho como regente!
Esta atitude, vem logo complicar
O que atormentava nossa gente!
Obrigam o Príncipe a regressar
Para aprender o que era corrente.
As novas ideias e sua essência,
O Brasil conduzem à independência.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CIII
Perante tal gesto, firme e já cuidado
Se levanta seu filho, de valor, generoso!
No Ipiranga mostra ser ousado
Dando o peito ao corno temeroso!
A revolta é um facto consumado
Que a isso o irmão antigo é forçoso
Desperta a ira da sua amada gente
Dando-lhes uma Nação nova, diferente…”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CIV
Morto o Rei volta de novo a guerra
Diferente das havidas até então
Luta fratricida por esta terra,
Sem prego, jugo, nem vitupério, qual razão
Que não seja o poder qu´ela encerra
Pelo qual não se encontra solução…
Sentiram a destruição de Marte
Aqueles que optaram por sua arte.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CV
Mas na solução era consagrada
Em lei na Carta Constitucional,
Pelos Miguelistas já é notada
A cilada do partido liberal…
E por sua vontade é proclamada
Pelas Cortes a nível nacional
Que se regressa ao absolutismo
Contra a Carta e o inconformismo”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CVI
Porque a guerra é brava e triste
Pedro, sereno e ledo, não medroso,
À terceira arrima e não desiste
Levando seu exército generoso
Ao Mindelo, nunca tal furor viste
Por tomar aquele Reino famoso
Assim caminha com Eolo por diante
mostrando sua fé determinante.”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CVII
No Porto cercado não se movia
pois o inimigo era superior
mas eis que revela grande valia
Ao confundir seu feroz opositor!
Sem conselho com razão fazia
que por seu esforço era sabedor
Manda ao Sul uma expedição naval
Que lhe vai dar a vitória final!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“CVIII
Em Évora Monte assina-se a Convenção
Que põe termo ao antigo regime
E que não mais voltará a esta Nação!
O liberalismo estava firme,
Dele se esperava na geração
Que pusesse fim ao roubo e crime
Marte parecia acalmar sua ira
Afastando-se o medo, a mentira…”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“IL
Ouro, o metal que só gera inveja…,
O ódio, o atropelo, a vingança,
A cobiça só por si, mais não seja,
Neste ideal aterrou, qual lança!
E quem mais poder tem, mais deseja,
E o que os olhos vêem já não cansa,
Ao ouro vieram os diamantes,
Especiarias, tal como dantes!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“L
Época de faustosa riqueza,
Ouro e as pedras preciosas,
Transformaram a humana bruteza
Num rol de ostentações deleitosas,
Levantando a fama que se preza
Como belas ninfas tão formosas.
Outra imagem, honras alcançando,
De tal sorte nossa gente mostrando!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LI
Se o silêncio não cala a fama
E a fortuna liberta o coração…
Mafra, mostra glória que emana
Pl´a grandeza e força da razão,
Virtude singular da sua chama
Que vence o poder, a ambição!
Nossa evolução era perigosa,
Difícil, rica, bela, ardilosa!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LII
Teve D. João V em seu reinado
A sorte de desenvolver o País
Como jamais outro antepassado!
Esbanjando riqueza como quis,
O pouco que fez, não desejado,
Não o impediu de se mostrar feliz!...
Foi o reinado em meu entender
Dos piores que me fere dizer!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LIII
A Corte que com modéstia vivia
Passou ao esplendor, fausto, ostento…
Esqueceu-se a economia…,
O ouro ia-se como o vento…,
Pr´as finanças, problema não havia,
A Europa previa o advento!
Qu´outra coisa podia esperar
Com tanta riqueza sempre mostrar!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LIV
Lá longe… Brasil, ouro reluzente,
O primeiro sinal de revolta!
O grito do Ipiranga já se sente,
A revolução já anda à solta!...
Paga o Alferes Tiradentes…
Enquanto a outros se dá folga!
Executado com honra, heroísmo…
Símbolo do Brasil… patriotismo!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LV
Por cá, ventura e preocupação
Pr´o divino prestígio perdido!
Em Espanha lutamos na sucessão
Contra a França, sem um sentido!
Vencemos a dor do Cabo Matapão
Pl´os Venezianos, a seu pedido,
Relembrando grandes…, altos feitos…,
Entre trabalhos, perigos… tão estreitos!”
“LVI
Com o Papa nos vimos envolvidos
Com solução justa e favorável.
Por caminhos de luz, não perdidos,
Buscando nas estrelas gesto amável
Dos Deuses por todos conhecidos,
Afastar o suplício condenável.
Urge, pr´a lá do régio absolutismo
Vencer o vassalo inconformismo!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LVII
Que estranha sina a nossa Senhor!...
Oh! A paz, a riqueza nos agraciavas,
Eis as desprezamos p´lo seu esplendor,
P´la cegueira, mais prestígio e dádivas…!
Sem pensarmos no teu santo favor
De tomar terras, corações que amavas!
Que grande dor terá sido a tua…
Veres filhos de mente tão nua!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LVIII
Nem o convento que por Ti feito,
Nem obras de tanta fé e valor,
Vão um dia, apagar do teu peito,
Chama que o tornou braseiro e dor!
Uma ilusão de triunfo, preito…
Título de fidelíssimo dador
Sua Santidade, Benedito
Clamou como puro e bendito!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada
“LIX
Triunfo sim! O tratado de Madrid!
Que sábia visão em Portugal…
A Amazónia, que só por si,
À diplomacia punha sem igual!
Mas esta deixou-o ficar por aqui…
Invés a Inquisição, a bem ou mal,
O País, às novas ideias, isolava!
Na Europa outro vento soprava…!”
Source: Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada