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O Quotes

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“O que eu gostaria de destacar aqui é que, na ânsia de manter o amor supostamente vivo, há quem mantenha o objeto amoroso distante, única maneira de preservá-lo, já que as coisas se gastam. Sabe aquela louça chique que fica guardada para a ocasião especial que não chega? Há quem trate amor como coisa e, assim, não viva a experiência amorosa no laço com o outro propriamente dito, mas sozinho, em fantasia. É o que chamamos de amor platônico. Uma fantasia amorosa que se preserva por uma distância. Talvez esse modo de viver o amor tenha alguma relação com o isolamento. Talvez esse modo de amar, por outro lado, preserve o que mais nos encanta no amor: a falta.”

“O que eu pensava sabia que o pensavam os outros. Quem sabe se havia os outros. Eu sentia-me pensar colectivamente. O meu terror, a minha angústia era de vários pensamentos ao mesmo tempo. (...) A sensibilidade que eu julgava minha pertencia a um conjunto, não tinha personalidade, porque era várias pessoas; nem localização, porque estava em vários lugares. Se eu pensava no Chefe, sentia todos atrás de mim: é que eu era o Chefe e ia eu à frente. Mas eu não era o Chefe, e ia no meio dos outros... Eu afinal onde ia? De que lado estava a noite? Isto acontecia na vida? A vida? Tudo estava longe como o dia e as formas da planície.”

“O que haveria em comum entre gastar e roubar? Num nível imediato, quando o gasto ocorre sem que haja fundos para bancá-lo, pode-se interpretá-lo como uma forma de roubo, aliás incentivada pelos mercados contemporâneos, que dependem de que as pessoas gastem um dinheiro que não têm. Em outro nível, as duas atividades envolvem tirar algo de um lugar significativo, de uma determinada loja de departamentos ou butique. É como se a pessoa comprasse sem pagar, e é comum os sujeitos maníacos descreverem sua sensação de um mundo de fartura, de suprimentos, um mundo em que as coisas não acabam. Jamison escreveu que, em suas orgias maníacas de compras, “eu não conseguia me preocupar com o dinheiro nem se quisesse. E, assim, não me preocupava. O dinheiro viria de algum lugar; eu tinha aquele direito; Deus proverá.” A paciente de Jacobson dizia que “o mundo é tão rico que não tem fim”. Para Duke, na mania, “vamos ser milionários, e acreditamos nisso”. Nas palavras de um de meus pacientes, ao falar de cigarros, um dia: “O problema do cigarro é que a gente sempre tem mais.” No estado maníaco, o mundo parece generoso e clemente. Está tudo ali para ser tomado e desfrutado. Na verdade, é como se a pessoa fosse despojada de sua própria estrutura sociossimbólica, tanto religiosa quanto econômica. Desaparecem a ética de trabalho que é peculiar ao meio de origem daquela pessoa, o pudor ou a inibição compatíveis com sua cultura, e até, vez por outra, as proibições dietéticas de sua religião. Seu senso de vitalidade e energia parece proporcional a essa perda: à medida que se desfaz das limitações das forças que a moldaram, ela “renasce”, e o mundo parece radicalmente novo e promissor. Mas, assim como a dívida para com a própria origem e história pode se suavizar subitamente no episódio maníaco, ela retorna com força na fase depressiva. Nessa hora, a pessoa fica tão aprisionada que, às vezes, literalmente não consegue se mexer. Quando os amigos bem-intencionados de Adams lhe diziam para sair mais, para procurar fazer umas caminhadas, o que não percebiam era que ele não conseguia nem sequer passar do portão da frente, a tal ponto estava paralisado. Se na euforia maníaca a pessoa pega alguma coisa sem pagar, agora ela paga, sem a menor dúvida. Não há como anular a dívida sem que ela retorne em suas formas letais, incapacitantes.”

“O que interessa é que Jesus teve um corpo de verdade. Para tornar-Se realmente humano, Ele teve de nascer, como escreve o apóstolo Paulo em Gálatas 4, de uma mulher e não somente através de uma mulher. Deus não usou Maria como uma "barriga de aluguel", mas usou o seu DNA. A expressão teológica usada para isto é "encarnação", e o princípio por trás é: o que Deus Se torna Deus redime. Deus tornou-Se o que somos — com um corpo de verdade — para que pudéssemos nos tornar filhos Dele. É por isso que o corpo terreno e verdadeiro de Jesus é importante para a nossa fé.”

“o que mais nos faz sofrer talvez seja justamente a relevância excessiva que atribuímos à nossa presença no mundo, pois essa relevância é a pedra de fundação de todas nossas obstinadas repetições, é graças a ela que insistimos em ser sempre “iguais a nós mesmos” (sendo que, no caso, essa expressão não tem um sentido positivo).”

“O que mais tememos não é o conhecido. O conhecido, por mais horrível ou prejudicial à existência, é algo que podemos compreender. Sempre podemos reagir ao conhecido. Podemos traçar planos contra ele. Podemos aprender as suas fraquezas e derrotá-lo. Podemos nos recuperar de seus ataques. Uma coisa tão simples quanto uma bala poderia ser suficiente. Mas o desconhecido desliza através de nossos dedos, tão insubstancial quanto o nevoeiro.”

“O que nos interessa aqui é a indicação de que a esfera da glória - cujo significado e cuja arqueologia procuramos reconstruir - não desaparece nas democracias modernas, mas desloca-se simplesmente para outro âmbito, o da opinião pública. Se isso é verdadeiro, o problema hoje tão debatido da função política dos media nas sociedades contemporâneas assume novo significado e nova urgência. Em 1967, com um diagnóstico cuja precisão nos parece, hoje, mais que evidente, Guy Debord constatava a transformação, em escala planetária, da política e da economia capitalista numa «imensa acumulação de espetáculos», em que a mercadoria e o próprio capital assumem a forma mediática da imagem. Se juntarmos as análises de Debord à tese schmittiana da opinião pública como forma moderna da aclamação, todo o problema do atual domínio espetacular dos media sobre qualquer outro aspecto da vida social aparecerá em uma nova dimensão... O que está em questão é nada menos que uma nova e inaudita concentração, multiplicação e disseminação da função da glória como centro do sistema político. O que ficava confinado às esferas da liturgia e dos cerimoniais concentra-se agora nos media e, por meio destes, difunde-se e penetra em cada instante e em cada âmbito, tanto público quanto privado, da sociedade. [Assim,] o Estado holístico fundado na presença imediata do povo aclamante e o Estado neutralizado resolvido nas formas comunicativas sem sujeito contrapõem-se apenas em aparência. Eles nada mais são que as duas faces do mesmo dispositivo glorioso em suas duas formas: a glória imediata e subjetiva do povo aclamante e a glória mediática e objetiva da comunicação social.”

“O que nós outros só vemos sob a influência da mescalina pode, a qualquer tempo, ser visto pelo artista, graças à sua constituição congênita. Sua percepção não está limitada ao que é biológica ou socialmente útil. Algo do saber inerente à Onisciência flui através da válvula redutora do cérebro e do ego e atinge sua consciência. Isso lhe dá um conhecimento do valor intrínseco de tudo que existe.”

“O que nós somos? Nós não somos porra nenhuma, somos é explorados. Diariamente tiram tudo da gente. Então esta descoberta do subdesenvolvimento a classe dominante tem que tomar conhecimento dela diariamente. Tem que saber dela. O instrumento que ela usa, publicidade, ao mesmo tempo é deformante; a matéria-prima da publicidade, a matéria-prima da classe dominante hoje em dia, é a insatisfação. Você ser classe dominante é ao mesmo tempo ter que promover a insatisfação. É verdade que um determinado tipo de insatisfação. Você não poder mais ser letárgico, não poder mais ser cabisbaixo e aceitante, mas ter que ser interventor, cria muitas contradições e muitas fissuras dentro do processo das classes dominantes e dos processos culturais, o processo em geral, da sociedade subdesenvolvida e do Brasil em particular. Eu acho que é nessas fissuras, nesses rachas, nessas incoerências, nessas incongruências, que o intelectual deve atuar e desenvolver seu trabalho.”

“O que quer dizer “retificação subjetiva”? Isso significa que intervimos no nível da relação do Eu do sujeito com os seus sintomas. É por isso que, quando da primeira entrevista, e particularmente nas seguintes, parece-me essencial (e insisto muito nesse ponto) discernir bem o motivo da consulta, a razão pela qual o paciente decidiu recorrer a um psicanalista. Eu não deveria dizer “recorrer a um psicanalista”, mas “recorrer a um terapeuta”. Porque, se o paciente solicita uma consulta e se já consultou um psiquiatra, por exemplo, outro psicanalista, ou mesmo se, na infância, seus pais o levaram a um médico, o que importa é o primeiro momento no qual ele veio consultar ou que o levou a consultar. Em outras palavras, o sentido, isto é, a relação do Eu com o sintoma, se decide principalmente na relação com o primeiro gesto, com a primeira decisão de recorrer a um outro. É nesse nível que vamos intervir, produzir, introduzir essa retificação subjetiva. Sempre digo que, na primeira entrevista, há uma demanda maciça por parte do paciente. E é no fim dela que tenho o hábito de lhe dizer: “Bem, vamos parar por aqui a nossa conversa, mas antes eu gostaria de lhe dar a minha impressão, com todos os riscos que isso implica, já que eu não o conheço.” O que significa “a minha impressão”? “Minha impressão” quer dizer dar uma resposta, que consiste em restituir ao paciente alguma coisa da relação que ele tem com o seu sofrimento. Isso é intervir sobre o próprio ponto em que ele o explica, e é levar em conta a maneira pela qual ele o faz, a teoria que ele tem sobre isso, o porque do seu sofrimento e como ele sofre.”

“O que significa exatamente inverter a narrativa causal de Freud e pensar as disposições primárias como efeitos da lei? No primeiro volume de A História da Sexualidade, Foucault critica a hipótese repressiva por ela pressupor um desejo original (não "desejo" nos termos de Lacan, mas gozo) que conserva integridade ontológica e prioridade temporal em relação à lei repressiva. Essa lei, segundo Foucault, silencia ou transmuda subsequentemente esse desejo em uma forma ou expressão secundária e inevitavelmente insatisfatória (deslocamento). Foucault argumenta que o desejo, que tanto é concebido como original quanto como recalcado, é efeito da própria lei coercitiva. Consequentemente, a lei produz a suposição do desejo recalcado para racionalizar suas próprias estratégias auto-ampliadoras; e ao invés de exercer uma função repressiva, a lei jurídica deve ser reconcebida, aqui como em toda parte, como uma prática discursiva produtora ou regenerativa- discursiva porque produz a ficção linguistica do desejo recalcado para manter a sua própria posição como instrumento teleológico. O desejo em questão assume o significado de recalcado na medida em que a lei constitui sua estrutura de contextualização: na verdade, a lei identifica e faz vigorar o desejo recalcado como tal, dissemina o termo e, com efeito, cava o espaço discursivo para a experiência constrangida e linguisticamente elaborada chamada "desejo recalcado".”

“O que vim fazer aqui? Vim ser terrível. Os senhores dizem que sou um monstro. Não, sou o povo. Sou uma exceção? Não, sou todo mundo. A exceção são os senhores. Os senhores são a quimera, e eu, a realidade. Sou o Homem. Sou o medonho Homem que Ri. Que ri do quê? Dos senhores. Dele mesmo. De tudo. O que é esse meu riso? É o crime dos senhores e é meu próprio suplício. Esse crime, eu lhes jogo na cara; esse suplício, eu lhes cuspo no rosto. Eu rio, e isso quer dizer: eu choro. [...] – Esse riso que está em meu rosto foi posto aí por um rei. Esse riso exprime a desolação universal. Esse riso significa ódio, silêncio forçado, raiva, desespero. Esse riso é um produto da tortura. Esse riso é um riso de violência. Se Satã tivesse esse riso, esse riso condenaria Deus. Mas o Eterno não se assemelha aos efêmeros; sendo o absoluto, ele é justo; e Deus abomina o que fazem os reis. Ah! Os senhores me consideram uma exceção! Eu sou um símbolo. Ó imbecis todo-poderosos, abram seus olhos. Eu encarno tudo. Represento a humanidade tal qual foi feita por seus mestres. O homem é um mutilado. O que fizeram a mim fizeram ao gênero humano.”

“O que vou fazer aqui não vai ter qualquer valor entre religiosos, mas vou fazer assim mesmo. O que vamos aprender: ateísmo se correlaciona com o índice de desenvolvimento humano (IDH). Ou seja, países onde a vida é melhor para a população em geral são altamente ateístas. Países pobres, são altamente religiosos. Em alguns desses país, ateísmo é punível com a vida, sentença de morte usando a lei do país. Em outros, como no Brasil, isso é mais discreto, mas ateus são ameaçados de morte.”