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The Book of Disquiet

Book by Fernando Pessoa · 24 quotes · Life, Thinking, Soul

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The Book of Disquiet Quotes

“Todo o homem de acção é essencialmente animado e optimista porque quem não sente é feliz. Conhece-se um homem de acção por nunca estar mal disposto. Quem trabalha embora esteja mal disposto é um subsidiário da acção; pode ser na vida, na grande generalidade da vida, um guarda-livros, como eu sou na particularidade dela. O que não pode ser é um regente de coisas ou homens. À regência pertence a insensibilidade. Governa quem é alegre porque para ser triste é preciso sentir.”

“Tenho a náusea física da humanidade vulgar, que é, aliás, a única que há. E, capricho, às vezes, em aprofundar essa náusea, como se pode provocar um vómito para aliviar a vontade de vomitar. A intriga, a maledicência, a prosápia falada do que se não ousou fazer, o contentamento de cada pobre bicho vestido com a consciência inconsciente da própria alma, a sexualidade sem lavagem, as piadas como cócegas de macaco, a horrorosa ignorância da inimportância do que são...”

“Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insciência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: «é o que a gente leva desta vida»... Leva onde? leva para onde? leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta... Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assim é, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costoletas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para que céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente? Não conheço frase mais trágica nem mais plenamente reveladora da humanidade humana. Assim diriam as plantas se soubessem conhecer que gozam do sol. Assim diriam dos seus prazeres sonâmbulos os bichos inferiores ao homem na expressão de si mesmos.”

“Seeing myself from the outside (as I almost always do), I'm unfit for action, flustered when I have to take a step or make a move, tongue-tied when I have to talk to someone, lacking the inner lucidity needed to enjoy things that require mental effort, and without the physical stamina to entertain myself through some merely mechanical labour. It's only natural that I'm this way. A dreamer is expected to be this way. All reality disconcerts me.”

“We never disembark from ourselves. We never attain another existence unless we other ourselves by actively, vividly imagining who we are. The true landscapes are those that we ourselves create since, being their gods, we see them as they truly are, which is however we created them. None of the four corners of the world is the one that interests me and that I can truly see; it’s the fifth corner that I travel in, and it belongs to me.”