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H Quotes

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“Há-de vir um Natal e será o primeiro em que se veja à mesa o meu lugar vazio Há-de vir um Natal e será o primeiro em que hão-de me lembrar de modo menos nítido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que só uma voz me evoque a sós consigo Há-de vir um Natal e será o primeiro em que não viva já ninguém meu conhecido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem vivo esteja um verso deste livro Há-de vir um Natal e será o primeiro em que terei de novo o Nada a sós comigo Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem o Natal terá qualquer sentido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que o Nada retome a cor do Infinito”

“Há dois deveres em relação à nossa arquitetura nacional cuja importância é impossível superestimar: o primeiro, tornar a arquitetura atual, histórica; e o segundo, preservar, como a mais preciosa de todas as heranças, aquela das épocas passadas. É em relação à primeira dessas duas orientações que a Memória pode ser verdadeiramente considerada como a Sexta Lâmpada da Arquitetura.”

“Há dois tipos de Deus: o que nasce da barriga vazia e o que nasce da barriga cheia. O primeiro é vazio, terroso, carnal, necessário para criar uma sensação de amparo e justiça num mundo em que não há nada disso. O segundo é um luxo, fruto de elucubrações. Não precisamos dele, mas ainda assim fazemo-lo existir. É feito de argumentos. Nasce de barrigas cheias. No primeiro, acreditamos com o corpo, com o fígado, com o estômago, com os rins e com o sangue. No segundo acreditamos com a cabeça. O primeiro tem mãos, unhas encardidas, barbas e relâmpagos no voz. O segundo não tem forma, nem corpo, nem nome.”

“Há essa presunção em quem se sente predestinado às artes, sobretudo à literatura: trabalha-se como alguém que tivesse recebido uma investidura, mas de fato ninguém jamais nos investiu de coisa nenhuma, fomos nós que demos a nós mesmos a autorização para sermos autores, mas lamentamos quando os outros dizem: essa ninharia que você fez não me interessa, aliás, me entedia, quem lhe deu o direito.”

“Há mais de dois mil e quinhentos anos nasceu no Nepal um homem chamado Siddharta Gautama, um príncipe pertencente a uma casta nobre e que vivia num palácio. Ao constatar, porém, que para lá do palácio a vida era feita de sofrimento, Siddharta abandonou tudo e foi para a Índia viver numa floresta como um asceta, dilacerado por uma pergunta: 'para quê viver quando tudo é dor?' Durante sete anos deambulou pela floresta em busca da resposta a essa pergunta. Cinco ascetas convenceram-no a jejuar, por acreditarem que a renúncia às necessidades do corpo criaria a energia espiritual que os conduziria à iluminação. Siddharta jejuou tanto que ficou esquelético e o seu umbigo tocou-lhe na coluna vertebral. No final, constatou que o corpo necessita de energia para alimentar a mente na sua busca. Decidiu, por isso, abandonar os caminhos extremos. Para ele, o verdadeiro caminho não era o da luxúria dos dois extremos. escolheu antes o caminho do meio, o do equilíbrio. Um dia, após banhar-se no rio e ao comer um arroz-doce, sentou-se em meditação debaixo de uma figueira, uma árvore da iluminação, a que chamam Bodhi, e jurou que não sairia dali enquanto não atingisse a iluminação. Após quarenta e nove dias de meditação, chegou a noite em que alcançou finalmente a clarificação final de todas as suas dúvidas. Ele despertou por completo. Siddharta tornou-se Buda, o Iluminado.”

“Há militares que acusam os responsáveis políticos de serem ignorantes nos assuntos militares e de não respeitarem a especificidade própria da condição militar, o que infelizmente tem acontecido; e há políticos que acusam os militares de não quererem adaptar-se a novas situações e de serem inimigos da mudança, o que também tem ocorrido.”

“Há muitas amizades, Nininho, mas amizades sinceras capazes de todos os sacrifícios, há-as bem poucas. As raparigas de hoje pensam mais noutras coisas do que em afeições verdadeiras. Tudo nelas é fictício. [...] vejo a maneira de se apresentarem e oiço-lhes as conversas com as amigas íntimas e com as mamãs e até mesmo a mim já me têm feito certas confidências. 13-3-1930”

“Há muito a teoria que o humor negro é dizer umas coisas agressivas para chocar, e acho que isso foi sendo deturpado ao longo do tempo. Quanto mais negro, mais inteligente tem de ser o humor, para equilibrar a coisa. Se for só violento, é bullying, não é humor. E eu sou um fervoroso adepto do humor negro, pratico-o bastantes vezes. – Bruno Nogueira”

“Há no violino — quando não se vê o instrumento e não se pode ligar o que se ouve à sua imagem, coisa que modifica a sonoridade — acentos que lhe são tão comuns com certas vozes de contralto, que se tem a ilusão de que uma cantora veio juntar-se ao concerto. Erguemos os olhos e só vemos as caixas dos violinos, preciosas como estojos chineses, mas, por um momento, ainda nos iludimos com o enganoso apelo da sereia; às vezes também se julga ouvir um gênio cativo que se debate no fundo da sábia caixa, enfeitiçada e fremente, como um diabo numa pia d’água benta; ou então é no ar que o sentimos, como um ser sobrenatural e puro que passasse desenrolando a sua invisível mensagem.”