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E Quotes

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“Em contrapartida, o orgulho, a prepotência e as ambições pessoais de muitos trabalhadores na Seara Divina têm fechado portas que Deus outrora abriu para ganharmos almas.A indiferença de muitos pastores, obreiros e evangelistas em relação à sua maneira de viver e ao zelo pela Obra de Deus atrairá para eles próprios um duro julgamento naeternidade.”

“Em Drácula, o vampiro, personificação da perversidade e do mal, era repelido pelo símbolo religioso em si, que se tornava uma arma que emanava poder; em ‘Salem, o símbolo somente tinha poder na medida em que a pessoa que o empunhasse houvesse nele depositado uma fé inabalável; já em Eu Sou a Lenda, por outro lado, não importava a fé de quem empunhava o símbolo, e sim, o entendimento do vampiro de seu lugar perante a ele. Entende-se, portanto — embora a narrativa não aprofunde o tema —, que cruzes ou hóstias não teriam qualquer tipo de efeito sobre vampiros que haviam sido ateus, por exemplo. A internalização do ódio parecia residir no âmago do processo.”

“Em gêneses, Deus cria o mundo e fica feliz, seis capítulos depois ele se arrepende e decide matar todos. Ele cria o mundo duas vezes, em gênesis 1 de uma forma e gênesis 2 de outra forma. Ele mostra falta de conhecimento básico do mundo que ele mesmo supostamente criou, como exemplo, nunca menciona que a terra é redonda, até mostrando que a terra é quadrada, plana. Alguns cristãos dizem: era uma metáfora. Bem, ainda assim ele não menciona que a terra é redonda.”

“Em!” I call out, my voice husky. “I never stopped thinking about you. Never.” No matter how much I tried. She stalls and, after a lengthy delay, peers over her shoulder at me. Her eyes are glossy in the bath of light from the garage’s spotlight. “I guess it’s time you forgot about me and moved on.” With that, she vanishes into the darkness, nothing but a faint glow of her flashlight to mark her trail.”

“Em meio à crise generalizada da experiência, a psicanálise traz uma épica da subjetividade, uma versão violenta e obscura do passado pessoal. Ela é, pois, atraente porque todos aspiramos a uma vida intensa; em meio a nossa vida secularizada e trivial, seduz-nos admitir que, num lugar secreto, experimentamos ou experimentávamos grandes dramas; que quisemos sacrificar nossos pais no altar do desejo; que seduzimos nossos irmãos e lutamos com eles até a morte numa guerra íntima; que invejamos a juventude e a beleza de nossos filhos e que nós também (ainda que ninguém saiba) somos filhos abandonados de reis à margem do caminho da vida.”

“Em miúdo era cruel para as pessoas que não conseguiam relatar com precisão acontecimentos, que discutiam o ano em que uma tragédia pessoal ocorrera. Via isso como um descuido inaceitável em relação à própria vida. Não foi preciso chegar a uma idade muito avançada pra que as dúvidas me começassem a assaltar: datas, locais, pessoas, tudo se misturava na minha cabeça num lodo de confusão e esquecimento. Não sei mesmo dizer se alguma vez estive em Penacova, se foi algum amigo que passou férias em Penacova, se Penacova era a terra natal de uma das minhas vizinhas. O último censo diz que Penacova é uma vila do distrito de Coimbra, com 15 251 habitantes, mas não me esclarece sobre se alguma vez lá estive. São estes os limites da sociedade de informação.”

“Em outra circunstância, na qual me convenci de que viveria de arte e desespero, da proximidade com um homem: 'Vocês contaram um para o outro seus passados cheios de tragédias, se sentiram melhor com isso? Tão especiais, tão parecidos', com uma voz terrível, e eu naquelas ocasiões me sentia sempre mortificada, tímida, tinha vergonha, mas naqueles comentários cruéis, com frequência verdadeiros, sentia também uma pulsação fortíssima de desejo, como se me conhecesse melhor do que qualquer um e antecipasse meu erro, ciente de cada defeito meu e com um controle e poder infinito de domá-lo, e sentia-me de novo conquistada, numa terra russa na qual não se cansava nem para tirar a pistola para um duelo, mas deixava cair a luva, deixava o salão de baile, e depois eu já não o via mais.”

“Em Paris, passeando de braço dado com uma noiva casual num outono tardio, quase não conseguia conceber felicidade mais pura que daquelas tardes douradas, com cheiro rústico das castanhas nos braseiros, os acordões sentimentais, os namorados insaciáveis que não acabavam de se beijar nunca na calçada dos cafés, mas mesmo assim dizia a si mesmo com a mão no coração que não se dispunha a trocar por tudo aquilo um único instante do seu Caribe em abril. Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graça a esse artifício conseguimos suportar o passado. Mas quando voltou a ver do convés do navio o promontório branco do bairro colonial, os urubus imóveis nos telhados, a roupa dos pobres estendida a secar nas sacadas, compreendeu até que ponto tinha sido uma vítima fácil das burlas caritativas da saudade.”

“Em Portugal ainda lêem os Lusíadas? Sim, confirmei. Os jovens portugueses são forçados a ler Os Lusíadas no liceu. Isso explica porque muitos nunca o leram. (...) Deviam proibi-lo, disse. Deviam retirar de circulação todos os exemplares existentes. Talvezx mesmo queimá-los. Se os proibissem seria um enorme sucesso. Imagine então se o queimassem em praçã pública com as televisões a filmarem. Seria um sucesso internacional.”

“Em que consiste o trabalho realizado pelo luto? Não me parece descabido expor esse trabalho da forma seguinte. O exame da realidade mostrou que o objeto amado não mais existe, e então exige que toda a libido seja retirada de suas conexões com esse objeto. Isso desperta uma compreensível oposição - observa-se geralmente que o ser humano não gosta de abandonar uma posição libidinal, mesmo quando um substituto já se anuncia. Essa posição pode ser tão intensa que se produz um afastamento da realidade e um apego ao objeto mediante uma psicose de desejo alucinatório. O normal é que vença o respeito à realidade. Mas a solicitação desta não pode ser atendida imediatamente. É cumprida aos poucos, com grande aplicação de tempo e energia de investimento, e enquanto isso a existência do objeto perdido se prolonga na psique. Cada uma das lembranças e expectativa em que a libido se achava ligada ao objeto é enfocada e superinvestida, e em cada uma sucede o desligamento da libido. Não é fácil fundamentar economicamente porque é tão dolorosa essa operação de compromisso em que o mandamento da realidade pouco a pouco se efetiva. É curioso que esse doloroso desprazer nos pareça natural. Mas o fato é que após a consumação do trabalho do luto, o Eu fica novamente livre e desimpedido" (FREUD, Sigmundo. Luto e Melancolia, In _____. Introdução ao Narcisismo, Ensaios de metapsicologia e outros ensaios [1914-1916]. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (vol. 12). p. 173.”

“Em reminds me of one of my friends from back home. It was just so natural. I forgot in two seconds that he was the biggest-selling artist of the decade. He knows what he’s doing. Me and him mixed [the song] together and he’s not like somebody that’s telling somebody what to do. We were both on the board turning knobs. The atmosphere and the vibe down there was just super cool.”

“Em sentia bella i poderosa, més que mai. Però, per alguna raó, tenia menys control sobre la meva bellesa que mai, necessitava tots aquells retocs, més que mai, necessitava agradar-li a aquell home, més que mai. I tot això, per què? Doncs perquè necessitava tenir el control, perquè creia tenir el control. Un control fràgil, molt fràgil. Un control determinat, tan sols, per la impressió que un altre s'emportés de mi; un control, que doncs, no era meu-”

“Em seu conto “Angústia”, Tchekhov apreende profundamente toda a dimensão do desamparo humano a partir do personagem Iona Ptápoc, cocheiro de uma carruagem puxada por uma eguazinha. Ao longo dessa pequena e profunda história, o escritor russo descreve o sofrimento interminável do cocheiro que acabou de perder o único filho. Uma dor que se transforma em angústia à medida que se amplia a impossibilidade de encontrar quem possa escutá-lo. O que recebe é insultos dos diferentes passageiros da pesada noite fria, reencontrando, a cada nova busca de acolhimento, o silêncio, a solidão e a escuridão – os três elementos que Freud conecta à experiência da angústia. O conto demonstra de maneira radical a necessidade humana da palavra. Como indica nosso personagem, é preciso contar como o filho ficou doente, como sofreu, o que disse antes de morrer, e o ouvinte deve suspirar e compadecer-se. Isso tudo é fundamental, afirma, porque pensar sozinho e imaginar o filho morto é-lhe insuportável e assustador.”

“Em sua busca por uma ressignificação do mal fora do Cristianismo, Lestat não tenta, entretanto, posicionar-se como sendo necessariamente o oposto dele. Afinal, como afirma Rice, ainda que Lestat “seja um símbolo de formas de liberdade e domínio, eu nunca perco de vista o mal que tem em si”. Esse mal em si, todavia, não o limita ou tampouco o define; ele é reconhecido, aceito e passa a integrar um mosaico complexo que compõe a identidade em transfiguração do “vampiro deste tempo”.”

“Em sua interpretação do budismo, Hegel opera, de maneira problemática, com conceitos onto-teo-lógicos como substância, essência, Deus, poder, soberania e criação, que são todos inadequados para o budismo. O nada budista é tudo, menos uma “substância”. Ele não é nem “em si essente” nem [algo que] “repousa e permanece em si mesmo”. Antes, ele é, por assim dizer, em si vazio. Ele não foge à determinação para se recolher em seu interior infinito. O nada budista não se deixa determinar como aquela “força substancial” que “rege o mundo e permite que tudo se origine e venha a ser segundo uma ordenação [Zusammenhang] racional”. O nada significa, antes, que nada domina. Ele não se exterioriza como um senhor. Dele não parte nenhuma “soberania”, nenhum “poder”. Buda não representa nada. Ele não encarna a substância infinita em uma singularização individual. Hegel emaranha de maneira inadmissível o nada budista em uma relação representacional e causal. O seu pensamento, que se dirige à “substância” e ao “sujeito”, não concebe apreender o nada budista.”

“Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino – aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor. “A satisfação no amor individual não pode ser atingida sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras”, afirma Erich Fromm – apenas para acrescentar adiante, com tristeza, que em “uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista”.”

“Em todos os níveis de escolaridade, os programas de ensino artístico (público, particular e cooperativo) devem ser incentivados na sua articulação com as diversas áreas curriculares, sendo de reforçar, desde cedo, a aprendizagem do desenho, da música e da filosofia, como modos sólidos de estimular a sensibilidade, a expressão e o pensamento, num mundo que se reclama cada vez mais do conhecimento crítico, da cidadania e da multiculturalidade.”

“Em um conjunto de entrevistas de rua pela TV Cultura, ao programa Linhas Cruzadas, foi questionado porque Deus permite o mal. A resposta nas ruas, e também na boca de lideranças do cristianismo, é que Deus deu o livre-arbítrio. Bem, onde está o livre arbítrio de crianças morrendo de fome ou de câncer? Na natureza, animais morrem devido a secas prolongadas. Mesmo no Brasil, o Ceará enfrentou secas de rachar o solo. No passado, cristãos usaram a ideia de René Descartes para dizer que os animais são máquinas. Isso para ignorar o problema do sofrimento nos animais que não pecaram, se não pecaram, eles não deveriam sofrer. Posteriormente, isso foi rebatido e ridicularizado por Voltaire. Onde está o livre arbítrio em guerras sem sentido? Mesmo que haja humanos decidindo, em uma guerra, inocentes morrem.”

“Em um experimento, eles fizeram a mesma pergunta a dois grupos de pessoas, somente trocaram a ordem das perguntas. Quando a pessoa era induzida a pensar na vida amorosa, a pessoa passava a responder sobre felicidade diferente de quando era perguntado depois. As notícias falsas funcionam dessa forma, a desinformação: elas elevam o volume das emoções. Como exemplo, na discussão do aborto legal, atualmente, parlamentares usam a imagem de um bebê sendo morto na barriga da mãe com uma agulha gigante, algo assustador, com direito a teatro ao vivo no senado, dramatização ao vivo, de graça. Isso faz com que as pessoas deixem de responder a pergunta real: deveria uma jovem de 13 anos manter a gravidez de um estuprador? Deveria uma mulhere ser obrigada a carregar o filho de um estuprador? Para: deveria um bebê ser morto por uma agulha gigante dentro da barriga da mãe? São duas perguntas diferentes. A primeira eleva as emoções de qualquer pessoa, inclusive a minha: fiquei assustado com as imagens que espalham. Isso seria o que Daniel Kahneman chamou de pergunta heurística. A pergunta heurística substitui a original, que é mais complexa, com mais nuanças. A pergunta original exige que consideremos a jovem, a mulher, a experiência de ter um filho. Ter um filho é complicado mesmo quando queremos, imagine, uma gravidez forçada, traumatizante.”