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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa Quotes

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Famous Fernando Pessoa Quotes

“The useless is beautiful because it is less real than the useful, which enjoys a continuing and lasting existence; while the marvellously useless, the gloriously infinitesimal, remains where it is, never goes beyond being what it is, and lives free and independent. The useless and the futile create intervals of humble aesthetic in our real lives. The mere insignificant existence of a pin stuck in a piece of ribbon provokes in my soul all manner of dreams and wondrous delights! I pity those who do not recognize the importance of such things!”

“Sit still with me in the shade of these green trees, which have no weightier thought than the withering of their leaves when autumn arrives, or the stretching of their many stiff fingers into the cold sky of the passing winter. Sit still with me and meditate on how useless effort is, how alien the will, and on how our very meditation is no more useful than effort, and no more our own than the will. Meditate too on how a life that wants nothing can have no weight in the flux of things, but a life the wants everything can likewise have no weight in the flux of things, since it cannot obtain everything, and to obtain less than everything is not worthy of souls that seek the truth.”

“Literature --which is art married to thought, and realization untainted by reality--seems to me the end towards which all human effort would have to strive, if it were truly human and not just a welling up of our animal self. To express something is to conserve its virtue and take away its terror. Fields are greener in their description than in their actual greenness. Flowers, if described with phrases that define them in the air of the imagination, will have colours with a durability not found in cellular life.”

“Today, at different times, I ran into two friends who'd had a fight. Each one told me his version of why they'd fought. Each one told me the truth. Each one gave me his reasons. They were both right. They were both absolutely right. It's not that one of them saw it one way and the other another way, or that one saw one side of what happened and the other a different side. No: each one saw things exactly as they'd happened, each one saw them according to the same criterion, but each one saw something different, and so each one was right. I was baffled by this dual existence of truth.”

“A única realidade para mim são as minhas sensações. Eu sou uma sensação minha. Portanto nem da minha própria existência estou certo. Posso está-lo apenas daquelas sensações a que eu chamo minhas. A verdade? - É uma coisa exterior? Não posso ter a certeza dela, porque não é uma sensação minha, e eu só destas tenho certeza. Uma sensação minha? De quê? Procurar o sonho é pois procurar a verdade, visto que a única verdade para mim sou eu próprio. Isolar-me tanto quanto possível dos outros é respeitar a verdade.”

“Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem uma doutrina. Enganam-se os que supõem que ela a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema – o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixo instintos que se escondem em cada um de nós. O comunismo não é uma doutrina porque é uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado até hoje, de espiritualidade moral e mental – isto é de civilização e de cultura -, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem.”

“Todo o homem de acção é essencialmente animado e optimista porque quem não sente é feliz. Conhece-se um homem de acção por nunca estar mal disposto. Quem trabalha embora esteja mal disposto é um subsidiário da acção; pode ser na vida, na grande generalidade da vida, um guarda-livros, como eu sou na particularidade dela. O que não pode ser é um regente de coisas ou homens. À regência pertence a insensibilidade. Governa quem é alegre porque para ser triste é preciso sentir.”

“Sentir tudo de todas as maneiras; saber pensar com as emoções e sentir com o pensamento; não desejar muito senão com a imaginação; sofrer com coquetterie; ver claro para escrever justo; conhecer-se com fingimento e táctica, naturalizar-se diferente e com todos os documentos; em suma, usar por dentro todas as sensações, descansando-as até Deus; mas embrulhar de novo e repor na montra com aquele caixeiro que de aqui estou vendo com as latas pequenas da graxa da nova marca.”

“Hace un tiempo impreciso de muchos meses que me ve mirarla, mirarla constantemente, siempre con la misma mirada incierta y solícita. Sé que lo ha notado. Y como lo ha notado, debe de haberle parecido raro que esa mirada, sin ser propiamente tímida, no haya tenido nunca un significado. Siempre atento, vago e idéntico, como contento de ser sólo la tristeza que hay en ello... Nada más... Y dentro de su pensar en ello –sea cuál sea el sentimiento con el que haya pensado en mí– debe de haber escrutado mis posibles intenciones. Debe de haberse explicado a sí misma, sin quedarse satisfecha, que soy un tímido especial y original o alguna especia de alguna cosa parecida a estar loco.”

“La libertad es la posibilidad de aislamiento. Eres libre si puedes alejarte de los hombre, sin que te obligue a buscarlos la necesidad de dinero, o la necesidad gregaria, o el amor, o la gloria, o la curiosidad, que no pueden encontrar alimento en el silencio y la soledad. Si te resulta imposible vivir solo, has nacido esclavo. Puedes tener toda la grandeza de espíritu, toda la grandeza del alma: eres un esclavo noble o un siervo inteligente: no eres libre.”

“Tenho a náusea física da humanidade vulgar, que é, aliás, a única que há. E, capricho, às vezes, em aprofundar essa náusea, como se pode provocar um vómito para aliviar a vontade de vomitar. A intriga, a maledicência, a prosápia falada do que se não ousou fazer, o contentamento de cada pobre bicho vestido com a consciência inconsciente da própria alma, a sexualidade sem lavagem, as piadas como cócegas de macaco, a horrorosa ignorância da inimportância do que são...”

“La libertad es la posibilidad del aislamiento. Eres libre si puedes alejarte de los hombres, sin que te obligue a buscarlos la necesidad de dinero, o la necesidad gregaria, o el amor, o la gloria, o la curiosidad, que no puede encontrar alimento en el silencio y la soledad. Si te resulta imposible vivir solo, has nacido esclavo. Puedes tener toda la grandeza de espíritu, toda la grandeza del alma: eres un esclavo noble o un siervo inteligente: no eres libre. Y la tragedia no es cosa tuya, porque la tragedia de haber nacido así no es cosa tuya, sino solamente del Destino. Ay de ti, no obstante, si la opresión de la vida, ella misma te obliga a ser esclavo. Ay de ti si, habiendo nacido libre, capaz de bastarte y aislarte, la penuria te obliga a convivir. Ésa sí es tu tragedia y la que llevas contigo.”

“Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insciência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: «é o que a gente leva desta vida»... Leva onde? leva para onde? leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta... Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assim é, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costoletas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para que céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente? Não conheço frase mais trágica nem mais plenamente reveladora da humanidade humana. Assim diriam as plantas se soubessem conhecer que gozam do sol. Assim diriam dos seus prazeres sonâmbulos os bichos inferiores ao homem na expressão de si mesmos.”