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M Quotes

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“Mas acho que quando a tortura entra em cena, as coisas saem do controle. A tortura não garante que o detento colabore. Para deter a tortura, o detento precisa agradar seu agressor, ainda que com informações inverídicas, às vezes enganosas; averiguar informações leva tempo. E a experiência mostra que a tortura não impede nem reduz ataques terroristas: Egito, Argélia e Turquia são bons exemplos disso. Por outro lado, a discussão tem trazido excelentes resultados. Depois do ataque fracassado ao presidente do Egito em Adis Abeba, o governo firmou um cessar-fogo com o AlGawaa al-Islamiyah, e este mais tarde optou pela luta política. No entanto, os americanos aprenderam muito com seus aliados adeptos da tortura e vêm trabalhando em estreita colaboração com eles.”

“Mas, acreditem se quiser, vi carcereiros chorando porque tinham de sair de seu posto em GTMO. “Sou seu amigo, não me importa o que digam”, disse-me um dos carcereiros antes de ir embora. “Disseram-me coisas ruins de você, mas minha opinião não é bem essa. Gosto muito de você e gosto de falar com você. Você é uma grande pessoa”, disse outro. “Espero que você seja solto”, disse ■■■■■■■■ com sinceridade. “Vocês são meus irmãos, todos vocês”, sussurrou um outro. “Eu te amo!”, disse uma vez um ■■■■■■■■ militar a meu vizinho, um garoto engraçado com quem eu mesmo gostava de conversar. Ele ficou impressionado. “O que… Aqui não amor… Sou muçulmano!” Ri um bocado por causa daquele amor “proibido”. Mas eu mesmo não consegui segurar o choro um dia, quando vi um carcereiro ■■■■■■■■ descendente de alemães chorando porque ■■■■■■■■ tinha sido um pouco machucado. O engraçado é que eu escondi meus sentimentos porque não queria que fossem mal interpretados por meus irmãos, ou vistos como fraqueza ou traição. Por um momento me odiei e fiquei profundamente confuso. Comecei a me fazer perguntas sobre as emoções humanitárias que eu vinha experimentando em relação a meus inimigos. Como é possível chorar por alguém que lhe causou tanta dor e destruiu sua vida? Como é possível gostar de alguém que por ignorância odeia a sua religião? Como se pode conviver com essa gente má que continua maltratando seus irmãos? Como se pode gostar de alguém que trabalha dia e noite para incriminar você? Eu estava numa situação pior que a de um escravo: pelo menos um escravo não está sempre posto a ferros, tem uma relativa liberdade e não precisa ouvir as bobagens de um interrogador todos os dias. Eu sempre me comparava a um escravo. Os escravos eram levados da África à força, como eu fui. Os escravos eram vendidos várias vezes antes de chegar ao destino final, como eu fui. Os escravos eram destinados de uma hora para outra a alguém que eles não tinham escolhido, como eu fui. E quando eu examinava a história dos escravos, notava que eles acabavam sendo uma parte essencial da casa de seu senhor.”

“Mas cada homem não é apenas ele mesmo; é também um ponto único, singularíssimo, sempre importante e peculiar, no qual os fenômenos do mundo se cruzam daquela forma uma só vez e nunca mais. Assim, a história de cada homem é essencial, eterna e divina, e cada homem, ao viver em alguma parte e cumprir os ditames da Natureza, é algo maravilhoso e digno de toda a atenção”

“Mas como esta raça de imbecis se reúne com frequência com medo da solidão, ou seja, do tédio, torna-se necessário que, depois de escutar um pouco de música, saborear uma bebida e entregar-se a algum jogo, falem uns com os outros. Em que poderia consistir a troca de palavras entre pessoas que não têm nada para dizer? Cérebros desabitados, almas desertas, cabides ambulantes encimados por rostos mascarados que se inibem do que é verdadeiramente humano e profundo, podem palrar, mas não falar. Com efeito - à parte o papaguear de notícias e opiniões recolhidas dos jornais da manhã e que todos já conhecem -, as conversas compõem-se de mexericos sobre escândalos importantes ou exagerados, elogios aos presentes, maledicência acerca dos ausentes e comentários quase sempre impregnados de subentendidos sexuais.”

“Mas el gringo encontró, dentro del tercer día, interesante a Juanita por su afán de llevar la contraria y de engolfarse, sistemáticamente, en discusiones interminables. No dejaba de llamarle vivamente la atención oír que sostenía una vez determinada opinión y al día siguiente la opinión contraria, con sorprendente versatilidad, seriedad y descaro. Pero le sacaba de quicio el que tuviera ante la vida, siendo joven y bella, una actitud de cruel hostilidad y se volviera gratuitamente inaguantable con un estribillo que esgrimía al final de las más enconadas discusiones, y ese aire de superioridad insolente y burlón con que miraba con sus ojos bajo las finas cejas altas.”

“Mas HÁ umas olimpíadas da opressão a decorrer. As minorias raciais americanas - negros, hispânicos, asiáticos e judeus - apanham com a merda dos brancos, diferentes tipos de merda, mas merda de qualquer maneira. Cada um dos grupos acredita secretamente que apanha com a pior merda. Por isso, não, não existe uma Liga Unida dos Oprimidos. No entanto, todos os outros acham que são melhores do que os negros, porque, bem, não são negros.”

“Mas la sorpresa vino cuando puse atención en lo que esta- ba escrito en el folio mismo del cuadernillo, que separaba el volante. Se leía una lista de libros, donde el número once po- nía: Manuscrito pernicioso de los indios infieles de Ilabaya; y en corchetes le seguía una glosa en tinta azul moderna, hecha con un bolígrafo común de nuestros días: [Arte de los Qui- pus, 1574]. Enseguida saqué la nota de papel que aún conser- vaba arrugada en el bolsillo de atrás de mis vaqueros; la releí con mayor detenimiento y sentí que volvía a ser observada; me giré a mirar hacia la puerta y ésta se cerró con un golpe de viento. Un escalofrío recorrió mi cuerpo. Entonces pensé en cuestión de segundos cuál tendría que ser el paso a seguir. ¿Fotografiar estas listas?, ¿llamar a Salamanca a mi profesora, la doctora Del Pozo?, ¿llamar a Burgos y contárselo a María Con- cepción?, ¿guardar silencio?, ¿comunicarme con el de la carta?, ¿y si era una broma?, ¿quién me gastaría una broma así?, ¿me estaría poniendo a prueba el Padre José?. De pronto, mis pen- samientos consiguieron asociar la palabra ‘Inquisición’ impre- sa en el viejo volante, que hizo de separador en el cuadernillo, con aquella foto del folio de algún Índice colonial, que yo vie- ra en la exposición fotográfica itinerante del Museo de la Santa Inquisición el primer día que llegué al Perú. Yo había estado soñando con poseer ese libro pecaminoso, que supuse un Bes- tiario indiano. Pero el gran pecado del libro de Ilabaya parecía ir por el camino de dar luces a la escritura indígena, idólatra hijastra de Belcebú para ciertos inquisidores. Mi corazón casi detuvo sus latidos. Entonces clavé mis ojos en la poca luz que aún entraba por la claraboya del techo, y luego los cerré. Oí el zumbido de un moscardón, o tal vez sólo le imaginé. Resoplé. O suspiré. Mis cartas estaban echadas desde un principio".”

“Mas me chamavam na porta da rua! Batiam nela como se a quisessem derrubar! Não só chamavam: queriam entrar… Para que iriam querer entrar se não para me assassinar? E eu estava sozinha… Deveriam saber… sabiam perfeitamente, por isso tinham vindo… Eram ladrões, vinham saquear a casa, na mais benévola das hipóteses… Estava em minhas mãos impedir isso, mas minhas mãos eram tão fracas… Tremia feito gelatina, detrás da porta… Por que tinham me deixado sozinha? O que era tão importante para que eles tivessem que me abandonar? O pior é que… eram eles… Eram papai e mamãe os que estavam chamando na porta! Os dois monstros tinham assumido a forma de papai e mamãe… Não sei como os enxergava, suponho que pelo buraco da fechadura, que eu alcançava ficando na ponta dos pés… Eu me arrepiava dos pés à cabeça, me congelava… ao vê-los tão idênticos… tinham roubado seu rosto, a roupa, o cabelo... de papai muito pouco, porque era careca, mas os cachos ruivos de mamãe… Eram símiles perfeitos, sem erros… O trabalho que tiveram! Esses seres que não tinham forma, ou que não a revelavam para mim… esses simulacros… suas péssimas intenções… O espanto me gelava o sangue, não podia pensar…”

“Mas ni desde la óptica de las cosas de menor significado somos los hombres un conjunto materialmente establecido, semejante para todos, y del que cualquiera puede saber, tal como si fuésemos un documento de condiciones o un testamento. Nuestra naturaleza social es una construcción del pensamiento de los otros e incluso esa acción tan sencilla que denominamos " ver a uno que conocemos" es parcialmente de índole intelectual. Completamos el aspecto físico de aquel que tenemos frente a nosotros con la sumad e los conceptos que elaboramos sobre él, la imagen completa que nos formamos de él está compuesta en su mayor proporción por esos conceptos, los que terminan por insuflar en tal medida sus mejillas, por establecer con tal absoluta adhesión el corte de sus narices y por darle tan sutilmente el tono a lo sonoro de su voz, como si esta no fuese otra cosa que un traslúcido envase. En cada ocasión en la que observamos ese semblante y escuchamos dicha voz, aquello que se aprecia son esos conceptos.”

“Mas não, o que verdadeiramente me exasperava era saber que nunca mais voltaria a estar tão preta da minha liberdade quanto estive naquela época em que me sentia encurralado pelo mundo-Maga, e que a ansiedade que tinha de libertar-me era meramente uma confissão da derrota. Doía-me reconhecer que não era por meio de uma surra sintética, de maniqueísmos ou de estúpidas dicotomias ressequidas que conseguia abrir caminho pelas escadas de Gare de Montparnasse, para as quais me arrastava Maga sempre que desejava visitar Rocamadour.”

“Mas o pior inimigo que você pode encontrar sempre será você mesmo; você fica à espreita em cavernas e florestas. Solitário, você está seguindo o caminho para si mesmo! E o seu caminho passa por você mesmo e pelos seus sete demônios! Você será um herege para si mesmo, uma bruxa, um adivinho, um tolo, um duvidoso, um profano e um vilão. Você deve estar pronto para queimar em sua própria chama: como você poderia se tornar novo, se primeiro não tivesse se tornado cinza?”

“Mas o tempo… o tempo primeiro fixa-nos e depois confunde-nos. Pensávamos que estávamos a ser adultos quando estávamos só a ser prudentes. Imaginávamos que estávamos a ser responsáveis, mas estávamos só a ser cobardes. Aquilo a que chamávamos realismo acabava por ser uma maneira de evitar as coisas e não de as enfrentar. Tempo… deem-nos tempo suficiente e as nossas decisões mais fundamentadas parecerão instáveis e as nossas certezas, bizarras.”

“Mas por que razão devemos ser úteis, e em relação a quê? Quem dividiu o mundo em útil e inútil, e com que direito? Será que o cardo não tem direito à vida? Ou o Rato que come o grão de trigo dos celeiros, as Abelhas e os zangões, as ervas daninhas e as rosas? Terá sido a razão que teve o descaramento de julgar quem é melhor e quem é pior? A árvore grande, retorcida e esburacada, que persistiu ao longo dos séculos, não foi abatida porque dela não seria possível fabricar nada de jeito. Este exemplo devia animar as pessoas como nós. Todos conhecem os proveitos daquilo que é útil, mas ninguém conhece os proveitos daquilo que é inútil.”

“Mas quando a gente sobe a um destes vigésimos segundos ou vigésimos quintos andares, e de lá olha para baixo, e cá em baixo avista a luta e labuta de um povo que parece não ter outro ideal que não seja o dólar, nem outra tradição que não seja o dólar, nem outra glória que não seja o dólar - a gente invoca a saudade de tudo quanto nas nossas velhas terras da Europa nos fala à alma sempre propensa a acarinhar lendas e histórias de heróis e de aventureiros, e aí encontra, então, sobre o cocuruto de uma destas casas de vinte andares, uma consoladora, inexplicável poesia...”

“Mas quando, depois de acariciar os rafeiros no pátio, desembocávamos da alameda de plátanos, e diante de nós se dividiam matutinamente, mais brancos entre o verde matutino, os caminhos coleantes da quinta, toda a sua pressa findava, e penetrava na Natureza com a reverente lentidão de quem penetra num templo. E repetidamente sustentava ser «contrário à Estética, à Filosofia, e à Religião andar depressa através dos campos». De resto, com aquela subtil sensibilidade bucólica que nele se desenvolvera, e incessantemente se afinava, qualquer breve beleza, do ar ou da terra, lhe bastava para um longo encanto. Ditosamente poderia ele entreter toda uma manhã, caminhar por entre um pinheiral, de tronco a tronco, calado, embebido no silêncio, na frescura, no resinoso aroma, empurrando com o pé as agulhas e as pinhas secas. Qualquer água corrente o retinha, enternecido naquela serviçal actividade, que se apressa, cantando, para o torrão que tem sede, e nele se some, e se perde. E recordo ainda quando me reteve meio domingo, depois da missa, no cabeço, junto a um velho curral desmantelado, sob uma grande árvore, - só porque em torno havia quietação, doce aragem, um fino piar de ave na ramaria, um murmúrio de regato entre canas verdes, e por sobre a sebe, ao lado, um perfume, muito fino e muito fresco, de flores escondidas.”

“Mas se decidi soltar um tanto de minha história, e se em torno dela voassem outras, por que eu haveria de querê-la aprisionada em um relicário? Há de se preparar pra nudez pública? Pro escrutínio da intimidade? Não, não existe preparo, isso é uma escolha. Ninguém encostou em mim, eu mesma arranquei minhas roupas. No fim das contas, a única coisa que ficou comigo e que me faz continuar é o desespero; é ir até minha escrivaninha a cada manhã com a convicção de que não me resta nada, é a renovação diária da contradição: entrar, de bom grado, num beco sem saída.”