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O Quotes

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“Orwell's 1984 [...] is political thought disguised as a novel; the thinking is certainly lucid and correct, but it is distorted by its guise as a novel, which renders it imprecise and vague. [...] the situations and the characters are as flat as a poster. The pernicious influence of Orwell's novel resides in its implacable reduction of a reality to its political dimension alone, and in its reduction of that dimension to what is exemplarily negative about it. I refuse to forgive this reduction on the grounds that it was useful as propaganda in the struggle against totalitarian evil. For that evil is, precisely, the reduction of life to politics and of politics to propaganda. So despite its intentions, Orwell's novel itself joins in the totalitarian spirit, the spirit of propaganda. It reduces (and teaches others to reduce) the life of a hated society to the simple listing of its crimes.”

“Orwell's vision of our terrible future was that world-- the world in which books are banned or burned. Yet it is not the most terrifying world I can think of. I think instead of Huxley-- ...I think of his Brave New World. His vision was the more terrible, especially because now it appears to be rapidly coming true, whereas the world of 1984 did not. What's Huxley's horrific vision? It is a world where there is no need for books to be banned, because no one can be bothered to read one.”

“Orwell says straight, look, in England what comes out in a free country is not very different from this totalitarian monster that I'm describing in the book. It's more or less the same. How come in a free country? He has two sentences, which are pretty accurate. One, he says, the press is owned by wealthy men who have every reason not to want certain ideas to be expressed. And second - and I think this is much more important - a good education instills in you the intuitive understanding that there are certain things it just wouldn't do to say.”

“Orwell was dealing with communism and his disillusionment with communism in Russia and what he saw the communists do in Spain. His novel was a response to those political situations. Whereas I was interested in more things than the political atmosphere. I was considering the whole social atmosphere: the impact of TV and radio and the lack of education. I could see the coming event of schoolteachers not teaching reading anymore. The less they taught, the more you wouldn't need books.”

“Os adultos gostam de números. Quando vocês lhes falam de um novo amigo, nunca se interessam pelo essencial. Nunca perguntam: “Qual é o som da voz dele? Que brincadeiras prefere? Coleciona borboletas?”. Indagam: “Que idade ele tem? Quantos irmãos tem? Quanto pesa? Quanto ganha o pai dele?”. Só aí julgam conhecê-lo. Se vocês disserem aos adultos: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombas no telhado…”, eles não conseguirão imaginá-la. Vocês precisam dizer: “Vi uma casa de cem mil francos”. Então eles exclamam: “Que beleza!”

“Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer. Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos. Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera – e está – na massa do sangue: a excitação de contar coisas e partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar. Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem. É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida. Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público”

“Os amigos nunca são para as ocasiões. São para sempre. A ideia utilitária da amizade, como entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se dívidas. Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso. A decadência da amizade entre nós deve-se à instrumentalização que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa espécie de maçonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. É por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem laços políticos ou comerciais. Se alguém «falta» ou «não corresponde», se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como «mau» amigo e sumariamente proscrito. Está tudo doido. Só uma miséria destas obriga a dizer o óbvio: os amigos são as pessoas de que nós gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de nós. Não interessa. A amizade é um gosto egoísta, ou inevitabilidade, o caminho de um coração em roda-livre. Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo. É impossível lembrarmo-nos de como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter. A glória da amizade é ser apenas presente. É por isso que dura para sempre; porque não contém expectativas nem planos nem ansiedade. Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Português”

“Os aromas do Natal: Um deles é o Cacau. Gengibre tão especial E a canela é essencial. Quando chega às vésperas Açúcar cozido só nas peras. Cereja que se compra na feira E as tâmaras, é a caixa inteira. Mas aquele odor de pinho Proporciona mais carinho. É como acalentar o ninho E trazer amor no caminho. Qual cheiro mais te agrada Saído de um conto de fada? (Soneto de Natal by Ana Claudia Antunes )”

“Os casais que concebem filhos que não desejam refletem os casais que querem filhos mas não podem ter. O problema destes últimos tem sido resolvido pelos ginecologistas com menor alarde e esforço. As pessoas autoritárias fazem mais objeções ao fato de as outras fazerem o que elas acham que não deve ser feito, ao invés de procurar realizar o que acham que devem.”

“Os chineses também possuem um dilúvio, mas o homem venceu Deus usando engenheiros. "Na mitologia chinesa, o grande dilúvio é uma narrativa que destaca não apenas a devastação causada pelas águas, mas também a engenhosidade humana em superá-la. O mito de Gun-Yu, que descreve a luta contra uma inundação catastrófica do rio Amarelo, é um exemplo notável de como a engenharia e a gestão hídrica foram cruciais para a sobrevivência e prosperidade da civilização. Isso feito por humanos, nada de mágica e um Deus que causou tudo, e depois ainda sai bem na fita como bondoso.”

“Os clientes de fim de semana são vistos universalmente com uma certa suspeita, mesmo desprezo, tanto pelos cozinheiros como pelos empregados; são os parolos, os tansos, os provincianos, os comedores sôfregos, os que dão más gorjetas, os suburbanos a caminho do teatro, chegados à cidade para ver o Cats ou Les Misérables e nunca mais voltar. Por outro lado, os clientes dos dias úteis da semana são a equipa da casa – potenciais clientes regulares, a quem todos os envolvidos querem fazer felizes.”

“Os comunistas repudiam todo e qualquer ocultamento de suas posições e intenções. Eles declaram abertamente que seus propósitos só podem ser alcançados mediante a derrubada pela força de toda ordem social até hoje reinante. Que as classes dominantes tremam ante a revolução comunista. Os proletários nada mais têm a perder com ela do que seus grilhões. Têm, sim, um mundo a ganhar. proletários de todos os países, unam-se!”

“Os declaráis bajo el mal tan postrados y tan yertos, que habláis lo mismo que muertos a los que todo da igual. Y ante seres tan pasivos, en mi corazón se entabla la cuestión de ver si habla con los muertos o los vivos. Tan resignado, tan manso vuestro triste cuerpo va, que a mí me parecéis ya cadáveres sin descanso. Basta de resignación, de pies y de manos presos. ¿No tenéis alma en los huesos ni sangre en el corazón? ¿Campará el pájaro malo, y tendréis siempre a su antojo sonrisas para su ojo y espaldas para su palo? Cuerpo de hombre que se deja pisar, morir o matar, al cuello debe llevar el balido de la oveja. Nadie se deje morir mansa y silenciosamente, para que la humilde frente no le vengan a escupir. ¿Por qué no lleváis dispuesta contra cada villanía una hoz de rebeldía y un martillo de protesta?”

“Os diversos modelos de instituições de hoje estão profundamente enraizados no passado, porque, uma vez que a sociedade é organizada de uma determinada maneira, esta tende a persistir. (…) Os poderosos e o resto da sociedade discordarão com frequência sobre as instituições que deverão continuar a existir e as que deverão ser mudadas.”

“Os dois alemães continuavam. As novas impressões dos ataques indígenas substituíam as antigas. Ao longo do dia, produziu-se uma evolução que não se completou em direção a um saber não-mediado. Tem se que levar em conta que o ponto de partida era uma mediação muito trabalhosa. O procedimento humboldtiano era um sistema de mediações: a representação fisionômica se interpunha entre o artista e a natureza. A percepção direta ficava descartada por definição. E, não obstante, era inevitável que a mediação deixasse de existir, não tanto por sua eliminação, mas por um excesso que a tornava mundo e permitia apreender o próprio mundo, nu e primitivo, em seus signos. No fim das contas, é algo que acontece na vida todos os dias. Alguém começa a conversar com o próximo e quer saber o que ele está pensando. Parece impossível conseguir averiguar isso se não for através de uma extensa série de inferências. O que é que existe de mais encerrado e mediado que a atividade psíquica? E mesmo assim, esta se expressa na linguagem, que está no ar, e que somente pede para ser ouvida. A pessoa se atira contra as palavras e, sem saber, já chegou ao outro lado e está no corpo-a-corpo com o pensamento do outro. Mutatis mutandis, acontece o mesmo com um pintor em relação ao mundo visível. É o que acontecia ao pintor-viajante. O que o mundo dizia, era o mundo. E agora, como complemento objetivo, o mundo tinha parido repentinamente os índios. Os mediadores não-compensatórios. A realidade se fazia imediata, como um romance. Só faltava a concepção de uma consciência que fosse não apenas consciência de si mesma, mas também de todas as coisas do universo. E não faltava, porque era o paroxismo.”

“Os dois amigos lançaram o passo, largamente. E Carlos, que arrojára o charuto, ia dizendo na aragem fina e fria que lhes cortava a face: —Que raiva ter esquecido o paiosinho! Emfim, acabou-se. Ao menos assentamos a theoria definitiva da existencia. Com effeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ancia para coisa alguma... Ega, ao lado, ajuntava, offegante, atirando as pernas magras: —Nem para o amor, nem para a gloria, nem para o dinheiro, nem para o poder... A lanterna vermelha do «americano», ao longe, no escuro, parára. E foi em Carlos e em João da Ega uma esperança, outro esforço: —Ainda o apanhamos! —Ainda o apanhamos! De novo a lanterna deslisou e fugiu. Então, para apanhar o «americano», os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos e pelo Aterro, sob a primeira claridade do luar que subia.”

“Os dois fantasmas, pois a impressão que os portugueses tiveram foi de estarem perante verdadeiros espetros, atiraram-se à poça de vómito e, afundando a cara naquela mistela repugnante, puseram-se a lamber sofregamente a massa ácida e mal digerida que o oficial japonês acabava de expelir para o passeio. (…) A rapariga teve ela própria de pôr a mão na boca para reprimir um vómito, subitamente consciente de que se não o fizesse em poucos instantes outros famintos estariam a lamber o que restava do chau chau que acabara de comer no Fat Siu Lau.”

“Os estereótipos raciais negativos presentes em piadas e brincadeiras racistas são os mesmos que motivam práticas discriminatórias contra minorias raciais em outros contextos. É mesmo possível afirmar que piadas e brincadeiras que reproduzem estigmas raciais não afetam a vida dos membros desses grupos, sendo então socialmente irrelevantes? Muitas teorias psicológicas demonstram que o humor não é uma mera reação reflexa, mas sim produto do contexto cultural no qual as pessoas vivem. Isso significa que ele adquire sentido a partir dos valores presentes no espaço público. Ele manifesta a hostilidade por pessoas que possuem status social inferior. Podemos realmente argumentar que o humor baseado em estereótipos raciais tem uma natureza benigna porque procura apenas produzir um efeito cômico e não promover animosidade contra minorias raciais? Uma análise do conteúdo de piadas racistas demonstra que ele perpetua os mesmos elementos que estavam presentes em políticas públicas de caráter eugênico destinadas a promover a eliminação da herança africana por meio da transformação racial da população brasileira. Podemos mesmo dizer que o humor racista tem apenas a função de produzir um efeito cômico ou devemos partir do pressuposto de que ele serve como veículo para uma política cultural destinada a legitimar estruturas hierárquicas? Vivemos em uma nação que professa uma cultura democrática, o que implica seu compromisso com o reconhecimento da igualdade moral entre todos os indivíduos. A partir de que parâmetros podemos conciliar o interesse na proteção da reputação de grupos sociais com o direito à liberdade de expressão? O que deve ter prioridade, o direito individual ou os de interesse coletivo, na proteção da reputação pessoal?”

“Os estudos universitários no campo das letras não levam, como se sabe, praticamente a nada, a não ser, para os estudantes mais dotados, a uma carreira de ensino universitário no campo das letras — em suma, temos a situação um tanto cômica de um sistema sem outro objetivo além de sua própria reprodução, acompanhado por uma taxa de não aproveitamento superior a noventa e cinco por cento. Esses estudos no entanto não são nocivos e podem até apresentar uma utilidade marginal. Uma moça que procure um emprego de vendedora na Céline ou na Hermès deverá naturalmente, e em primeiríssimo lugar, cuidar de sua aparência; mas uma graduação ou um mestrado em letras modernas poderá constituir um trunfo secundário que garanta ao patrão, na falta de competências mais aproveitáveis, uma certa agilidade intelectual que pressagie a possibilidade de uma evolução na carreira — a literatura, além do mais, vem desde sempre acompanhada de uma conotação positiva no ramo da indústria do luxo.”

“Os fabricantes de cocaína colombianos protegeram os seus lucros apertando o controlo das suas cadeias de abastecimento, dentro da mesma linha que a Walmart. Os cartéis mexicanos expandiram-se numa base de franchising, com o mesmo sucesso que a McDonald’s. Em El Salvador, os gangues de rua tatuados, outrora inimigos figadais, descobriram que o conluio por vezes pode ser mais rentável que a concorrência. Os criminosos caribenhos usam as prisões fétidas das ilhas como centros de emprego, resolvendo assim os seus problemas em matéria de recursos humanos.”

“Os filósofos são pessoas muito pacientes, mas os engenheiros têm muito menos paciência, e os investidores menos ainda. Se não sabemos o que fazer com a capacidade de criar vida, as forças do mercado não vão esperar mil anos até que nos ocorra a resposta. A mão invisível do mercado vai impor-nos a sua resposta cega. A menos que confiemos de bom grado o futuro da vida a relatórios e contas trimestrais, precisamos de ter uma ideia nítida sobre o que é a vida.”

“Os fundamentalistas estão no congresso gastando nosso tempo e energia para discutir asneiras religiosas, como proibir casamento homoafetivo como se isso tivesse qualquer relação com o prato de comida na mesa do brasileiro que passa fome, e o governo deveria o ajudar.”

“Os governos estão a abordar o mercado de cocaína como se fosse o mercado de chocolate, em que uma subida do preço dos grãos de cacau conduz a uma subida equivalente do preço das tabletes de chocolate. Na realidade, assemelha-se mais ao mercado de arte, em que o custo ínfimo das matérias-primas é insignificante em comparação com o preço elevado do produto acabado. As tentativas de aumentar o preço da cocaína através da subida do custo das folhas de coca são um pouco como tentar fazer subir o preço da arte aumentando o custo da tinta.”