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E Quotes

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“Eu era linda, mesmo aos catorze anos. Ah, eu sei que o mundo prefere mulheres que não tem noção do próprio poder, mas estou de saco cheio disso. A verdade é que quando eu passava, as pessoas olhavam. Eu não tinha orgulho nenhum disso. Não fui eu que fiz meu rosto assim. Nem o meu corpo, Mas também não vou sentar aqui e dizer 'Aí, sério? As pessoas me achavam bonita mesmo? Como uma garotinha fútil.”

“Eu escrevo meus sonhos, o que eu consigo lembrar. É difícil lembrar de sonhos, eles escapam, eles explodem. Mas se você as escreve logo depois de acordar, as imagens são supremas, sublimes, transcendentes; é poesiaem estado bruto. O maior cineasta que existe é o ser dentro de nós, o que sonha, aquele que vive dentro de um sonho, o invisível, aquele que não dá a mínima. Nosso ser físico, essa coisa aberta e corporal é tão fodidamente consciente. Eu desejo que eu só possa existir nesse ser interior. Estou no meio de um sonho agora. Estou em uma zona híbrida. Estou tentando terminar um filme. Eu não sei se posso realmente terminar. O cinema não é feito de nenhuma certeza matemática para mim. Ainda estou tentando encontrar suas origens. Isso torna o cinema infinito. A vida é misteriosa, mas é bastante precisa, pois a morte é uma certeza absoluta. Mas o cinema é o grande continuum; é imortal; pode recriar a vida; imortaliza o ser; não há morte. Eu estou falando sobre o cinema maior, um cinema que não é metódico, um cinema que é gratuito. Eu estou falando sobre o ser interior. Sou solidário com o cinema maior; eu me esforço para estar no domínio do ser interior, o cineasta invisível, o cineasta que não sabe nada. Cara, isto faz algum sentido?” LAV DIAZ”

“Eu escrevo um caixão de gravetos, uma toca de terra; papiro para untar meus restos mortais. Eu escrevo uma salva de saudade, um funeral de flores; epitáfio para demarcar onde a vida morre em paz. Eu escrevo um esqueleto de cálcio sobre o qual nasço, cresço e morro. Você, antropólogo forense, leia meus ossos e relate em corte marcial os crimes e torturas que a vida e o homem afligiram a minha pessoa.”

“Eu estava ali a olhar para tudo. Ele avançou para mim, cambaleando. Os dois negros atrás olharam admirados. Ele chegou-se. Conservei-me quieto. O seu hálito tocava-me. Suportei tudo e inconscientemente sorri. Ele despertava em mim todas as imagens da minha infância. Por isso eu sorria, com um sorriso que o tocou. Olhou bem para mim e bateu-me no ombro. — Olá, pá, não pagas nada? E eu vi no brilho dos seus olhos mortiços e raiados de sangue que me tinha reconhecido. E na noite quente, eu e ele falámos muito, toldados ambos pelo palhete da taberna. Nunca me soube tão bem vinho palhete! Um encontro de acaso! Cá fora, sumindo-se na escuridão, negra como eles, os dois amigos cambaleavam abraçados. E o da harmónica tirava do instrumento uma música que parecia arroto de bêbado através de palhetas, mas que no fundo era a canção de todos nós, meninos brancos e negros que comemos quiquérra e peixe frito, que fizemos fugas e fisgas e que em manhãs de chuva deitávamos o corpo sujo na água suja e de alma bem limpa íamos à conquista do reduto dos bandidos do Canaxixe.”

“Eu estava me aprofundando na teologia e estudando as raízes da Bíblia, mas então comecei a descobrir a natureza humana dela. Comecei a ver coisas que me fizeram perguntar: ‘Deus está realmente falando através deste instrumento?’ Meus olhos se abriram para a realidade de que a Bíblia é apenas um documento para controlar as pessoas.” - Woody Harrelson”

“Eu estava tão exausto, e me passavam tantas coisas pela cabeça, que, ali deitado, cheguei a pensar que fosse enlouquecer. Ficava me perguntando se um dia alguém ia nos salvar de tudo. Se, mesmo em casa, eu ia saber o que fazer com a minha vida, com toda ela. Não conseguia achar as respostas dentro de mim, então não me restavam muitas coisas, e comecei a rezar. Mas, na verdade, eu sabia que só estava tentando pegar no sono.”

“Eu giro em todos sentidos e direções, mas ao atravessar determinado meio a matéria do mesmo esquarteja-me retendo fragmentos cinéticos de mim e com o pescoço travado pela polarização eu mal consigo olhar pros meus irmãos capturados enquanto rumo adiante ou individuo-me múltiplas vezes para vias distintas em função de alguma arbitrariedade discriminante qualquer.”

“Eu ia imaginando o interrogatório todo, repetidamente, as perguntas deles, minhas respostas. Mas e se eles não acreditassem? Não, eles iam acreditar, porque eles [árabes] entendem a fórmula do terrorismo melhor do que os americanos, e têm mais experiência. A barreira cultural entre o mundo cristão e o muçulmano ainda afeta consideravelmente a abordagem americana da questão. Os americanos são propensos a ampliar o círculo de envolvimento para capturar o maior número possível de muçulmanos. Falam sempre da Grande Conspiração contra os Estados Unidos. Eu mesmo fui interrogado a respeito de gente que apenas pratica os princípios da religião e simpatiza com movimentos islâmicos; pediram-me cada detalhe sobre os movimentos islâmicos, ainda que moderados. Isso é surpreendente num país como os Estados Unidos, onde organizações terroristas cristãs como os nazistas e os suprematistas brancos têm liberdade para se expressar e recrutam pessoas abertamente sem que ninguém os incomode. Mas como muçulmano, se você simpatizar com as opiniões políticas de alguma organização islâmica, vai ter sérios problemas. Até mesmo frequentar a mesma mesquita de um suspeito é grave problema. Quero dizer que esse fato é claro para qualquer pessoa que entenda o ABC da política americana para o chamado Terrorismo Islâmico.”

“Eu já estava conformada com a Coca-Cola. O garçom – descubro que ele também é brasileiro – percebe minha decepção. Cúmplice, piscando um olho, anuncia que, na falta de cerveja, pode me preparar uma caipirinha. Não está no cardápio, mas ele tem uma boa cachaça. Agradecida e feliz, aceito a sugestão. Esse garçom maravilhoso me ajuda a fazer o luto pela cerveja. Mas não é só porque me propõe uma caipirinha, coisa que eu sequer imaginava encontrar ali. Nem porque a caipirinha é tão boa quanto a cerveja. É porque o encontro com um ser humano empático, capaz de se identificar com a minha decepção, faz com que me sinta emocionalmente acompanhada na caminhada pela vida. Como já vimos, ninguém consegue realizar o luto sozinho. Se o garçom consegue empatizar com minha frustração, é porque também conhece essa dor. Imagine se ele me desse uma resposta sarcástica do tipo: “O que você acha, que é nossa única cliente?”. Não só não me ajudaria a fazer o luto, como azedaria meu passeio.”

“Eu mais que te decreto eu te estabeleço. Eu mais que te estabeleço eu te forneço. Eu mais que te forneço eu te cultivo. Eu mais que te cultivo eu te sobrevivo. Eu mais que te sobrevivo eu te vejo. Eu mais que te vejo eu te ouço. Eu mais que te ouço eu te toco. Eu mais que te toco eu te saboreio. Eu mais que te saboreio eu te inalo. Eu mais que te inalo eu te injeto. Eu mais que te injeto eu te penso. Eu mais que te penso eu te sinto. Eu mais que te sinto eu te pressinto. Eu mais que te pressinto eu te adivinho. Eu mais que te adivinho eu te decifro. Eu mais que te decifro eu te enigmatizo. Eu mais que te enigmatizo eu te oculto. Eu mais que te oculto eu te abrigo. Eu mais que te abrigo eu te instalo. Eu mais que te instalo eu te executo. Eu mais que te executo eu te morro. Eu mais que te morro eu te sofro. Eu mais que te sofro eu te aprecio. Eu mais que te aprecio eu te amo. Eu mais que te amo eu te reivindico. Das próprias garras tentaculares do cataclisma.”