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N Quotes

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“Não sou nenhum atirador ressentido, pronto para deitar abaixo os meus pares mais bem-sucedidos (embora esteja pronto para isso, quando a oportunidade se apresentar). Habitualmente sou o tipo que eles chamam para um acontecimento famoso, quando o primeiro chefe mostrou ser um psicopata, ou então um bêbado, bera e megalómano.”

“Não sou um economista, político ou financeiro que disponha de respostas rápidas sobre as razões pelas quais as coisas podem ou não podem mudar. Sou um tecnólogo e um empreendedor habituado a reparar nas discrepâncias entre a forma como as coisas são e a forma como poderiam ser, e a fazer perguntas cujas respostas possam apontar o caminho para futuros melhores.”

“Não só a racionalidade como a individualidade são um mito. Os seres humanos raramente pensam pela própria cabeça. Pensamos em grupo. (…) Achamos que sabemos muito, embora individualmente conheçamos muito pouco, pois tratamos o conhecimento nas mentes dos outros como se fosse nosso. (…) É raro as pessoas contemplarem a sua ignorância, pois fecham-se numa caixa de ressonância de amigos que pensam como elas e de canais noticiosos que reforçam as suas convicções constantemente e quase nunca as questionam. (…) A maioria dos nossos pontos de vista é moldada pelo pensamento de grupo e não pela individualidade racional, e agarramo-nos a estas perspetivas devido à lealdade de grupo.”

“Não tenho dúvidas de que muitos dos que caminham também não acreditam em nenhum deus, são tão ateus quanto eu. Não é a religião que os leva a fazer o Caminho de Santiago. Completam o percurso com o objetivo de chegar a um lugar concreto, de ter um objetivo, uma certeza. E provar para si mesmos que podem realizar o que se propuseram a fazer, como um desafio. Acreditam em si mesmos, em sua perseverança, em sua fortaleza física e anímica para não desistir antes de chegar. É nisso que depositam sua fé, neles mesmos.”

“Não tenho nada contra a sua religião, e menos ainda com seu posicionamento político. Você é livre para acreditar no que quiser, desde papai noel até políticos honestos. Contudo, não me veia esbravejando suas ideias distorcidas, perdendo a paciência quando me recurso a aceitar suas ideias sem pé nem cabeça. O mundo não se importa com suas ideias, as leis da física foram aprovadas muito antes mesmo dos seus berros, e ela não se assusta. Seus berros somente existem porque existem as leis da física, sua voz somente alcança seus seguidores porque temos as leis da física. Quando passa a multidão, eufórica, o terreno vira esterco, e nova vida surge. Sua religião não implica em impor nos demais seu Deus, seu posicionalmente político não implica em alinhamento de todos. Não me venha dizer que é tudo relativo, que não. Nosso universo possui leis, que não são relativas. Não me venha dizer que é tudo ponto de vista individual, que não. Fatos não dependem da sua opinião. Proponho uma reflexão, proponho um espaço entre uma esbravejada, e sua opinião sobre algo. ” O choro da razão”

“Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodasse pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse. Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a fala da transliteração greco-romana veste-ma do seu veri manto régio, pelo qual é senhora e rainha.”

“Não tinham mais nada para dizer? Seus olhos, no entanto, estavam repletos de uma conversa mais séria; e, enquanto esforçavam-se para encontrar frases banais, ambos sentiam um mesmo langor invadir-lhes; era como um murmúrio da alma, profundo, contínuo, que dominava o das vozes. Tomados de espanto por aquela nova suavidade, não pensavam em narrar ao outro aquela sensação ou em descobrir sua causa. As alegrias futuras, assim como as costas dos trópicos, projetam suas indolências natais sobre a imensidão que as precede, uma espécie de brisa perfumada, e adormece-se naquela embriaguez sem nem mesmo preocupar-se com o horizonte, o qual não se pode avistar.”

“Não tivemos um profundo “grand finale”, como Julie vinha chamando nossa última sessão. Suas últimas palavras para mim foram sobre um filé. “Deus, o que eu não daria por um filé!”, disse, com a voz fraca, baixinho. “É bom que eles tenham filé onde quer que eu esteja indo.” E, então, adormeceu. Foi um final em nada diferente das nossas demais sessões, onde ainda após o “nosso tempo acabou”, a conversa perdurava. Nas melhores despedidas, sempre existe a sensação de que existe algo mais a ser dito.”

“não vale a pena ter um bom coração, não vale. de repente alguém arrasta o sapato sobre ele. não vale a pena confiar no piso e na música — tudo é escorregadio se te colocam a culpa. sim, vale a pena, sim. — ter um bom coração é a chave, não é por isso que o velho som ainda quebra na areia? não é por isso que se vive de medo sem medo nenhum?”

“Não é que as pessoas já não acreditem nela [publicidade] ou a tenham aceitado como rotina. É que, se ela fascinava por este poder de simplificação de todas as linguagens, este poder é-lhe hoje subtraído por um outro tipo de linguagem ainda mais simplificado e, logo, mais operacional: as linguagens informáticas. O modelo de sequência, de banda sonora e de banda-imagem que a publicidade nos oferece, a par com os outros grandes media, o modelo de perequação combinatória de todos os discursos que ela propõe, este contínuum ainda retórico de sons, de signos, de sinais, de slogans que ela domina como ambiente total, está largamente ultrapassado, justamente na sua função de estímulo, pela banda magnética, pelo continuum electrónico que está a perfilar-se no horizonte deste fim de século. O microprocesso, a digitalidade, as linguagens cibernéticas vão muito mais longe no mesmo sentido da simplificação absoluta dos processos do que a publicidade fazia ao seu humilde nível, ainda imaginário e espectacular. E é porque estes sistemas vão mais longe, que polarizam hoje o fascínio outrora concedido à publicidade. E a informação, no sentido informático do termo, que porá fim, que já põe fim, ao reino da publicidade. É isto que assusta e é isto que apaixona. A «paixão» publicitária deslocou-se para os computadores e para a miniaturização informática da vida quotidiana. A ilustração antecipadora desta transformação era o papoula de K. Ph. Dick, este implante publicitário transistorizado, espécie de ventosa emissora, de parasita electrónico que se fixa ao corpo e de que este tem muita dificuldade em libertar-se. Mas o papoula é ainda uma forma intermediária: é já uma espécie de prótese incorporada, mas recita ainda mensagens publicitárias. Um híbrido, pois, mas prefiguração das redes psicotrópicas e informáticas de pilotagem automática dos indivíduos, ao lado do qual o «condicionamento» publicitário parece uma deliciosa peripécia.”