Quotessence
Home / Books / Kitchen Confidential: Adventures in the Culinary Underbelly

Kitchen Confidential: Adventures in the Culinary Underbelly

Book by Anthony Bourdain · 50 quotes · Anthony Bourdain, Kitchen Confidential, Cozinha

Filter quotes by topic

Kitchen Confidential: Adventures in the Culinary Underbelly Quotes

“I'm asked a lot what the best thing about cooking for a living is. And it's this: to be a part of a subculture. To be part of a historical continuum, a secret society with its own language and customs. To enjoy the instant gratification of making something good with one's hands--using all one's senses. It can be, at times, the purest and most unselfish way of giving pleasure (thought oral sex has to be a close second).”

“We knew well how much these people were paying for cocaine - and that the more coke cost, the more people wanted it. We applied the same market plan to our budding catering operation, along with a similar pricing structure, and business was suddenly very, very, good.”

“We are, after all, citizens of the world - a world filled with bacteria, some friendly, some not so friendly. Do we really want to travel in hermetically sealed popemobiles through the rural provinces of France, Mexico and the Far East, eating only in Hard Rock Cafes and McDonald's? Or do we want to eat without fear, tearing into the local stew, the humble taqueria's mystery meat, the sincerely offered gift of a lightly grilled fish head? I know what I want. I want it all. I want to try everything once. I'll give you the benefit of the doubt, Senor Tamale Stand Owner, Sushi-chef-san, Monsieur Bucket-head. What's that feathered game bird, hanging on the porch, getting riper by the day, the body nearly ready to drop off? I want some.”

“Who's cooking your food anyway? What strange beasts lurk behind the kitchen doors? You see the chef: he's the guy without the hat, with the clipboard under his arm, maybe his name stitched in Tuscan blue on his starched white chef's coat next to those cotton Chinese buttons. But who's actually cooking your food? Are they young, ambitious culinary school grads, putting in their time on the line until they get their shot at the Big Job? Probably not. If the chef is anything like me, the cooks are a dysfunctional, mercenary lot, fringe-dwellers motivated by money, the peculiar lifestyle of cooking and grim pride. They're probably not even American.”

“What most people don't get about professional-level cooking is that it is not all about the best recipe, the most innovative presentation, the most creative marriage of ingredients, flavours and textures; that, presumably, was all arranged long before you sat down to dinner. Line cooking - the real business of preparing the food you eat - is more about consistency, about mindless, unvarying repetition, the same series of tasks performed over and over and over again in exactly the same way.”

“To want to own a restaurant can be a strange and terrible affliction. What causes such a destructive urge in so many otherwise sensible people? Why would anyone who has worked hard, saved money, often been successful in other fields, want to pump their hard-earned cash down a hole that statistically, at least, will almost surely prove dry? Why venture into an industry with enormous fixed expenses (...), with a notoriously transient and unstable workforce, and highly perishable inventory of assets? The chances of ever seeing a return on your investment are about one in five. What insidious spongi-form bacteria so riddles the brains of men and women that they stand there on the tracks, watching the lights of the oncoming locomotive, knowing full well it will eventually run over them? After all these years in the business, I still don't know.”

“A restauração tem uma atitude bastante descontraída a respeito do sexo ocasional, e há bastantes empregadas simpáticas e bonitas, a maioria delas candidatas a atriz sem qualquer talento, para quem a relação sexual com tipos mais velhos e menos atraentes não é uma atividade completamente desconhecida.”

“Gosto de contar a pessoas selecionadas algumas coisas supostamente confidenciais, algumas vezes por semana, só pela piada. Mais tarde, quando essas histórias voltam para mim, fornecem-me um interessante mapa do percurso da transferência de informação, uma ingestão de bário, a revelar quem delata quem.”

“A ideia era contratar para a minha equipa a maior quantidade possível de ajudantes leais – rapazes e raparigas que respondessem diretamente perante mim, em quem pudesse confiar para me protegerem a retaguarda – antes que o gerente da cozinha me impingisse os tipos dele, malta que não me diria nada se o meu cabelo estivesse a arder, e muito menos se havia alguém à minha espera com a faca pronta.”

“Já tinha visto gangsters antes, é claro, mas nunca tinha trabalhado numa casa que era completamente mafiosa, onde acabei por conhecer pessoalmente verdadeiros wise guys, cujos nomes saíam nos jornais. (…) Também não posso dizer que fosse um arranjo desagradável; pelo menos desta vez sabia que os meus cozinheiros iam aparecer para trabalhar todos os dias, porque se não fossem voltavam para a prisão.”

“Tinham sido três tentativas, três falhanços, três restaurantes. Felizmente ainda era novo, e portanto podia descansadamente culpar outros fatores pela minha baixa percentagem de sucesso: maus donos, má localização, clientes feios, decoração horrível… Não me incomodava. Ainda tinhas esperanças.”

“Pela primeira vez vi como dois tipos amados, divertidos e famosos podem acabar por ser menos amados, não tão divertidos e muito menos famosos por tentar fazer nada mais do que aquilo que os amigos lhes disseram que eles eram bons a fazer. Tenho a certeza que se desfizeram amizades. Amigalhaços leais deixaram de aparecer, causando sentimentos reais de traição e amargura. No fim, acho eu, todos nós os deixámos mal.”

“Abri o Post e vi uma fotografia da mulher do meu antigo patrão, enrolada no toldo de um restaurante chinês no Upper East Side. Parece que ela tinha executado um duplo salto a partir da janela do seu apartamento nas alturas e não conseguira chegar ao pavimento. Portanto, acho que afinal, não era assim tão feliz.”

“Qualquer sonho que eu pudesse acalentar sobre a magia de uma grande, famosa e elegante cozinha nova-iorquina foi substituído pelo orgulho triste dos expedientes criativos e pela satisfação técnica de ser suficientemente rápido para aguentar e safar-me com truques, mentiras e disfarces.”

“Uma frigideira de saltear como deve de ser, por exemplo, deve ser capaz de causar sérios estragos cerebrais se baterem com ela na cabeça de alguém. Se têm sérias dúvidas sobre qual é que se vai amachucar – a cabeça da vítima ou a sua frigideira – então atirem a frigideira para o lixo.”

“Todas as grandes descobertas da cozinha tradicional, os primeiros tipos que comeram miúdos de vitela, ou experimentaram queijo Stilton não pasteurizado, ou descobriram que os caracóis afinal sabem bem com bastante manteiga de alho, eram todos temerários e inovadores, ou estavam desesperados.”

“Os clientes de fim de semana são vistos universalmente com uma certa suspeita, mesmo desprezo, tanto pelos cozinheiros como pelos empregados; são os parolos, os tansos, os provincianos, os comedores sôfregos, os que dão más gorjetas, os suburbanos a caminho do teatro, chegados à cidade para ver o Cats ou Les Misérables e nunca mais voltar. Por outro lado, os clientes dos dias úteis da semana são a equipa da casa – potenciais clientes regulares, a quem todos os envolvidos querem fazer felizes.”

“Reparem no rosto do empregado. Ele sabe. É mais uma razão para ser delicado com o empregado; ele pode-lhes salvar a vida com um simples subir de sobrancelha ou uma piscadela. Se gostar de vocês, talvez os impeça de pedir um peixe que ele sabe que lhes vai fazer mal. Por outro lado, talvez o chefe lhe tenha dado ordem, sob pena de morte, de andar com aquele bacalhau antes que comece realmente a feder. Observem a linguagem corporal e tomem nota.”

“O peixe é um negócio complicado. O snapper vermelho pode custar ao chefe apenas oito euros por quilo, mas esse valor inclui as espinhas, a cabeça, as escamas e tudo o mais que é cortado e deitado fora. Pronto, o preço real de cada filete limpo custou ao chefe mais do dobro daquela quantia e, assim, ele realmente prefere vendê-lo a deitá-lo no lixo. Se ainda não cheirar mal na segunda-feira à noite, você irá comê-lo.”

“Quanto mais exótico é o manjar, mais aventuroso é o verdadeiro gourmet e maior a probabilidade de algum incómodo posterior. Não me vou negar aos prazeres de uma morcela, ou de um sashimi, ou mesmo de uma ropa vieja na tasca cubana, só porque às vezes não me sinto muito bem algumas horas depois.”

“Quando alguém à procura de trabalho como cozinheiro me diz que se sente feliz e estimulado com a cozinha do Anel do Pacífico, vejo logo problemas pela frente. Mandem-me mas é outro lavador de pratos mexicano. Posso ensiná-los a cozinhar. Não lhes posso ensinar a ter personalidade. Apareçam no trabalho a horas durante seis meses seguidos e poderemos falar de pasta de caril vermelho ou de erva das Índias Orientais. Até lá, tenho três palavras para eles: «Calem-me essa boca!»”

“A última coisa que o chefe quer num cozinheiro de linha é um inovador, alguém com ideias próprias que irá estragar as suas receitas ou as suas apresentações. Os chefes exigem cegueira, lealdade próxima do fanatismo, costas fortes e uma consistência de autómato para executar as tarefas dentro de uma situação de combate.”

“Parece que a recruta e o vietcong não eram tão maus como os dez minutos com o chefe Bernard. (…) Mas eu gostava do chefe Bernard e respeitava-o. Sabia-me bem trabalhar sob as suas ordens. E aquele gordo filho da mãe não me assustava. E ele sabia-o. Podia ter-me aberto a cabeça ao meio com um tacho que eu teria sorrido com os dentes partidos. Acho que ele via isso, e estragava-lhe o prazer todo.”

“Os poucos heróis culinários que havia no Dreadnaught eram admirados mais pela sua resistência em combate – medida pelo número de pratos servidos numa noite, quantidade de dor e de calor suportados, número de empregadas comidas e cocktails consumidos sem efeitos aparentes. Esses eram os valores compreendidos e apreciados.”