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N Quotes

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“Não poderíamos comparar os "celibatários da arte" ou os "aparelhos" demasiadamente pesados para voar a estudantes e pesquisadores que querem ler tudo antes de começar uma reflexão pessoal ou uma tese e que evidentemente nunca começam porque há sempre a produção alheia a ser lida? Se a arte divide os amantes em duas categorias, aqueles que admiram porque "presos a uma bulimia que nunca os satisfaz" e "aqueles que produzem", a mesma separação poderia ser estabelecida entre os que querem só acumular o saber e os que têm a coragem, a perseverança e a paciência de ultrapassar essa etapa e escrever.”

“Não posso ser julgado responsável pelas crises de ciúme que, periodicamente, acometem os homens calvos. São criaturas incontroláveis, talvez devido à violência e a verticalidade dos raios solares. O sol é o grande desconhecido, cura uns, mata outros e não raro enlouquece pobres mortais. Os calvos não deviam frequentar as praias, a não ser protegidos por casquetes e sombreros. Vi trêfegos carecas darem vexame no Gonzaga e no Guarujá, investindo contra as mais puras donzelas em autênticas agressões sexuais. Afastem suas filhas desses tipos. O Gallup já fez importantes e instrutivas pesquisas sobre o comportamento sexual, político e social dos calvos. Sabe-se, por exemplo, que evitam usar chapéu por puro masoquismo. São megalomaníacos, mórbidos românticos e tristemente impetuosos sob o bombardeio do infravermelho. Podem estar calmos agora, sugando refrescos de tamarindo por canudinho, mas já no momento seguinte perdem o controle e as mulheres que se acautelem. Aparentemente ajustados, sonham com um mundo ditatorial e nirvânico, povoado de odaliscas, eunucos e servis mercadores.”

“Não precisa de permissão para viver a sua vida. Considere-se um rei em seu próprio reino e um deus em seu próprio universo. Considere-se como tendo todos os poderes necessários para criar e para ter o que você quer.”

“Não problemas em admitir sua fé, fé é algo totalmente humano, o problema é quando começa a justificar a sua fé, esse é o buraco sem fundo. Apesar da religião ter monopolizado a fé, a fé nos torna criaturas persistente, a fé nos dá energia quando tudo está perdido.”

“Não prometa nada sem ter certeza de que poderá cumprir. Anote na agenda e faça um pacto consigo mesmo de fazer aquilo acontecer. Imagine que sua vida depende do cumprimento daquela promessa. Não volte atrás. Se mudar de ideia a respeito de algo a que você já se comprometeu, não volte atrás. Ainda que fique no prejuízo, mantenha a palavra. Essa experiência vai ajudá-lo a ser mais responsável com o que disser no futuro.”

“Não, Robert, os mortos não voltam, e é melhor que assim seja... Que vergonha se voltassem! Onde há por aí uma alma de vivo que se tivesse mantido digna de semelhante prodígio?... Eles vão, e a gente fica, e ri, e canta, e deseja, e continua a viver! Mutilados, amputados, às vezes do melhor de nós mesmos, a gente é como estes vermes repugnantes que, cortados aos pedaços, criam novas células, completam-se e continuam a rastejar e a viver! É uma miséria, é, mas é assim!”

“Não se dirá: Quando a nogueira balançou no vento Mas sim: Quando o pintor de paredes esmagou os trabalhadores. Não se dirá: Quando o menino fez deslizar a pedra lisa pela superfície da correnteza Mas sim: Quando prepararam as grandes guerras. Não se dirá: Quando a mulher foi para o quarto Mas sim: Quando os grandes poderes se uniram contras os trabalhadores. Não se dirá: Os tempos eram negros E sim: Por que seus poetas silenciaram?”

“Não se move no silêncio, mas no canto. É quase como uma ópera: o canto se faz gesto, e destino, e argumentação (incoerente, louca), e as pessoas que o cercam também se fazem destino e fatalidade. Avança carregado de signos, levando a carroça no seu ritmo, que na realidade ele é o único a perceber. Abre caminho ao abrir sua vida com a insana falta de jeito de alguém furioso ao abrir o embrulho de um presente. Só que ele não encontra o presente e continua abrindo sempre, cantando sempre. É um melodrama perpétuo. Aí está o que seus achegados podem se perguntar: por que insiste? Na realidade, o que perguntam é o que vem antes: o movimento ou o canto? Canta para caminhar ou caminha para cantar? Pois bem, não existe resposta, como não existe resposta para o enigma da ópera. Porque não existe anterior ou posterior, não há uma sucessão, mas uma espécie de simultaneidade sucessiva.”

“Não se trata de partir em uma cruzada para difundir a leitura, o que seria, aliás, a melhor forma de afugentar todo mundo. Mas também não se ganha nada se não se distingue a eficácia específica de cada um desses gestos que os sociólogos e estatísticos agrupam em um mesmo pacote chamado "práticas culturais" ou "práticas de lazer". Pode ser excitante todo mundo junto gritar em um estádio para pontuar o fim de uma canção ou a trajetória de uma bola de fu-tebol, mas trata-se de um registro muito diferente do da intimidade um pouco transgressora propiciada pela leitura. E, mais ainda, a leitura de ficção, em que por meio do devaneio subjetivo de um escritor, as palavras tocam os leitores um a um e permitem que expressem o que há de mais secreto neles.”

“Não sei se você já perdeu alguém muito próximo e querido. Quando uma pessoa morre, leva junto um mundo. O sentido de um mundo. Sua roupa deixa de ter utilidade. Esse casaco que lhe caía tão bem e de que ela tanto gostava não passa agora de um trapo pendurado em um cabide. Seus objetos emudecem: agora ninguém mais sabe o que significava essa xícara de porcelana com a qual sempre tomava chá, em que época foi comprada, que lembranças despertava. Ou essa pequena pedra polida que sempre trazia junto ao computador: de que montanha a trouxe, de que rio, por quê. As coisas se esvaziam de história e de essência e se convertem em lixo. Os mortos nunca vão sós: levam junto um pedaço do universo.”